Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2005

Fora da agenda...

É sintomático que a melhoria da Função Publica tenha sempre como bandeira a redução de pessoal. Nunca surge para debate, estratégias para reorganizar o enquadramento jurídico, o enquadramento institucional, a forma hierárquica de funcionamento e raramente se debate a diminuição dos procedimentos. Não se deixa de constatar que de forma frequente a Função Publica sofre de uma autofagia, teimando em existir não para cumprir uma missão mas apenas para se perpetuar, mas tal não é resolvido com uma política de redução de pessoal sem que essa surja em consequência de uma restruturação global. Optando pela simples redução de efectivos só se pode na melhor das hipóteses almejar ao estatuto de uma política paliativa que as próprias estruturas se vão encarregar de contornar de forma mais ou menos camuflada através do aumento da precariedade do vinculo laboral ou na aquisição de serviços de “outsourcing”.
É provável que esta proposta se torne mais um choque como também é provável que seja um choque apenas no papel. Estas ideias de “choque” estimuladas por Durão Barroso no que concerne ao domínio fiscal, repescada agora para a Tecnologia e para a Gestão parecem condenar a política portuguesa a uma óbvia sinistralidade. Com tanto choque, sempre se podia propor um choque político, começando pelos intervenientes políticos, talvez assim se conseguisse “chegar ao cérebro” e compreender que não se começa pelo fim e se alguém imagina que a diminuição de pessoal conduz a soluções de racionalização dentro do poder instituído só pode ser fruto de um delírio e que tal mais que um sinal de fraqueza é um sinal de impotência.
publicado por vitorcandidojose às 09:07
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4 comentários:
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2005 às 19:21
Essa foi forte Vitor. Gostei!Antonio Dias
(http://salvoseja.blogspot.com)
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2005 às 10:09
Luis, corremos algum risco de todas as maleitas serem corridas com o mesmo antibiótico, espero que estes desejos de campanha sejam enterrados no dia 20.
António deixo-lhe uma pequena ideia minha, incentivos, não rima com dinheiro.

Vitorjosé
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(mailto:vitorjose@cnb.pt)
De Anónimo a 9 de Fevereiro de 2005 às 19:17
Os funcionalismo público tem as costas largas, é um facto.
Aguenta com tudo, até com governos menores.
Mas, em abono da verdade, temos que reconhecer que se os funcionários públicos estão mal vistos é, em grande parte, por culpa própria.
É certo que não existe estímulo. Bem pelo contrário. Mas, uma boa dose de profissionalismo nunca fez mal a ninguém.Antonio Dias
(http://salvoseja.blogspot.com)
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 9 de Fevereiro de 2005 às 13:26
Receio que esta questão tão importante se tenha transformado num mero "sound bite". Tudo no mesmo saco dentro do Sector Público Administrativo com receita de antibiótico de largo espectro. Está feito! É assim que pensam, espero que não seja assim que ajam.Luís Sequeira
(http://abnegado.blogspot.com)
(mailto:sequeiralopes@iol.pt)

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