Sexta-feira, 24 de Setembro de 2004

Socorro

Trago na voz escondida
O grito da dor
Essa dor cruel
Que alastra pelo corpo
E na terra vai-se derramando
O meu sangue revoltado

Dos meus olhos
Fogem lágrimas indefesas
Empurrados do meu seio
estropiadas da minha alma

E tudo o que sou,
é pomba, é terra é criança.
Sou gente que chora
a quem roubaram o direito
de rir
Sou fúria
em cada Lágrima

Largam-me na escuridão
Onde não ouço a vossa voz.
Tracejando a coragem
aquela bala assassina
Que me rouba sem piedade
Uma vida perdida

Há uma razão profunda que envolve este poema e essa existiu, existe e existira, chama-se Timor. Este poema foi escrito no Setembro da nossa indignação, quando fomos para a rua, não para apanhar um qualquer autocarro, mas para unir a nossa voz na condenação da desumanidade de um estado. Para alimentar a alma de um povo e convencer quem podia mudar a situação a faze-lo. Timor conquistou a sua liberdade, contra os arautos da desgraça, os vendidos habituais e os derrotados da vida. Todos ganhamos. Hoje Timor enfrenta multiplos desafios no seio da sua comunidade, de certeza imensos problemas, mas há algo de fundamental que é a virtude comunitária de decidirem o seu caminho como sociedade. Certo ou errado, será sempre o caminho que escolheram e esse, é um direito inalienável da humanidade e nós portugueses estivemos empenhados nessa conquista. Todos ganhamos.

( comentado por Sal ) Lembro-me de 1 dia desse setembro em que entraste no café conduzindo um inquérito (um qualqur trabalho de escola, suponho) com a finalidade de descobrir o quanto ignoravamos Timor. Lembras-te? Nem imaginas o quanto aprendi com as tuas perguntas!... Lembro-me, nesse setembro, de marchas de solidariedade, protestos, cordões humanos e sei lá mais quantas acções colectivas de indignação pela miséria que se sofria no outro extremo do mundo que já foi português. E depois, tantos setembros e maios e outros meses em que portugal saíu á rua e pediu justiça contra atrocidades ocorridas em tantos cantos do globo..... Valeu a pena? Valeu pois! Ficámos a saber que a nossa voz se torna mais forte quando soa juntamente com outras e que o seu eco perdurará nos ouvidos de quem é culpado... pelo menos até à próxima injustiça. E agora? Onde está hoje a nossa voz, quando somos sistematicamente esmagados pelos erros de quem nos governa? Quem grita por nós? Quem reage e pede justiça? Por muito valor que tenham as nossas palavras, de nada servirão paradas num blog (excelente, por sinal! parabéns amigo). Queixumes e oito séculos e meio de memórias não chegam para limpar o mal feito nos últimos tempos, nem tampouco para garantir um mundo justo para os nossos filhos.... Tenho saudades de ter um país com futuro. Tenho vergonha de ser mais um português cuja voz se perde no meio de tanta desonestidade, cobardia e valores dúbios. Será que não existe um único político em portugal capaz de perceber que TODOS nós temos um objectivo comum? Que se fizermos mal ao vizinho do lado apenas nos prejudicamos mais? Não peço uma revolução, apenas evolução. Abraço p/ ti vito Sal Enviado por Sal em outubro 3, 2004 02:56 AM


Trouxeste-me memórias de dias preenchidos. As tuas palavras continuam a ser o espelho da tua alma e que sempre o sejam. Abraço de quem a distancia não traz o esquecimento mas apenas a nostalgia e o desejo da presença


 

publicado por vitorcandidojose às 08:44
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1 comentário:
De Anónimo a 3 de Outubro de 2004 às 02:56
Lembro-me de 1 dia desse setembro em que entraste no café conduzindo um inquérito (um qualqur trabalho de escola, suponho) com a finalidade de descobrir o quanto ignoravamos Timor. Lembras-te? Nem imaginas o quanto aprendi com as tuas perguntas!...
Lembro-me, nesse setembro, de marchas de solidariedade, protestos, cordões humanos e sei lá mais quantas acções colectivas de indignação pela miséria que se sofria no outro extremo do mundo que já foi português.
E depois, tantos setembros e maios e outros meses em que portugal saíu á rua e pediu justiça contra atrocidades ocorridas em tantos cantos do globo..... Valeu a pena? Valeu pois! Ficámos a saber que a nossa voz se torna mais forte quando soa juntamente com outras e que o seu eco perdurará nos ouvidos de quem é culpado... pelo menos até à próxima injustiça.
E agora? Onde está hoje a nossa voz, quando somos sistematicamente esmagados pelos erros de quem nos governa? Quem grita por nós? Quem reage e pede justiça? Por muito valor que tenham as nossas palavras, de nada servirão paradas num blog (excelente, por sinal! parabéns amigo). Queixumes e oito séculos e meio de memórias não chegam para limpar o mal feito nos últimos tempos, nem tampouco para garantir um mundo justo para os nossos filhos.... Tenho saudades de ter um país com futuro. Tenho vergonha de ser mais um português cuja voz se perde no meio de tanta desonestidade, cobardia e valores dúbios.
Será que não existe um único político em portugal capaz de perceber que TODOS nós temos um objectivo comum? Que se fizermos mal ao vizinho do lado apenas nos prejudicamos mais?
Não peço uma revolução, apenas evolução.
Abraço p/ ti vito
SalSal
(http://galerias.escritacomluz.com/sal/)
(mailto:l_salzedas@hotamil.com)

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