Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2005

Notas de noite eleitoral

Jeronimo de Sousa O novo líder comunista fez um discurso de quem imaginou que uma maioria relativa do PS deixava no colo do Partido Comunista um quinhão do poder nem que fosse na figura de um acordo de incidência parlamentar, a maioria absoluta fez essa esperança morrer. O partido Comunista esperava vir a ser o CDS da esquerda portuguesa.


 Paulo Portas A sua energia e a sua determinação estiveram arredadas da sua postura política durante anos, foram preteridas em favor de uma encenação de um homem de estado e de um paladino da direita portuguesa. Hoje essa energia e determinação regressaram neste discurso de demissão. Aquele “estou-me nas tintas” foi uma catarse de um homem que esta noite viu terminar um ciclo político e soube agir com honra, alterando a sua contingência em favor de uma liberdade intelectual que em larga medida pareceu sempre amordaçada. 


Sócrates Não é um homem de consensos, é alguém que escolhe um caminho e que enfrenta os obstáculos, a questão é saber se ele está apto a tomar as decisões acertadas. A definição das pessoas que vão constituir o governo é um momento chave quer para aferir a qualidade quer para aferir até que ponto algumas fracas figuras que insistem em pendurar-se no líder ficam de fora do elenco governativo.


Santana Lopes A declaração de Santana Lopes é a abertura de uma guerra dentro do PSD. A gasta estratégia da vitimização acompanhada pelo acantonamento seu e dos seus, visa a todo custo mante-lo no poder e esse custo será necessariamente o partido e a candidatura do professor Cavaco Silva. Contra tudo o que penso desta figura escrevi no Sábado que esperava lucidez foi uma ingenuidade de quem deixou a necessidade falar mais alto que a realidade.

publicado por vitorcandidojose às 09:06
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5 comentários:
De Anónimo a 23 de Fevereiro de 2005 às 00:34
Imagino “docerebelde”, mas há gestos políticos que podem parecer uma incapacidade de digerir certas derrotas e nesse campo os portugueses não tem hábito de beneficiar o infractor...
“Jeremias”, Jerónimo de Sousa foi porta-voz de uma vitoria eleitoral com um trago amargo, a maioria absoluta do PS quebra protagonismo parlamentar ao PCP. Quer os Comunistas quer os bloquistas esperavam apanhar a boleia da vitória do PS, o que é legítimo. Se o PS tivesse uma maioria relativa acredito que o parceiro privilegiado seria o partido Comunista, mas enfim as coisas são o que são e o PS tem... Maioria absoluta.
Vitor jose
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De Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 21:29
Não vi nada no discurso de Jerónimo que pudesse indicar que o PCP estava à espera de ser governo, aquilo que o PCP certamente faria é o que sempre defendeu e o que disse durante a campanha, apoiaria da parte do PS uma política verdadeiramente de esquerda e nada mais, mas visto que de Sócrates pouco de esquerda tem dito o que se esperaria do PCP seria um combate pela esquerda às políticas do PS. Aliás, 30 anos de convivência democrática entre PS e PCP mostram isso claramente, não vejo porque haveria o PCP, e não apenas Jerónimo porque nesse aspecto o PCP é manifestamente um partido diferente, de aceitar apoiar uma política como a que se prevê da parte do PS. Essa análise seria a mais correcta se fosse a análise à perspectiva do Bloco de Esquerda, isso sim foi manifesto nesta campanha.Jeremias
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De Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 16:55
Concordo em quase tudo o que escreves. Porém no que se refere á sa´da do Portas, discordo . Já analisaste em pormenor essa mesma saída!? Olha que ele não é pessoa para se "entregar" ao deixa andar.....Quem sabe este "partir" não está "revestido" de outras pretenções num futuro próximo...Pensa no que acabo de escrever....pensa.....rs
...Bjsdocerebelde
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(mailto:DoceRebelde@hotmail.pt)
De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2005 às 19:43
No seu olhar radiofónico sobre este ambiente eleitoral partilho consigo a curiosidade em relação ao Jerónimo de Sousa embora quem com ele tenha partilhado um determinado período do PCP não encontre nele os méritos que tem vindo a conquistar na opinião publica, mas enfim as pessoas mudam, resta saber se o partido também muda. Não subscrevo a sua visão da atitude de Paulo Portas. Santana ontem encerrou o seu ciclo político e a sua decisão, foi arrastar-se a ele e ao partido, não duvido que esteja condenado mas o preço que o partido paga vive aliado ao tempo que ele vai demorar a deixar a liderança. vitor josé
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De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2005 às 18:28
Independentemente das pessoas, há que tentar perceber o que mudou e o que vai mudar.
Jerónimo de Sousa dá um novo rosto ao PCP, mais simpatia, mais humanismo, etc,embora as ideias se mantenham as mesmas. Esperemos para ver se Jerónimo sabe/consegue modernizar este enquilosado PCP. Pode ser importante numa AR de esquerda.
José Socrates acabou por beneficiar da vontade portuguesa em castigar a direita. Conseguiu a maioria absoluta, o que aumenta as responsabilidades do partido que lidera. É um pau de dois bicos. Quero, ainda, perceber se o PS vai mesmo praticar uma política de esquerda. O que duvido.
Paulo Portas ainda tentou, ao descolar-se do PSD, que o eleitorado olhasse para o PP como algo que ainda podia render. Enganou-se. Todas as metas que queria, sairam-lhe furadas. Um zero à direita. Sai de cena sem honra e sem glória.
Santana Lopes está condenado. Não por vontade própria, mas porque os "barões" do PSD não lhe vão perdoar. Nem os simpatizantes laranja. Muitos deles terão "fugido" ontem para outras paragens. Mas Santana Lopes fez "hara kiri". Teve quase tudo na mão e esbanjou. Que futuro? Negro, muito negro.
Francisco Louçã, com uma semi-vitória, tem pela frente uma promessa que não pode cumprir em tempo útil - o referendo sobre o aborto - e, sobretudo, garantir aos seus apoiantes que tem o estofo que prometeu.
Antonio Dias
(http://salvoseja.blogspot.com)
(mailto:adias23@netcabo.pt)

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