Terça-feira, 28 de Setembro de 2004

Laborar II

Hoje defrontei a pobreza de espirito e a forma implacável como foi corroída pelo veneno dos amargurados da vida. Podia ter ignorado ou apenas tolerado a imbecilidade que descrevo? De todo, comportamentos desta índole são castradores de projectos e de relacionamentos, ignorar é desistir e tolerar é uma passividade que nos entrega a mediocridade. Pois então, o meu caminho é a recusa desses becos da vida. Deve perder-se em absoluto o rumo, para alimentar tanto preconceito, tanta obsessão em imiscuir-se na vida de cada um, ter um prazer mórbido de destruir. Camilo dizia “todas as vocações morrem de garrote”. Morrem no garrote cobarde de quem vislumbra na sua cegueira uma carreira acima das pessoas, de quem inveja a capacidade, o talento e o trabalho do outro, de quem vive esmolando o poder, tenha ele os contornos que tenha. De quem viva desprezando as opiniões por valores de estatuto social e não por aquilo que essas opiniões encerram. Não me aconselhem a apresentar-lhes uma visão Crista da vida ou da inevitável morte, não, não vou lembrar-lhes que morrem, apenas digo-lhes que estão a morrer.


(Comentado por Carla )Pois é Vitor, vivemos no meio da mediocridade. Hoje não me sinto triste por algumas pessoas serem como são, por viverem corroídas pela inveja, pelo veneno que espalham à sua volta, sinto-me sim impotente para lidar com a maldade. Obviamente que não podemos ignorar nem tolerar tais atitudes, estas pessoas até poderão ter razão no que dizem, mas a atitude é tudo e quando penso no fundo, quando penso onde querem chegar fico assustada e até mesmo revoltada pela mesquinhez e pelo requinte de tais actos.

publicado por vitorcandidojose às 22:12
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1 comentário:
De Anónimo a 29 de Setembro de 2004 às 11:00
Pois é Vitor, vivemos no meio da mediocridade. Hoje não me sinto triste por algumas pessoas serem como são, por viverem corroídas pela inveja, pelo veneno que espalham à sua volta, sinto-me sim impotente para lidar com a maldade. Obviamente que não podemos ignorar nem tolerar tais atitudes, estas pessoas até poderão ter razão no que dizem, mas a atitude é tudo e quando penso no fundo, quando penso onde querem chegar fico assustada e até mesmo revoltada pela mesquinhez e pelo requinte de tais actos.
Gostaria de partilhar uma coisa que li à dias é um pouco longa mas vale a pena.
“Uma mulher tanto falou que o seu vizinho era ladrão, que o rapaz acabou preso.
Dias depois, descobriram que era inocente, o rapaz foi solto e processou a mulher.
Os comentários não foram tão graves – disse a mulher para o Juiz.
De acordo – respondeu o Juiz.
Hoje ao voltar para sua casa, escreva tudo de mal que disse sobre o rapaz, depois pique o papel, e jogue os pedaços no caminho. Amanhã volte para ouvir a sua sentença.
A mulher obedeceu, e voltou no dia seguinte.
Então disse o Juiz: A senhora será perdoada se me entregar os pedaços do papel que espalhou ontem, caso contrário será condenada a um ano de prisão – declarou o magistrado.
Mas não é possível! O vento espalhou e levou tudo!”
Pois é, um simples comentário pode ser espalhado pelo vento e destruir a honra de um de nós e depois é impossível consertar o mal.
carla
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(mailto:carlaalmeida@cnb.pt)

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