Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

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betancourt.gif Há neste olhar uma força sem dureza, uma coragem sem violência. Esta mulher foi estropiada da sua família e da sua luta que persistentemente conduz na Colombia. Uma guerrilha denominada FARC raptou-a há 34 meses. Sequestrada por homens que se auto denominam libertadores do povo, tomaram de forma vil e cobarde o símbolo da esperança colombiana.


 Ingrid Bettencourt disse do seu pais aquilo que os políticos só arriscam dizer em voz sumiça, disse-o e repito-o em inúmeros encontros com o seu povo, criou um partido político denominado "Oxigeno", afirmou-o enquanto Senadora e fez disso manifesto político da sua candidatura a Presidente da Republica. E o disso que falo e que cobardemente é comodamente ignorado pelos governos dos países ditos civilizados é a mordaça que aprisiona a Liberdade de um pais enlameado de droga, de corruptos, ensanguentado por raptos, assassínios selectivos, massacres numa espiral que tem a jusante uma guerra que conduziu já ao degredo da vida duas gerações de Colombianos.


Não há nesta guerrilha de assumido pendor de esquerda, uma estratégia que justifique este rapto, há uma exclusiva razão plausível para manter Ingrid Betancourt em cativeiro há 34 meses, essa razão prende-se com um facto crú, o de estar a referir-me, a energúmenos. Ingrid não preconiza somente o combate à droga e dos sujos interesses associados, preconiza o que de mais nobilíssimo existe numa vida, a luta pela libertação de um povo. Consome-me a complacência dos políticos dos países civilizados, expressa num silêncio ou em escusas de circunstância. É obsceno o relacionamento da cultura Ocidental com a Colombia, assenta essencialmente numa parcela substancial dos 400 a 500 biliões de dólares provenientes do comercio da droga e nos interesses pela exploração petrolífera é especialmente por estes motivos que os civilizados sujam as mãos. É por estas razões de Estado que ignoram as ameaças, as tentativas de atentado e o cativeiro desta mulher que ergueu um partido, tornou-se na senadora mais votada da Colombia e é a esperança viva de um povo e de todos aqueles que suprindo a distância física sentem a ignominia Colombiana e acreditam no direito inalienável a vida e perfilham um ideal de ética.


 PS : Honrosa excepção para o Rei Ruan Carlos que tem preconizado um esforço visando a liberdade de Ingrid.

publicado por vitorcandidojose às 00:53
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1 comentário:
De Anónimo a 7 de Outubro de 2004 às 09:58
Não posso deixar de te dizer mais uma vez o quanto admiro a forma como escreves. O conteúdo e a profundidade dos teus textos tocam. Ao ler o teu comentário recordei um filme que me marcou pela cruel realidade de que só me apercebi no fim, quando fui confrontada com uma história baseada em factos verídicos. A história passa-se na cidade do México onde acontecem 4 raptos por dia, não importa se são crianças, mulheres, jovens, homens, importa sim extorquir dinheiro de uma forma vil e cruel, não importa o valor da vida humana, importa sim o quanto vale (em dinheiro claro) aquela vida. Rodeados pela corrupção e pela ganância nem nos supostos amigos se pode confiar qualquer um é um possível raptor, a polícia metida dentro dos seus uniformes vai fazendo discursos gastos e tolos para iludir o povo e os políticos ficam metidos dentro dos seus gabinetes a "rezar" para que eles ou os seus familiares não sejam vitimas desta hirmandade, salvam-se no meio disto tudo algumas pessoas que acreditam no valor e nos direitos humanos e que não se deixam corromper mesmo quando são ameaçadas de morte.carla
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(mailto:carlaalmeida@cnb.pt)

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