Sexta-feira, 22 de Outubro de 2004

Opinião sobre artigo Eles confundem liberdade com libertinagem

( comentário da Carla ao texto de ontem) Estes são os estudantes de hoje os governantes de amanhã. Alguns deles encontram-se perdidos de ideais, de princípios, de espírito de sacrifico, são egoístas, mal-educados pensam que o mundo gira à volta dos seus umbigos. Encostados nos Paizinhos e nas Maezinhas que lhes pagam os carrinhos, os telemóveizinhos, os copos à litrada com os amigos, as noitadas, lá vão levando os dias. Tudo isto tem uma explicação a maioria dos pais para colmatar a falta de atenção que dá aos filhos acha que assim preenche esta lacuna, um outro aspecto muito importante é a aparência, é bem ter um carro que dá nas vistas, um telemóvel que até tira fotografias, uns óculos que são o último grito (porque mesmo que não se goste, usa-se) ir aos bares da moda. Vivemos numa sociedade de consumo e aparência que precisa de mudar urgentemente de caminho, enquanto forem estes os “valores” os “ideais” estamos mal.


 Não reduzo os universitários a uma única fauna. Separo a fauna dos ditos “queques” que descreves, desta outra “fauna” que no meio das atitudes imbecis que produz ainda ousa usar as palavras liberdade e fascista, vulgarizando-as. Sinto-os perdidos, parecem capazes de ver muito, mas ao mesmo tempo são imbuídos de um vazio de orientações que os torna incapazes de perceber quase tudo. Sabes que em relação a linha que traças entre a pobreza desta fauna de universitários e o futuro deles vai para mim uma linha recta com o nosso presente que tem como legenda, pior é difícil . “É bom para a mãe é bom para o avô é bom para o bébé”. Nós ouvimos isto ???


(comentado por margarida )“De facto acho que os estudantes são mais do que tudo isso. São de facto o futuro, mas e que futuro? Se começam logo os cursos com perspectivas de desemprego. A irreverência dos jovens estudantes não pode de modo algum ser reduzida a "geração rasca". Tenho lidado muito com jovens e sei que o que os move é acima de tudo um forte idealismo; é o pensarem que o mundo afinal de contas pode ser bem melhor.(...) Reduzi-los todos à insignificância de "parasitas sociais" não me parece justo....”


Arrepia-me essa expressão dos jovens serem o futuro, no meu tempo de associativismo estudantil pugnava sempre pelo nosso papel no presente, a juventude não é uma massa imberbe a espera de viver um futuro distante, o seu papel enquanto jovens realiza-se no presente. Se o percurso que a sociedade lhes oferece finda num desemprego então cabe também a esses jovens construir o seu futuro, o potencial desemprego no final do curso não pode abrigar atitudes imbecis como as tidas esta semana em Coimbra, aliás quantas manifestações viste os jovens realizar mostrando a sua preocupação em relação as suas saídas profissionais. Eles são realmente idealistas, mas cheios de ideiais que não se ligam entre si e completamente perdidos na orientação a tomar. Por fim concordo que é exageradamente fácil reduzi-los todos a “parasitas sociais” mas que os há, há, e cada vez mais.

publicado por vitorcandidojose às 00:46
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1 comentário:
De Anónimo a 22 de Outubro de 2004 às 13:26
De facto acho que os estudantes são mais do que tudo isso. São de facto o futuro, mas e que futuro? Se começam logo os cursos com perspectivas de desemprego. A irreverência dos jovens estudantes não pode de modo algum ser reduzida a "geração rasca". Tenho lidado muito com jovens e sei que o que os move é acima de tudo um forte idealismo; é o pensarem que o mundo afinal de contas pode ser bem melhor. Se não tivessem sido os estudantes e os seus pensamentos vanguardistas, nunca se teria dado o Maio de '68 nem a revolta dos estudantes na China.E que coragem! Reduzi-los todos à insignificância de "parasitas sociais" não me parece justo.O que me parece justo é criticar o ensino que lhes é apresentado e que muitas das vezes não é estimulante, as turmas são enormes, alguns professores estão a fazer um grande frete e depois vem a questão dos "dinheiros". Quando se utiliza a educação como fonte de lucro, estamos todos mal! Livros diferentes todos os anos - eu tive livros dos meus irmãos mais velhos!E as propinas? Simbólicas, dirão alguns, exageradas dirão outros! Só sei que os jovens muitas vezes colocados em Universidades fora da sua cidade, têm de pagar tudo (casa, comida, passes, livros, fotocópias, etc, etc.) e esse tudo torna-se penoso para eles. Se não forem os jovens, serão os adultos "conformados" a mudar a sociedade?Penso que não! Esses limitam-se a criticar e achar que tudo está mal, mas também não se mexem. Quantos adultos colaboram com associações civícas? Quantos no seu dia-a-dia agem coerentemente com aquilo que apregoam? Quantos adultos vão para a rua reclamar os seus direitos? Quantos? Geralmente os mesmos, porque os outros ficam sentados em casa, no conforto do seu lar a achar que o problema é sempre de todos, menos deles! O dinamismo, os ideais, a coragem e a irreverência dos jovens fazem-nos falta! margarida
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(mailto:margaridacruz@saocarlos.pt)

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