Sexta-feira, 29 de Outubro de 2004

Revelar palavras assumir tempestades

Quando causador ou conivente de alguma forma com situações prejudiciais para outrem ou para mim, procuro imediatamente atravessar a tormenta e vence-la. Não me identifico com a opção de uma espera que perdure e que me obrigue a ficar no meio do deserto, iludido por uma ajuda divina, embora já tenha aberto a porta da Fé, ela é ainda apenas uma facção minoritária do meu Acreditar, esse assenta em mim e no outro.


 Mas às vezes os tropeções nos dias causam mais mossa e o chão torna-se nosso parceiro, nessas alturas a embriaguez dos sentidos tenta transformar uma adversidade na minha vida, no problema da minha vida. Nessas alturas fico doridamente em silêncio, partilho o tempo com os dias que desfalecem lentamente e prolongam-se em períodos de angustia em que cada saída é aos meus sentires um beco e em que cada horizonte que vislumbro esconde inevitavelmente aos meus pés um precipício. Como te digo nessas alturas a partilha e o meu parceiro são um vazio de humanidade, são elementos que funcionam como instrumentos de tortura, fico triste e só, “...quantas inconfidências já foram feitas a luz da vela?...” mais assertivo seria dizeres quantas confidências tiveram como companheira e ouvinte só a luz da vela.


 Empurrado pelo meu Acreditar, os elementos vão tendo outra função para mim, sofrem uma mutação de carrascos para cúmplices, passam a ser abrigos das tempestades. Com alguma distância consigo ter uma abrangência dos acontecimentos que geraram estes sentires. De forma deliberada começo a procurar, camuflada ou assumidamente aquelas pessoas com quem tenho afinidades para que sejam meus parceiros e partilhe essa vivência. Assumo a consciência de mim próprio ( sou muito Socrático ) e Conhecendo-me e sendo Sensível ao Outro vou identificando uma solução que anule a tormenta e não deixe ficar ninguém para trás. E entenda-se que para mim ficar para trás não existe fisicamente mas espiritualmente.


 É fundamental tomar consciência de nós próprios, só assim poderemos promover escolhas e restringir a angustia da duvida e da opção errada, esse álcool que embriaga os nossos sentidos e que empurra para depressão e coarcta a Felicidade.


Este artigo foi uma  resposta ao desafio de Antonio Dias em consequência do seu comentario deixado no texto "Vivendo num passado não tão distante"


Cinco estrelas. Bom fim de semana, Vitor. Enviado por Antonio Dias 

publicado por vitorcandidojose às 00:10
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4 comentários:
De Anónimo a 3 de Novembro de 2004 às 17:34
Eu perdi o desafio? Qual desafio? O do silêncio?
O Vitor merece melhor comentário? Sobre quê? Ou será por se escrever muito que se ganham desafios? Isso é nos Jogos Florais. O que não é o caso.
É que o Vitor merece muito mais que um comentário.
Caro Jorge, as voltas que o ME te faz dar pelo País fora tiraram-te argúcia? Não acredito.
Fico, curioso, à espera da tua quebra de silêncio.
Um abraço.Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 2 de Novembro de 2004 às 21:57
Realmente, penso que o Vitor José merecia um melhor comentário! Depois desta profunda partilha, creio que o António Dias perdeu o desafio. Aliás, tinha feito um desafio, mas não o levou até ao fim. Quanto a mim, que ainda não posso falar muito, confesso que aceitei o desafio, mas que me mantenho ainda mais alguns dias em silêncio, por razões de coerência e de ordem afectiva... Até breve, Vitor e António.Jorge Dias
(http://olhaquedois.weblog.com.pt)
(mailto:jorgehumbertodias@iol.pt)
De Anónimo a 29 de Outubro de 2004 às 15:38
Cinco estrelas.
Bom fim de semana, Vitor.Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 29 de Outubro de 2004 às 14:30
Obrigado e adorei as tuas palavras! Felizmente sou uma pessoa muito optimista e alegre comigo mesma pra "ficar pra baixo" durante muito tempo... Eu tb procuro resolver o que me atormenta o mais rápido possível... o problema é quando a resolução não passa por nós... Bjstecpalt
(http://nasei.blogs.sapo.pt/)
(mailto:tecpalt@sapo.pt)

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