Segunda-feira, 1 de Novembro de 2004

Equívocos culturais

Há uma vacuidade de orientações governamentais no que se refere a área dos T.N. ( teatros nacionais ) que não sendo em si novidade é substancialmente agravada pela redução do financiamento apresentado no relatório do Orçamento de Estado para 2005.

600 mil contos, para três Teatros Nacionais, pretendendo com essa verba cobrir um leque tão vasto de áreas que vão desde, a garantia de espectáculos líricos e sinfónicos, obras de beneficiação, passando pela divulgação e informatização dos serviços ou muito me engano ou alguém vai ter que ter o dom de Midas para transformar dividas em activos.

 No âmbito dos Teatros D. Maria II e do S. João uma redução para os valores apresentados, obrigava a uma orientação e a criação de normas entre estas duas Instituições executada pela tutela, por forma a criar as condições para as duas direcções destes teatros apresentarem uma temporada quase exclusivamente em sistema de produções mistas ou alternadas, com apresentações em ambos os teatros. Um sistema absolutamente defensável para estas duas Instituições, a orientação não é esta, mas também não é nenhuma, imagino as agruras que estes valores tem provocado na Praça Rossio e na Praça da Batalha.

No São Carlos 200 mil contos para orçamentar uma temporada lírica são não um lirismo mas um dislate. Para o lado da Praça de São Carlos a situação é inevitavelmente mais grave empurrando o teatro para uma letargia que se esconde em obras de café.

Na CNB a realidade é absurda e somente pela sua ausência desta neste orçamento. Destinar 200 mil contos para gestão, produção, comunicação e imagem e continuar a ignorar a realidade efectiva e mais forte desta companhia que é a existência do Teatro Camões é um absurdo.

Todas as apresentações de temporadas vão sendo adiadas, sine die, por forma a permitir que as direcções consigam da tutela a atribuição de mais meios financeiros, retirados ou do PIDDAC ou de outra parcela orçamental. O relatório do Orçamento de Estado enquadra-se com as expectativas para este sector da cultura portuguesa que essencialmente não são nenhumas.

publicado por vitorcandidojose às 13:13
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De Anónimo a 2 de Novembro de 2004 às 18:15
Mas alguém disse que a cultura é assunto prioritário no nosso País?
Volta, Carrilho. Estás perdoado.Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)

Comentar post