Quinta-feira, 11 de Novembro de 2004

...

Comentado por Margarida "Estou triste! Morreu hoje um Homem! O Homem da Palestina! O Homem que sempre lutou pela liberdade e pela afirmação do seu povo! O Homem que era, para os americanos e israelitas, o entrave para a Paz no Médio Oriente!A arrogância de Israel, a hipocrisia dos EUA e o silêncio de Sharon deixam-nos que pensar. Vamos ver se de facto Arafat era o entrave.Mas sei que mesmo na morte este Homem será sempre uma inspiração para muitos e muitos jovens assim como o foi e será sempre Che Guevara! O Mundo perdeu mais um Homem de ideais e com carisma! Estou mais pobre e mais triste"


A morte neste enquadramento traz consigo um conjunto de sentires por onde algumas vezes trespassa a piedade e com isso se tolda a racionalidade. Não comungo da opinião que Arafat seja o martir que agora se pretende consolidar como que num truque de ilusionismo, contribuindo eficazmente para isso as noticias dos últimos dias. Arafat foi um líder que conseguiu visibilidade e simpatia para a causa palestiniana mas também foi noutra vertente um homem que condescendeu em ataques terroristas bárbaros. Independente das condições extremas do seu exercício de líder palestiniano foi muito perto da nulidade o resultado do que fez na área da educação, cultura e condições de saúde para o seu povo mas as dificuldades impostas por Israel não impediram que institui-se uma guarda pretoriana. Provavelmente é ligeiramente exagerado a comparação com Che. Os tempos que se avizinham no Médio Oriente são uma incógnita e que não se enquadra neste âmbito é o previsível extremar de posições. Arafat não soube ser um Che e nem pensou em ser um Gandhi mas tinha uma credibilidade que agora desapareceu.


Comentado por Margarida "Pode ter sido um pouco condescendente com algumas atitudes extremistas, mas também acho que muitas das vezes foi ultrapassado pelos acontecimentos. O que mais sinto na perda de Arafat tem a ver com o carisma e os ideais dele. Imaginas-te a viver num país eternamente saqueado e oprimido? Mas que condições têm aquelas pessoas para viver? Quantos já nasceram em campos de refugiados? E cresceram? E morreram? E outros que continuam sempre lá, no mesmo sítio, com os mesmos ideais e desejos de algo que para nós é tão fácil e tão básico: a liberdade, mas que simplesmente não a conseguem ter? Arafat pode sim aproximar-se de Che porque ambos lutaram pela liberdade de um povo, porque ambos morreram por essa causa e isso sim torna-os mártires e símbolos dela!A dignidade e o respeito por um povo estão em causa e creio que os próximos líderes serão possivelmente "escolhidos" pelo Ocidente com uma mãozinha de Israel.Já não há lideres carismáticos (excepto talvez Xanana Gusmão). A globalização deste Mundo é assustadora. Somos quase todos obrigados a pensar o mesmo, a vestir o mesmo, a comer o mesmo. Viva a liberdade de pensamento, vivam as pessoas com ideais, vivam os corajosos e viva a Paz porque essa depende de todos nós!"

publicado por vitorcandidojose às 16:38
link do post | comentar | favorito
|
9 comentários:
De Anónimo a 18 de Novembro de 2004 às 18:42
Afinal Arafat foi Nobel da Paz. Andamos distraídos, é?Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 18 de Novembro de 2004 às 18:40
Afinal Arafat foi Nobel da Paz. Andamos distraídos, é?Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 15 de Novembro de 2004 às 18:22
A correcção está feita.
E o pedido de desculpa pela distração também.Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 14 de Novembro de 2004 às 14:35
Com uma ligeira alteração ao comentário de António Dias.
Retomei o contacto com a memória do tempo e recordei-me que Yitzak Rabin foi Prémio Nobel da Paz em 1994. Isto quer dizer alguma coisa, não? Ou quem o nomeou também é suspeito?
vitor josé
(http://lagrima.blogs.sapo.pt)
(mailto:vitorjose@cnb.pt)
De Anónimo a 13 de Novembro de 2004 às 14:40
Retomei o contacto com a memória do tempo e recordei-me que Yasser Arafat foi Prémio Nobel da Paz em 1994. Isto quer dizer alguma coisa, não? Ou quem o nomeou também é suspeito?Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 11 de Novembro de 2004 às 18:09
Bolas! A gralha insiste, maldita "ave". "...la~e" Nada disso. Eis o correcto: "...lê". Sorry but...Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 11 de Novembro de 2004 às 18:09
Obviamente que não concordo com o terrorismo. Arafat por vezes pode ter sido um pouco condescendente com algumas atitudes extremistas, mas também acho que muitas das vezes foi ultrapassado pelos acontecimentos. O que mais sinto na perda de Arafat tem a ver com o carisma e os ideais dele. Imaginas-te a viver num país eternamente saqueado e oprimido? Mas que condições têm aquelas pessoas para viver? Quantos já nasceram em campos de refugiados? E cresceram? E morreram? E outros que continuam sempre lá, no mesmo sítio, com os mesmos ideais e desejos de algo que para nós é tão fácil e tão básico: a liberdade, mas que simplesmente não a conseguem ter? Arafat pode sim aproximar-se de Che porque ambos lutaram pela liberdade de um povo, porque ambos morreram por essa causa e isso sim torna-os mártires e símbolos dela!A dignidade e o respeito por um povo estão em causa e creio que os próximos líderes serão possivelmente "escolhidos" pelo Ocidente com uma mãozinha de Israel.Já não há lideres carismáticos (excepto talvez Xanana Gusmão). A globalização deste Mundo é assustadora. Somos quase todos obrigados a pensar o mesmo, a vestir o mesmo, a comer o mesmo. Viva a liberdade de pensamento, vivam as pessoas com ideais, vivam os corajosos e viva a Paz porque essa depende de todos nós!



margarida
</a>
(mailto:margaridacruz@saocarlos.pt)
De Anónimo a 11 de Novembro de 2004 às 18:07
Obviamente que onde se la~e "ambos" deve ler-se "os três". O meu pedido de desculpas. Ai esta idade...Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 11 de Novembro de 2004 às 18:05
Creio que não se pretende comparar figuras tão díspares. Arafat fez o seu papel durante muitos anos e a história julgará se bem ou mal. Che Guevara, figura ímpar do meu imaginário, referência de revolucionário, de uma revolução social que continua por realizar. Mahatma Ghandi, de uma grandeza espiritual fora do comum.
Ambos fazem parte da história que se deve acompanhar, ontem, hoje e amanhã. Sempre.
Para ficarmos mais ricos.Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)

Comentar post