Quarta-feira, 24 de Novembro de 2004

Terramoto politico II

Contava aproveitar este inicio de semana para deixar transparecer alguns sentires e descobertas em Arouca, mas para meu espanto (confesso não entender como é que ainda me consigo espantar com este governo) sucedeu um pequeno terramoto na área da cultura com epicentro no gabinete da Ministra.
Afinal o que está errado nesta dança de cadeiras? Comecemos pelo aspecto da conjuntura. Existe alguma explicação aceitável para as duas exonerações no CCB? Existindo estas exonerações não deveriam ter sido três? Publicamente uma das senhoras aponta como causa directa de ter sido “posta na rua” a sua oposição ao avanço de um projecto sem capacidade financeira de realização. Compreende a ministra a gravidade desta acusação, compreende a necessidade de prestar explicações razoáveis? Entende-se daqui que quem considerar que não existindo dinheiro não se deve realizar projectos, não serve para este governo? A pergunta torna-se mais profícua quando se estende ao TNSC e a CNB. Ora para resolver o drama do CCB a Ministra expôs a sua fraqueza política, incapaz de captar pessoas para estas funções, acabou por se ver reduzida e induzida a optar por uma bizarra dança de cadeiras. Independente da avaliação das direcções em causa a única forma de resolver o “drama CCB” foi desintegrar 4 direcções, é obra e por acaso a melhor marca da sua cultural governação.
Afinal o que está errado nesta dança de cadeiras? Seguindo pelos princípios. As indigitações para estas funções trazem uma inerente concordância com o projecto político do governo. A composição de uma direcção tem como base um equilíbrio entre as capacidades dos directores para três áreas essenciais, a artística e patrimonial, a área de pessoal e a área financeira. Ora a Ministra só deve quebrar equipas directivas quando existe uma incapacidade de realização do projecto em causa. O golpe agora aplicado fragiliza especialmente a “res publica” pela ligeireza demonstrada e ausência de sentido de estado.
É evidente que não existe nenhum projecto político para a cultura. Existe apenas um projecto de sobrevivência no poder. É evidente que as direcções são vezes demais constituídas com o refugo da ocasião. É evidente que muitas vezes mantém-se uma paz podre no seio das direcções tudo isso é evidente mas que querem que faça? Não me adapto a isto. Talvez como consolo me lembre de Gandhi
“O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo facto de ninguém a ver”

PS: Voltarei a Arouca quando este sentir de fragilidade derivado da impotência perante o disparate amainar.

publicado por vitorcandidojose às 08:51
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Anónimo a 24 de Novembro de 2004 às 18:32
Governação minesterial? Ai ai ai!!! Ministerial é que é.
Mas por que razão me preocupo com estes pormenores se há por aí muita gentinha formada que nem sequer sabe escrever???
Ai este meu mau feitio.Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 24 de Novembro de 2004 às 18:30
Parece-me evidente que este (des)governo nivela, por baixo, as suas iniciativas, sejam elas quais forem.
Faz uma remodelação minesterial sem tocar em ministros. Atira com areia para os olhos do povinho votante (eu não, chiça!!!) fazendo dançar algumas "cadeiras" do poder. Mas por baixo. Secretários e "coisas" assim. Continuamos o nivelamento por baixo.
Pedro Lopes, mais conhecido por Santana, actua já em desespero de causa. Promessas mais ou menos apetitosas, só para daqui a 3, 4 anos(quem vier atrás que feche a porta).
Tem a pior equipa que algum governo português teve. E já os perdemos de conta.
Goza com os trabalhadores tornando-os cada vez mais coisas e/ou números.
E ia por aqui fora, mas não me apetece.
Tenhamos coração. Forte, de preferência, para aguentar esta governação miserável e desacreditada.
Ou haverá alguém que ainda acredite nisto? Ele há gostos para tudo, e "tachos" também. Boys with jobs? À brava. Ahn? O que é que eu disse?
Tomem os medicamentos e agasalhem-se. O frio aperta e o Natal é já daqui a um bocadinho.Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)

Comentar post