Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

E que tal fazer a distinção entre leis com pés e cabeça de aberrações jurídicas

 

 

 

Referindo-se às críticas ao novo código do processo penal, em vigor desde 15 de Setembro, feitas pelo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e pelas magistradas Maria José Morgado e Cândida Almeida, Alberto Costa considerou ser necessário “distinguir entre a responsabilidade de fazer leis e de as executar”.

 

Não se discute o comportamento corporativo, ele existe e prejudica. O que não se espera é que um Ministro venha para a praça pública com argumentos de mesa de café tentar rebater as criticas expostas ao código de processo penal por aqueles que trabalham todos os dias com e na justiça.
publicado por vitorcandidojose às 19:06
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Com a devida vénia (autor Pedro Rolo Duarte)

Desconfiar

 

"O Governo mudou de ideias e o aeroporto é em Alcochete. Nicolas Sarkozy decidiu assumir o romance “escaldante” com a deslumbrante Carla Bruny. O Processo Casa Pia continua sem culpados, sem inocentes, num deserto completo de adjectivos e qualificações.

Acompanho e sigo o mundo que me rodeia. Sempre o fiz – e para mim, acordar foi, ao longo dos anos, sinónimo de correr atrás do mundo que mudava enquanto dormia. Até que dei comigo a dormitar um pouco mais e percebi que o mundo era o mesmo, quer estivesse na banca dos jornais às 9:00 ou ao meio-dia. Pior: chegando mais tarde, “ganhava” algumas horas sem saber histórias e casos que, lentamente, me mudaram o olhar...

Assim chego ao dia de hoje. A qualidade maior que a idade me trouxe foi, afinal, um defeito. Tornei-me desconfiado. Pior: deixei de confiar.

Até acho, do alto da minha ignorância, que Alcochete deve ser melhor do que a Ota – mas desconfio da mudança. Da facilidade na mudança. E especialmente do sempre sincero Ministro que defendia uma solução e de um dia para o outro muda tudo mantendo o mesmo perfeito sorriso, algures entre a ingenuidade e o alheamento.

Gosto da Bruny – até quando canta... – e aprecio parte do estilo Sarkozy. Mas lá está: desconfio do casal, não percebo o mediatismo, por um lado, e o jogo do gato e do rato, por outro.

E podia seguir por aí fora: o Processo Casa Pia prossegue sem conclusões... Desconfio, duvido, penso nas segundas intenções. Procuro fugir, em geral, à “teoria da conspiração” – mas nem por isso me entrego de corpo e alma ao primeiro piscar de olhos que vem do outro lado da pista de dança.

Pois: o passar dos anos substituiu-me, no código genético, ingenuidade e fé por descrença e desconfiança. Não é com alegria que o digo. É muito melhor acreditar. A ingenuidade tem um sabor doce e delicado. A desconfiança é amarga. Eu preferia o “antes”.

Os mais velhos dizem que cheguei à maturidade.

Eu digo, como a minha mãe, que cheguei onde “o diabo deu três gritos”. Demasiado longe para a minha vontade. Demasiado cedo para o que ainda quero viver."


publicado por vitorcandidojose às 13:38
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Com o devido Mérito - Marques Mendes -

  

 

        Marquês Mendes venceu hoje uma batalha política e deixou - se necessário fosse - bem justificada a sua passagem pela liderança do PSD. Para quem tenha memória curta, a OTA era um dado adquirido do PSD ao PS. Foi Marques Mendes que trouxe para o debate público a localização do novo aeroporto e pugnou politicamente por uma solução diferente da que avizinhava. Isto é um facto não é uma opinião.

 

publicado por vitorcandidojose às 19:51
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Com o devido Mérito - Pedro Tamem -

 

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas
.

 

 

publicado por vitorcandidojose às 14:20
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Para o caminho...

 

Para o caminho, fica hoje uma escolha do nobre e querido Professor Adriano Moreira :

 

Caro director:

Sou um sobrevivente de um campo de concentração.

Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos

deveriam poder ver.

Câmaras de gás construídas por engenheiros douturados:

Adolescentes envenenados por fisicos eruditos;

Crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas;

Mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados.

 

Por isso desconfio da educação.

 

Eis o meu apelo: ajudem os vossos alunos a serem

humanos. Que os vossos esforços nunca produzam

monstros instruidos, psicopatas competentes,

Eichmanns educados.

 

A leitura, a escrita, a aritemética só são importantes se

tornarem as nossas crianças mais humanas

publicado por vitorcandidojose às 19:35
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008

Hoje sinto-me assim

publicado por vitorcandidojose às 14:24
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Para o caminho...

 

"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

                                                                              Helena Vaz da Silva

publicado por vitorcandidojose às 13:36
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Com a devida vénia (texto de Suzana Toscano)

Keep out!

 

"O Ano Novo tem destas coisas, aguilhoa-nos a consciência com esta aparência de novinho em folha e, de certa maneira, ajuda-nos a ver as coisas com outro olhar, talvez menos rancoroso, talvez mais disposto a desdramatizar as contrariedades. Por isso vou escrever o que se calhar nunca chegaria sequer a pensar, se não fosse esta época de alma limpa e boas vontades. E vou escrever que eu, fumadora moderada mas persistente há muitos anos, não posso, em boa razão, criticar a lei do tabaco.
Claro que me contraria, detesto que me dêem ordens ou me imponham restrições quando eu me considero mais do que habilitada a gerir os meus comportamentos de forma razoável. Claro que vivia muito melhor e me sentiria individualmente mais livre sem esta floresta de tabuletas com o sinal proibido e eu, pobre fumadora, a sentir-me expulsa dos “meus” locais favoritos, Keep out!, como se faz aos indesejáveis.
Mas a necessidade de me adaptar às novas circunstâncias fez-me mudar alguns hábitos e foi assim que reparei que, afinal, antes também vivia com outras tantas limitações, com a diferença que resultavam da minha opção pessoal, determinadas em função do meu conforto ou do meu julgamento das conveniências mas, ainda assim, eram limites ao prazer de fumar um cigarrinho quando me apetecia.
A saber, nunca fumei na rua porque me ensinaram em criança que era uma falta de educação grave. Raramente fumava em casa, primeiro porque as crianças eram pequenas, depois porque elas não gostavam, finalmente porque decidi que deixava o maço no carro ao fim do dia. Há muito tempo que não levo cigarros para reuniões, mesmo as mais prolongadas. No avião nem me lembro dos cigarros. Nunca fumava no carro, meu ou dos outros, porque não gosto do cheiro que se entranha, porque tenho medo de queimar a roupa ou de me distrair a guiar. E há muito tempo que, se vou com alguém que não fuma, também me inibo de fumar no café restaurante. Além disso, há poucos anos, parei de fumar durante um ano porque tive um problema de saúde que desaconselhava em absoluto a absorção do fumo.
Tudo isto para me lembrar que já havia muito espaço condicionado à minha qualidade de fumadora, só que eram limites que eu própria decidia, por conveniência pessoal, podemos bem resumir assim, dependendo exclusivamente do meu interesse ou vontade. Agora, trata-se de aceitar que o critério da conveniência e conforto dos outros também faz todo o sentido, sendo certo que não se sobreporia ao meu gosto pelo cigarro se não me fosse imposto, tenho que reconhecer, há coisas que só mudam mesmo à força, os egoísmos pessoais por excelência. É uma grande maçada? Sem dúvida, até porque agora só posso fumar na rua, na minha casa, no meu carro, tudo o que não fazia antes porque não queria, tenho que pensar como é que vou resolver este conflito…O mais certo é ir deixando de fumar, até porque não quero pagar o imposto que aumenta mais uma vez, sempre é uma forma de me vingar das proibições. Keep out!"

 

publicado por vitorcandidojose às 11:29
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