Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005

Contingências...

Este espaço vai sendo feito consoante o Tempo do seu autor, tempo esse que nem sempre se inscreve na vertiginosa velocidade jornalística, tão avassaladora que em regra passa pelas coisas sem delas deter o essencial. Enfim as coisas são o que são e isto não é conformismo é talvez consequência da falta de chuva que me seja permitido esta metáfora de certas contingências.


António pode ser um desafio que convida a olhar para dentro de nós partindo de uma vivência ou de um sentir, o importante é deixar as palavras respirarem como este comentário do Luis Sequeira.


 Há dias, horas, minutos em que somos tomados pela vertigem do absurdo. Construimos os sonhos, os mais improváveis, deixamo-nos estar nesse remanso doce da realidade criada (recriada) à luz das nossas ilusões. As mais das vezes acordamos, regressamos ao pragmatismo dos dias, mas há aqueles instantes em que nos deixamos vagar nesse mundo nosso, instantes que queremos e cremos serem verdadeiros. São talvez dos mais profundos e extraordinários, são também raros. Escondemo-nos atrás das máscaras que criamos, vamos controlando o sonhador que há em nós, mas ainda assim lá lhe damos rédea solta de quando em vez, quanto mais não seja para sentirmos que estamos vivos. Acontece (quero acreditar que acontece) por vezes termos na correnteza dos dias, a materialização de um sonho, a força de uma vontade, a justeza de uma crença, a riqueza de um valor, assim, de súbito, transformados em realidade. Eis, pois, o momento fundador para se reiniciar o ciclo! P.S. Texto gongórico, mas na luta contra esse ditador dos nossos dias - o tempo - fica sempre apenas um fio de lucidez.

publicado por vitorcandidojose às 09:05
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Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2005

Deixando a política...

Partilhei há dias com o António este sentir, hoje decidi estende-lo a quem por aqui passa...
Há dias nas nossas vida em que tudo se perfilha de um sentido. É aquele tempo em que a realidade se cruza e se conjuga com os nossos sentires mais profundos.
publicado por vitorcandidojose às 00:48
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2005

Notas de noite eleitoral

Jeronimo de Sousa O novo líder comunista fez um discurso de quem imaginou que uma maioria relativa do PS deixava no colo do Partido Comunista um quinhão do poder nem que fosse na figura de um acordo de incidência parlamentar, a maioria absoluta fez essa esperança morrer. O partido Comunista esperava vir a ser o CDS da esquerda portuguesa.


 Paulo Portas A sua energia e a sua determinação estiveram arredadas da sua postura política durante anos, foram preteridas em favor de uma encenação de um homem de estado e de um paladino da direita portuguesa. Hoje essa energia e determinação regressaram neste discurso de demissão. Aquele “estou-me nas tintas” foi uma catarse de um homem que esta noite viu terminar um ciclo político e soube agir com honra, alterando a sua contingência em favor de uma liberdade intelectual que em larga medida pareceu sempre amordaçada. 


Sócrates Não é um homem de consensos, é alguém que escolhe um caminho e que enfrenta os obstáculos, a questão é saber se ele está apto a tomar as decisões acertadas. A definição das pessoas que vão constituir o governo é um momento chave quer para aferir a qualidade quer para aferir até que ponto algumas fracas figuras que insistem em pendurar-se no líder ficam de fora do elenco governativo.


Santana Lopes A declaração de Santana Lopes é a abertura de uma guerra dentro do PSD. A gasta estratégia da vitimização acompanhada pelo acantonamento seu e dos seus, visa a todo custo mante-lo no poder e esse custo será necessariamente o partido e a candidatura do professor Cavaco Silva. Contra tudo o que penso desta figura escrevi no Sábado que esperava lucidez foi uma ingenuidade de quem deixou a necessidade falar mais alto que a realidade.

publicado por vitorcandidojose às 09:06
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2005

Espera-se...

Temperança na vitoria e lucidez na derrota

publicado por vitorcandidojose às 15:14
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2005

Nada de novo...

O Director do Teatro Nacional São Carlos teve um golpe de asa ao expor dias antes das eleições o ridículo orçamento perante a temporada que foi anunciada. Esta atitude tendo presente a derrota eleitoral do PSD é um brinde para o PS que provavelmente será retribuído com o devido acréscimo financeiro e com a devida permanência da direcção. Recupero um texto datado de 1 de Novembro sobre uma realidade de todo previsível que apenas o comodismo e a ausência de contacto com a realidade tornaram possíveis.

Equívocos culturais

Há uma vacuidade de orientações governamentais no que se refere a área dos T.N. ( teatros nacionais ) que não sendo em si novidade é substancialmente agravada pela redução do financiamento apresentado no relatório do Orçamento de Estado para 2005. 600 mil contos, para três Teatros Nacionais, pretendendo com essa verba cobrir um leque tão vasto de áreas que vão desde, a garantia de espectáculos líricos e sinfónicos, obras de beneficiação, passando pela divulgação e informatização dos serviços ou muito me engano ou alguém vai ter que ter o dom de Midas para transformar dividas em activos. (...)

No São Carlos 200 mil contos para orçamentar uma temporada lírica não são um lirismo mas um dislate. Para o lado da Praça de São Carlos a situação é inevitavelmente grave, empurrando o teatro para uma letargia que se esconde em obras de café.(...)

Todas as apresentações de temporadas vão sendo adiadas, sine die, por forma a permitir que as direcções consigam da tutela a atribuição de mais meios financeiros, retirados ou do PIDDAC ou de outra parcela orçamental. O relatório do Orçamento de Estado enquadra-se com as expectativas para este sector da cultura portuguesa que essencialmente não são nenhumas.

publicado por vitorcandidojose às 18:45
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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2005

Para o caminho...

Não se evoque virtudes para defender atitudes, quando estas são piores do que aquelas que se pretende punir.
publicado por vitorcandidojose às 08:56
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Notas breves do debate...

Imagino a bonomia do professor Cavaco Silva, quando como hoje ouve o líder socialista afirmar que “a maioria absoluta é boa” ...

Ouvir o líder do partido mais à direita, afirmar que aquilo que os pais querem da escola é que ela ofereça emprego aos filhos e para isso ele defende uma classificação de empregabilidade. Pode até adequar-se aos actuais desejos de muitos país, mas não entendo que um líder político possa confundir a escola com um centro de emprego com cursos de formação profissional. Será um exemplo da denominada campanha pelos Valores que o PP protagoniza?

Sobre Sócrates, “por amor de Deus”, cansa a evocação, o homem até é de esquerda – embora a esquerda desde Guterres já não seja o que era –

Louça tinha que marcar os telejornais de hoje. É disso que o Bloco se alimenta, Não é surpresa como também não surpresa a forma como Santana Lopes se colocou a “jeito” , depois de comprovar a legalidade a única explicação política que deu é, ter copiado o PS.

Independente da atitude do Bloco de Esquerda, este debate deu um “tom” positivo a campanha, não por ter sido um estimulante debate de ideais ou de convicções mas pelo facto de ter corrido quase sempre com elevação.

Enfim num debate em que aquilo que convoca para a simpatia não foram as ideias políticas mas um líder rouco.



publicado por vitorcandidojose às 08:56
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005

Como vai ser a próxima Segunda

facas.jpg

Quem vai começar a fazer uso político destes objectos na próxima Segunda ?
O PS para repartir o Poder? Ou o PSD para ter um novo líder? Provavelmente ambos


publicado por vitorcandidojose às 09:55
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005

Em quem eu voto até as paredes confesso...

O artigo que o professor Freitas do Amaral escreveu para a Visão foi reduzido a uma declaração de voto, assim foi o propósito do próprio e assim ditou a modorra da “agenda política”. Sem que se trate de debater a legitimidade deste deslizamento no espectro político, ficam algumas passagens da argumentação do ex-lider do CDS, como sejam :
“... Para quem saiba e queira pensar em termos nacionais, o voto só pode ser, portanto, no PS ou no PSD...”
“... E vou mais longe: acho indispensável que ao PS seja concedido uma maioria absoluta...”
“... (sem maioria) É como obrigássemos um amigo nosso a resolver os principais problemas da sua vida por negociação e acordo com os seus três maiores inimigos! Que seria?
“Querer que o PS governe bem, mas não lhe dar a maioria absoluta, é o mesmo que contratar um grande piloto de Formula 1, dizendo-lhe: encarrego-te de ganhar o grande prémio do Mónaco, mas não te posso dar um Ferrari: terás de concorrer ao volante de um Volkswagen... É absurdo “
Freitas do Amaral quer de forma calculista colocar-se na linha da frente de uma candidatura de esquerda, perdão de uma candidatura abrangente para a Presidência da Republica, era desnecessário o incomodo de redigir uma peça político tão ...(a)vassaladora.

publicado por vitorcandidojose às 09:49
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2005

Fora da agenda...

É sintomático que a melhoria da Função Publica tenha sempre como bandeira a redução de pessoal. Nunca surge para debate, estratégias para reorganizar o enquadramento jurídico, o enquadramento institucional, a forma hierárquica de funcionamento e raramente se debate a diminuição dos procedimentos. Não se deixa de constatar que de forma frequente a Função Publica sofre de uma autofagia, teimando em existir não para cumprir uma missão mas apenas para se perpetuar, mas tal não é resolvido com uma política de redução de pessoal sem que essa surja em consequência de uma restruturação global. Optando pela simples redução de efectivos só se pode na melhor das hipóteses almejar ao estatuto de uma política paliativa que as próprias estruturas se vão encarregar de contornar de forma mais ou menos camuflada através do aumento da precariedade do vinculo laboral ou na aquisição de serviços de “outsourcing”.
É provável que esta proposta se torne mais um choque como também é provável que seja um choque apenas no papel. Estas ideias de “choque” estimuladas por Durão Barroso no que concerne ao domínio fiscal, repescada agora para a Tecnologia e para a Gestão parecem condenar a política portuguesa a uma óbvia sinistralidade. Com tanto choque, sempre se podia propor um choque político, começando pelos intervenientes políticos, talvez assim se conseguisse “chegar ao cérebro” e compreender que não se começa pelo fim e se alguém imagina que a diminuição de pessoal conduz a soluções de racionalização dentro do poder instituído só pode ser fruto de um delírio e que tal mais que um sinal de fraqueza é um sinal de impotência.
publicado por vitorcandidojose às 09:07
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2005

Debate

"...A não inscrição continua hoje, o que acontece, no nosso país, é sem consequência. Nada tem efeitos reais, transformadores, inovadores, que tragam intensidade à nossa vida colectiva..." José Gil
publicado por vitorcandidojose às 08:49
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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2005

Breves...

Moçambique

A transição democrática em Moçambique, moldada pela atitude de estado de Chissano é um excelente exemplo para trazer a coacção um outro país com estreitos laços com Portugal, trata-se de Angola. Este país africano é naturalmente mais rico que Moçambique mas em termos de civilização mais pobre.


O último para a viagem...

O último cartaz do PSD apresenta figuras conhecidas do PS ( Edite Estrela, Fernando Gomes e companhia ) lançando uma pergunta, “quer que eles voltem ?”

Não. Não quero que eles voltem, mas acima de tudo não quero que você fique.


publicado por vitorcandidojose às 09:08
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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2005

Breves...

“Eu sou amigo, mas não muito amigo de Sócrates” 


 É recorrente aproveitar este espaço para falar da falência do quadro de valores. A frase acima mencionada que foi proferida ontem pelo ainda Primeiro-Ministro Português, era mais uma oportunidade para enquadrar nessa falência, quer como exemplo, quer como demonstrativo da dimensão e da gravidade desse desmoronar, no entanto –talvez por cansaço- prefiro apenas lembrar para quem aprecie ou no caso tenha dificuldade no entendimento e na profundidade da Amizade que Aristóteles num pequeno livro denominado “ A Ética a Nicómaco” , dedica ao tema uma das peças mais intensas e belas da erudição sobre a Amizade, da qual cito :


“...Amizade é quando o tempo não apaga, a distancia não separa e cujo silêncio não destroi. Porque nem sempre a distancia significa ausência, nem o silêncio esquecimento!...”


 


“Eles querem-me condicionar estou farto disto” Santana Lopes


 Também muitos de nós estamos e por acaso nem o elegemos, mas não se preocupe é um lapso de tempo aquele que decorre até dia 20 de Fevereiro ( embora não seja um utilizador da esperança, tenho direito a ela! ).

publicado por vitorcandidojose às 10:50
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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2005

Encenações...

O cartaz do PSD com Sócrates resume o seu objectivo na primeira frase. Há uma absurda necessidade de mostrar que Santana é mais popular que Sócrates, como se nestas eleições fossemos escolher o político mais popular optando por uma das fila numa barraquinha de beijos de qualquer quermesse. A campanha deste homem é pessoal e não política, é por isso que Santana anseia pelos debates não para o debate de ideias mas apenas para uma encenação e insinuações.
publicado por vitorcandidojose às 09:06
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