Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2005

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A nossa tragédia

Santana Lopes tem uma necessidade extremada de protagonismo mediatico e do proveito que advém do mesmo. Se a necessidade é privada o proveito é publico e permite-lhe continuar na ribalta política. Numa época de vulgarização - muito em consequência da supressão de um quadros de valores - a fama tornou-se a chave mestra da sociedade. Independente do percurso, o barómetro da fama catapulta para o patamar do divino qualquer vulgaridade. Ele sabe que essa manutenção depende da presença constante e esta da gestão das emoções que se encenam. Santana veste amiúde o papel de vitima, donde pontualmente aproveita para arremessar insinuações torpes, posto isso e ainda no mesmo papel, brande em tom alto que não entra em ataques pessoais tão mais inconsequentes quanto estes são proferidos neste contextos, mas não é a incongruência ou o conteúdo torpe das palavras que é retido pelo publico, é a forma como estas são proferidas e nessa área, quando no papel de vitima ele apela a compaixão, no ataque ele veste a pele do corajoso. Pode parecer evidente esta encenação e até de baixo nível, mas a plateia está cheia.


publicado por vitorcandidojose às 09:15
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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005

Auschwitz / Birkenau

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"Por serem fieis a um deus a um pensamento


a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas


 à fome irrespondível que lhes roía as entranhas


 foram estripados, esfolados, queimados, gaseados


 e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido "


 


 Auschwitz corre o risco de uma mitificação que não nega a veracidade do que se passou mas tenta impor a mentira da impossibilidade de se repetir. Os alemães empurrados pela vergonha, pela pobreza e pela sede de vingança, afundaram-se na mão de um louco, rodeado por um séquito tão sedento de poder como o dono. Numa espiral em que tudo se tornou possível, apoiaram-se em homens e mulheres alemãs que mais do que obrigados, tornaram-se participantes activos em especial nestes campos de concentração onde guardavam, humilhavam, torturavam e executavam um plano de matança que faziam acompanhar por uma polidez numa mescla de civilização e barbárie, expondo uma falta de caracter e a mais profunda falta de humanidade. Esta espiral da ignominia é ainda hoje ferida viva na Alemanha, não é fácil ter como identidade um povo que é responsável por um dos capítulos mais humilhantes da história. Em Auschiwitz 1 há uma zona que expressa a dimensão desta polida barbárie, um primeiro pavilhão onde as SS realizavam interrogatórios, funcionando também um tribunal sumário e onde se realizou os primeiros testes com gás, tentando encontrar uma forma eficaz de matar o maior numero de Judeus. No pavilhão da esquerda Mengele executava as mais aberrantes experiências em corpos humanos. No pátio que separa os dois pavilhões fuzilava-se judeus. Auschiiwtz , Birkenau como outros campos foram uma industria de morte imaginada por um louco e executada por gente vulgar.

publicado por vitorcandidojose às 09:16
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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005

Bloco de Esquerda II

Na área da cultura o Manifesto eleitoral do Bloco de Esquerda fala de “alargar horizontes”, mas o que se nota é um grito de queremos dinheiro sustentado por um rol de chavões e a manutenção clara do statu quo. Continuam a confundir a procura de uma gestão exigente dos recursos com uma mercantilização dos mesmos. Insiste-se de forma redutora a confinar o sucesso cultural ao “popularacho”. Como será que digerem o sucesso do museu de Serralves? Mal, tão mal que o Museu de Serralves nem merece uma linha, como nenhum museu, nem mesmo o museu Contemporâneo do Chiado. Não há uma orientação para lá de mais dinheiro e de uma pretensa agilização dos departamentos educativos, se algum conhecimento houvesse, sabiam que na esmagadora maioria dos casos esses departamentos são fantasmas culturais. No panorama da musica, além de dinheiro - baixar o IVA para 5% - não há mais nada, nem uma orientação sobre a Orquestra Sinfónica, sobre as Orquestras Regionais, sobre a Orquestra Nacional do Porto. Nem a Casa da Musica que vai ser inaugurada no próximo governo e que terá um papel angular no panorama cultural português tem uma estratégia. Nem a bandeira cultural da esquerda em 95 tem uma linha, nada sobre o Côa, nada sobre arqueologia.
Além fronteiras há umas vagas considerações, “colocar os criadores nas plataformas culturais”. Nem uma política para as comunidades de expressão oficial portuguesa, nem uma palavra sobre o Instituto Camões, quistos antigos... Para os Teatros Nacionais, mais dinheiro. para o Bloco são “laboratórios exemplares de criação” pois são, mas também são como em qualquer país civilizado, instituições de defesa, promoção e transmissão de património adquirido. As bibliotecas são segundo o Bloco “o acesso a memória”. Não, por mais lato que se entenda a “memória” as bibliotecas não são um espaço de nostálgicas recordações empíricas, são um espaço dinâmico de transmissão de vivências, saberes e de debate.
Em consequência do mais dinheiro, temos o hipnotizante desejo do 1 % do Orçamento de Estado cativo para a cultura, desejo alojado em todos os programas eleitorais, um simples “copy past” de alguns países europeus. Pode vir a estar correcto, mas é fundamental ter presente uma natural contenção financeira em Portugal ( independente da pouca expressividade no total do OE desse 1% ), bem como o natural aumento das expectativas das pessoas e na falta do toque de Midas, a eficácia na gestão é o caminho, na realidade deve ser sempre o caminho mas em tempos de vacas gordas funciona a historia da cigarra. Este manifesto pode pretender dinamizar a criação mas não projecta um método, ignora constantemente o papel da valorização do património, relega para o vazio político bandeiras culturais da esquerda e elementos centrais de uma política cultural. Este é um programa que se encontra num futuro incerto, visa vir a “desenhar”, vir a “encontrar”, vir a “definir”, está repleto de intenções e vazio de linhas programáticas. Mais do que divergir de ideias é confrangedor assistir a iniquidade do que neste capitulo o Bloco de Esquerda “desenha”.

PS : Espero que o Dr. Mário Soares encontre outras formas de exercer a sua magistratura de influência socialista do que elogiar um programa bafiento.



publicado por vitorcandidojose às 09:11
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2005

Bloco de Esquerda I

No famoso programa “simples, bem escrito, inteligente e interessante”
Onde eles defendem educação para a sexualidade, preferia ler educação para a cidadania
publicado por vitorcandidojose às 17:09
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Ingrid II ( porque há silêncios que matam )

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Há neste olhar uma força sem dureza, uma coragem sem violência. Esta mulher foi estropiada da sua família e da sua luta que persistentemente conduz na Colômbia. Uma guerrilha denominada FARC raptou-a há 37 meses. Sequestrada por homens que se auto denominam libertadores do povo, tomaram de forma vil e cobarde o símbolo da esperança colombiana.
Ingrid Bettencourt disse do seu pais aquilo que os políticos só arriscam dizer em voz sumiça, disse-o e repito-o em inúmeros encontros com o seu povo, criou um partido político denominado "Oxigeno", afirmou-o enquanto Senadora e fez disso manifesto político da sua candidatura a Presidente da Republica. E o disso que falo e que cobardemente é comodamente ignorado pelos governos dos países ditos civilizados é a mordaça que aprisiona a Liberdade de um pais enlameado de droga, de corruptos, ensanguentado por raptos, assassínios selectivos, massacres numa espiral que tem a jusante uma guerra que conduziu já ao degredo da vida duas gerações de Colombianos.
Não há nesta guerrilha de assumido pendor de esquerda, uma estratégia que justifique este rapto, há uma exclusiva razão plausível para manter Ingrid Betancourt em cativeiro há 37 meses, essa razão prende-se com um facto cru, o de estar a referir-me, a energúmenos. Ingrid não preconiza somente o combate à droga e dos sujos interesses associados, preconiza o que de mais nobilíssimo existe numa vida, a luta pela libertação de um povo. Consome-me a complacência dos políticos dos países civilizados, expressa num silêncio ou em escusas de circunstância. É obsceno o relacionamento da cultura Ocidental com a Colômbia, assenta essencialmente numa parcela substancial dos 400 a 500 biliões de dólares provenientes do comercio da droga e nos interesses pela exploração petrolífera é especialmente por estes motivos que os civilizados sujam as mãos. É por estas razões de Estado que ignoram as ameaças, as tentativas de atentado e o cativeiro desta mulher que ergueu um partido, tornou-se na senadora mais votada da Colômbia e é a esperança viva de um povo e de todos aqueles que suprindo a distância física sentem a ignominia Colombiana e acreditam no direito inalienável a vida e perfilham um ideal de ética.


publicado por vitorcandidojose às 09:37
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Dignidade

Não tenho da Dignidade uma interpretação que seja um fim à atingir, mas antes um princípio que permite a sua evolução.
O principio nobre da dignidade é aquele que não obstante as desigualdades de facto ou de talento que são inúmeras, assume cada homem como singular, sendo a Vida e a Liberdade a expressão mais profunda e efectiva dessa dignidade, é neles que respira o projecto de vida e a responsabilidade pessoal pelo mesmo A dignidade trata-se de um direito natural e não de um valor jurídico, sendo função do social manter essa garantia e promover o aumento e a elevação da dignidade humana explicito na qualidade das áreas como o sustento, a educação, a justiça, a saúde e a cultura.
800 anos depois da nossa fundação enquanto nação ainda discutimos estes bens em termos de garanti-los mais do que em termos de qualidade, debate prosaicamente embrulhado numa palavra cruel os “Acessos”. O acesso a educação, o acesso a saúde, o acesso a justiça. Este subjugar acaba inevitavelmente por me lembrar que “triste época que suprime as grandes palavras para não ver a sua pequenez” .

publicado por vitorcandidojose às 01:04
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005

Ser impossivel?

Projectamos no futuro imagens de uma realidade pretendida, desejos... Num formato semelhante projectamos sobre o passado uma aura de ficção. Enfim continuamos não só a fazer do ser humano a impossibilidade de chegar mas ainda o incutimos do fracasso de já em tempos ter chegado.
publicado por vitorcandidojose às 01:32
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2005

Dignidade

Francisco Louçã a Paulo Portas -- "não me fale de vida, não tem direito a falar de vida (...) o senhor não sabe o que é gerar uma vida. Não tem a mínima ideia do que isso é. Eu tenho uma filha. Sei o que é o sorriso de uma criança. Sei o que é gerar uma vida"
Na conjuntura política que se perfila no horizonte o tema do aborto vai voltar para o centro do debate político. O tema é fracturante, por habito o debate resvala para uma argumentação torpe. Curiosamente as facções tendem a classificar-se mutuamente de subdesenvolvidas. Francisco Louça apenas sublinhou o que nós espera, tendo o condão de usar uma argumentação repugnante e permitindo antever o pior.
Se não houver dignidade nos termos do debate não haverá dignidade nas posições.
publicado por vitorcandidojose às 01:21
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Expresso

Mera constatação, a primeira pagina do Expresso sempre conviveu com a intriga política e com a função de veiculo de teste e de mensagens dos protagonistas políticos, em bom rigor nisto não há novidade mas nos últimos tempos essa vertente não só se tornou mais intensa como se tornou mais vulgar. Nas paginas seguintes de política o Expresso não sai muito melhor na fotografia, artigos de opinião disfarçados de noticias em que para lá do redactor do texto a verdadeira assinatura é de “fontes próximas”. Há um caminho que é o de um jornal de referência e outro que é o de um jornal politico/alcoviteiro.
publicado por vitorcandidojose às 01:20
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2005

O Nome

Para o governo, a atitude da embaixada portuguesa na Tailândia durante esta tragédia foi positiva. Houve apenas alguma “falta de afectividade e relacionamento”.

O que é preciso para que se compreenda que esta tragédia é um momento que coloca todas as estruturas e objectivamente todas as pessoas à prova. Que este é um momento que marca a vida e de forma inerente a carreira profissional de todos os envolvidos. O embaixador tinha que estar. Além da sua acção, a sua atitude devia ser um exemplo para os colaboradores da embaixada, como também contribuir pessoal e formalmente no apoio que Portugal pudesse de alguma forma prestar desde a primeira hora. Mas continuamos enfeudados nas mentalidades corporativas e em quistos classistas que tornam o “Outro” repleto de variáveis passíveis das mais convenientes interpretações. A propagação do vírus “parecer” tem debilitado aquilo que todos e a sociedade devem cultivar, o Ser.

publicado por vitorcandidojose às 01:38
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2005

Florbela Espanca

Há em cada verso uma dor, uma revolta, até uma derrota, há desejo, paixão, amor, desprezo, angustia , solidão , paz, há tanto de tantos sentimentos que com mais ou menos frequência invadem o nosso espirito.
Esta é a historia de uma mulher que se encontrou com ela e não se encontrou com os outros, perdeu-se num prematuro Inverno da vida mas legou uma herança de uma beleza inaudita.
É de palavras com alma que se enche cada pagina da sua vida
Uma alma incompreendida, singularmente bela e revestida de tragédia
Sentir as palavras de Florbela Espanca é usufruir de uma dadiva.
publicado por vitorcandidojose às 08:59
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2005

Ingenuidades...

Balsemão, quando pensa ser possível um pacto de regime antes das eleições.
António Barreto, quando considera pertinente convidar os partidos políticos a definirem nos programas as suas opiniões sobre o sistema eleitoral.

Da impossibilidade de firmar um pacto de regime antes das eleições nada é preciso acrescentar. Da proposta de António Barreto, independente do brilhantismo da sua exposição da alternativa para o sistema eleitoral, surge-me uma pequena duvida na questão da inclusão das mesmas no programa de governo, alguém ingenuamente acredita que o programa de Governo é para cumprir? Contenha ele as mais brilhantes ideias que na mesma proporção tem contido a sua impossibilidade. Alias o programa do governo é um dos maiores exercícios de fustigação política para os seus autores, trata-se de um guião que os actores políticos deixam habitualmente na gaveta.
publicado por vitorcandidojose às 02:09
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Tempo de Não

Exausta fujo as arenas do puro intolerável

Os deuses da destruição sentaram-se ao meu lado

A cidade onde habito é rica de desastres

Embora exista a praia lisa que sonhei


Sophia

publicado por vitorcandidojose às 02:02
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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005

Camila Finm

Camila Finm, foi a vencedora do concurso Ford Supermodel of the Wolrd... Tem apenas 13 anos. Camila, segundo a crónica do Diário de Noticias de Domingo já não é nova nestas andanças, desde os onze anos que participa em desfiles. O exemplo de Camila é paradigmático da subjectividade dos valores, o que dito de outra forma, da hipocrisia reinante. Imagino que os conceitos de trabalho infantil se possam aplicar no mundo fabril dos têxteis mas não no mundo febril da moda. Acresce à utilização laboral o abuso sexual que a crónica deixa implícita que adolescentes como a Camila sofrem nesse meio.
Surge-me uma questão. Que sociedade é esta que projecta numa rapariga no inicio da sua adolescência o estereotipo da mulher perfeita? Isto não tem nada com conceitos de beleza, isto é demência.
Se nestas linha alguém julga encontrar uma dose de puritanismo ou algo do género, utilize um simples método, olhe para os Outros como se fossem pessoas que nos são próximas e pelas quais nos unem afectos. Agora imagine que a Camila é sua filha.

publicado por vitorcandidojose às 01:46
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2005

Preocupado?

Tenho estima e apreço por Durão Barroso desde o tempo em que foi Secretário de Estado no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Defendi que na altura da natural saída do Professor Cavaco Silva ele era a melhor opção para dar continuidade ao projecto do PSD, juntando as suas qualidades, o percurso longe de manobras de corredores. Foram precisos mais alguns congressos até que conquistou o PSD. Na oposição evidenciou uma paciência chinesa quer para com o “estado de graça” do governo quer para com o partido. Após a fuga Guterrista venceu as eleições e assumiu o país numa coligação com o PP. Encontrou uma ressaca financeira consequência da dupla Guterres e Pina Moura. Assumiu desafios errou em algumas matérias mas não perdeu nunca o sentido de Estado. Nos últimos tempos dei por mim a vê-lo cansado e com aquele sorriso forçado, a Comissão Europeia foi uma lufada de ar fresco.

Tudo isto não impede que não entenda o raciocínio que teve quando foi convidado para se propor à investidura como Presidente da Comissão Europeia. Não discuto ter aceite o cargo mas o que deixou no país. Indo directo ao assunto porque razão não optou pela escolha natural que era a numero dois do governo? Ferreira Leite dava a garantia do projecto político continuar, é alguém que reúne um capital de firmeza, justiça, convicção, competência e credibilidade.

Provavelmente intoxicado pela lógica partidária, acabou por optar pela falta de credibilidade, pela instabilidade, pela incapacidade e pela derrocada do projecto político que tinha dado a vitória ao PSD. Imaginou que Santana era consensual no partido? Que seguiria o seu projecto? Que seria muito forte no domínio da imprensa? Terá se esquecido que o seu sucessor é alguém com um percurso no mínimo inconstante. Num período de austeridade a opção é por quem deixou a factura em cima da mesa na Figueira para que quem venha atrás feche a porta. Esqueceu-se das piruetas do casino, esqueceu-se da iniquidade de pensamento, esqueceu-se da necessidade do petulante protagonismo em tantas atitudes amiúdes. Ampliou toda esta vacuidade de competência disfarçada por um forte instinto político ao cargo de Primeiro Ministro? Senhor Durão Barroso o senhor podia e tinha a estrita obrigação de não ter contribuído para este degradante espectáculo que assiste agora num gabinete em Bruxelas. Já disse que estava “preocupado” é capaz de ser ligeiramente desfasado esta observação perante a crise para a qual o senhor contribuiu.
Se por alguma razão que quase todos desconhecemos, Santana fosse para si a única hipótese, o senhor em consciência apenas tinha um caminho, recusar o cargo na Comissão Europeia e manter-se a frente do governo português. O senhor não agiu, reagiu e como tal ficou encurralado perante os acontecimentos, entre a vacuidade que tanto o incomoda e a covardia.
O senhor conhece-lo e bem melhor do que todos nós.
Pode agora com algum sarcasmo comentar que o Pedro esta a colher o que semeou... Só que mais nenhum português semeou isto que o senhor nos deixou.
publicado por vitorcandidojose às 00:17
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2005

Cartazes...

Há um debito que aumentou recentemente e de forma substancial no que concerne há perspectiva que temos para o futuro. Reconhecendo a dimensão social dessa perspectiva, o PS apostou numa mensagem de campanha que visa numa primeira fase motivar o eleitorado à Acreditar, na segunda e presente fase a propor o seu líder para fiel depositário desse Acreditar. A pequena inconsequência é por ora a constatação da falta de políticas que substantivem o necessário Acreditar, as ideias avulsas de diminuição do desemprego, de combate ao défice, ou frases chave sem conteúdo como o apelo à engenharia política para alterar o código de trabalho ou mesmo o remanescente presente no choque tecnológico que bem se podia chamar de paixão pela educação II, são chavões de ocasião que tornam o slogan uma mera opção publicitária. Uma mensagem destas impele voluntariamente o emissor dela a fundar tal proposta arrojada num solido projecto político sem este, é apenas uma sugestão de uma profissão de fé socialista.


O cartaz deste PSD é mais do mesmo, este pseudo martírio Santanista é levado ad nauseum. O senhor Barroso partiu e deixou um lindo presente. De lá para cá, há os que choram, os que riem e fascina-me ainda existir os que apoiam.

publicado por vitorcandidojose às 01:12
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2005

“A Procura da Terra do Nunca”

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Num tempo de previsível seca ocorre perguntar em que momento se perdeu a inocência? O que se fez do espaço que era preenchido por ela? Não é uma nostalgia da adolescência ou quiçá de infância, é tão somente a constatação de uma perca, consequência de deixar lá atrás algo que devia continuar aqui de braço dado com os nossos dias. Se ela teve o seu tempo, pois então de quem é este tempo? Que razão irreconciliável impede a vivência madura com a saudável inocência? “A Procura da Terra do Nunca” é um filme que convida a uma resposta. Neste filme há muito mais de cruel do que de mágico, nele se apresenta a incapacidade de gerir a morte, ou melhor as mortes que vão toldando uma família. A morte da mesma forma que cruelmente rouba a vida, assalta também o sonho e deixando um vazio que quebra o propósito e o sentido da vida. É uma dor que cria um ressequir de sentimentos profundo e nem sempre ultrapassado. “A procura terra do nunca” É uma narrativa que assenta na contingência desta realidade e na capacidade de aliar a inocência e genialidade ao Amor, permitindo continuar a Acreditar e isso não se circunscreve a qualquer idade.
publicado por vitorcandidojose às 02:41
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2005

Pedroso

Para o PS, este homem foi vitima e porventura o mais penalizado numa pretensa cabala que o próprio Ferro Rodrigues garantiu não descansar enquanto não fosse resolvida ( imagino que ainda não parou ). O PS não só considerou um caso político como centrou a sua actividade no envolvimento destes militantes no caso Casa Pia, transmitindo de forma consciente que o processo se encontrava truncado judicialmente e considerando se tratar de uma cabala que objectivamente pretendia assassinar politcamente altos dirigentes socialistas, o teor das acusações revestia-se de enorme gravidade. A libertação de Paulo Pedroso foi o ex-libris de toda esta trama e é um caso sem paralelo na democracia Portuguesa, o Secretário Geral do partido Ferro Rodrigues, um ex-Ministro da Justiça e líder parlamentar António Costa e um ex-líder do PS e ex-Presidente da Assembleia da Republica Almeida Santos, assumiram as funções de uma guarda de honra desde a penitenciaria de Lisboa até a Assembleia, onde parte do seu grupo parlamentar esperava o deputado como se fosse um preso político, as imagens difundidas na altura assemelharam-se exactamente à libertação de presos políticos em Caxias. Uma recepção digna de um herói democrático que agora se tornou pela mesma razão indesejado e é airosamente convidado para uma travessia no deserto. O novo líder socialista, teve necessidade de garantir solidariedade a Pedroso, solidariedade que podia passar pela inclusão da participação do ex-deputado na forma que Sócrates considera-se útil, sem sentir-se manietado pela natural fragilidade política que advém desta inclusão. Talvez aqui o engano seja partir do principio que Sócrates pretende contar com Pedroso. Dentro da moral republicana entendo a defesa da recusa de participação, mas tal gesto neste contexto socialista parece uma penitência por um pecado não cometido (perdoem a heresia da metáfora religiosa) mas condenar a travessia do deserto o homem que foi supostamente destituído de parte da sua dignidade inerente a destruição do seu bom-nome e que foi privado da liberdade é objectivamente difícil de entender, repito neste contexto socialista. Ora se o partido nunca tivesse lido a detenção do deputado como um ataque feroz e baixo aos Socialistas, é evidente que a elevação passava por não se disponibilizar para ser representante do Partido em cargos no Estado, mas não foi esse o caminho.


O Abnegado mostra de forma contundente e com frequência mais do que a ineficácia do modelo vigente a sua própria falência. Admiro a sua milimétrica observação do quotidiano político e tenho com ele uma convergência em algumas análises,  mesmo quando como neste caso concordando com o diagnóstico discordamos da terapia.


Este caso acaba por ser um repositório de más decisões, tomadas no calor da emoção. A verdade é que pareceu existir uma estratégia de “colar” o anterior líder dos socialistas ao caso “Casa Pia”. Na altura Ferro Rodrigues tomou as dores de Pedroso e, de facto, propôs essa luta que menciona. Mais: o grande erro foi a forma inacreditável como Pedroso foi recebido. Aí, mais do que em qualquer outro momento, o PS colocou-se numa posição fragilizada de que agora colhe os amargos frutos. Foi um erro, e grande. Contudo, julgo que a Sócrates não restava outra solução. Não poderia a um erro adicionar outro. Se Pedroso fosse colocado em posição elegível, julgo que a moral republicana de que o PS (justa ou injustamente) se diz guardião ficaria ferida. Em todo o caso, francamente, a única opção que Pedroso tinha era auto-suspender-se da lista enquanto o processo em que se viu envolvido não estivesse totalmente resolvido. Injusto, duro, dificil? Talvez, mas a moral republicana, não apela a facilidades e não a podem invocar aqueles que a esquecem quando são os próprios envolvidos. Luis Sequeira ( Abnegado )

publicado por vitorcandidojose às 02:18
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2005

Sophia

Cidade dos Outros



Uma terrível atroz imensa
Desonestidade
Cobre a cidade
Há um murmúrio de combinações
Uma telegrafia
Sem gestos sem sinais sem fios
O mal procura o mal e ambos se entendem
Compram e vendem
E com um sabor a coisa morta
A cidade dos outros
Bate à nossa porta.

publicado por vitorcandidojose às 15:22
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2005

É Difícil

O comportamento dos responsáveis pelo apoio aos portugueses na Tailândia é um momento lapidar do narcisismo que faz lei moral. Abdico de comentar desculpas de circunstância, confrangedoras e nojentas. Do alto do vazio dos seus seres e do poder das suas funções, o cargo é somente uma vaidade e não uma missão. Afinal qual a razão de Estado ou de função que levaria o diplomata a não passar o Natal no conforto da sua casa e ir enfiar-se numa terra de mortos? Imagino que não encontraram uma que justificasse o aborrecimento da decisão.

Acredito no Homem/Pessoa mesmo que ele consiga testar até ao absurdo o meu acreditar, ficando de forma tão frequente aquém dessa condição e portar-se como um cobarde. </p>
publicado por vitorcandidojose às 01:04
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Um mundo de desejos

Os desejos são tão irreais quanto convenientes, não são uma ideia, um pensamento, uma acção, um projecto um programa que nos responsabilize, aliás o único responsável na execução dos desejos projecta-se no outro ou no metafísico..
Um desejo é algo que nem aspira a ser uma ilusão.
publicado por vitorcandidojose às 01:00
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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2005

Lamentavel

Muitos incluindo os “portugas” partiram nestes dias para o meio da lama, da dor e da morte, mantendo assim as suas férias e convencidos de que o direito ao paraíso já tinha sido comprado na agência de viagens. Como qualquer imberbe aprendiz da matriz capitalista a “ verdade” é clara, não há nada que o dinheiro não compre. Mas isto paga-se e não é com dinheiro. Esses Portugueses e outros que vão a caminho do horror, conjugam a tacanhez e a insensibilidade ao ponto de serem inconscientes em relação ao que vão encontrar. Talvez a crueldade e o horrível os desperte. Talvez não e tragam na bagagem apenas o egoísmo espelhado nas histórias “Eu vi...” lamentável é que não se vejam a si próprios, mesmo ou especialmente porque provavelmente se afogavam nas suas imagens.
publicado por vitorcandidojose às 08:58
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