Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2004

Quarto fechado

Antonio- “Se me é permitida uma opinião, Pedro não merece o tempo que com ele se gasta....”


 Abnegado – “...Concordo com o Vitor. É urgente pôr a nu o que vale o "Pedro". Com a sua capacidade de ludibriar, vai fazer uma campanha do injustiçado, da vitima, do ajudem este pobrezinho. O país, lágrima nos olhos, tremendo de emoção, cai-lhe nos braços (...) Precisamos todos de ter muito cuidado. Todos os minutos que dedicarmos a mostrar a fraude que evidentemente é, serão poucos...”


Admito o enfado que tenho sentido, quando me vejo condicionado a ter que digitar uma série de teclas que dão nome a figura, cada vez mais parecem um profícuo sinónimo para um desastre em episódios com um final inevitável. Tudo o que tenho contra Santana Lopes, começa e acaba na pretensão aliada a circunstância, de ele vir a permanecer ou ocupar as funções em causa e as decorrências para todos nós da efectivação dessa possibilidade. É portanto claro que ele não merece um decimo das vezes que o seu nome é citado e gasto, mas o que se encontra em causa proíbe-me o silêncio. Esta é a tragédia da nossa circunstância, enredados num pântano político. Além de todas as razões evidentes nem sabe quanto para mim por razões de convicção política me custa olhar para todo este drama de contorno burlesco e trágico. Estamos condicionados a esta realidade, é como se estivesse fechado num quarto, onde naturalmente a sua prioridade é sair do mesmo. Haveria de pensar nisso e provavelmente apenas nisso, por demais necessidades, projectos, ideias, sonhos ou afectos que tivesse e só é dessa forma, exactamente pela existência destes últimos, é tão simples quanto isto.


PS : António dispense o “se me é permitido”, este “com licença” para as ideias, para outros ângulos da realidade vai ao encontro de uma sociedade cada vez mais de pensamento único e confesso-lhe o cansaço dessa antítese da nossa natureza. Nada mais salutar do que convidar a critica – palavra prostituída - mostrar outras perspectivas e daí advir um debate de ideias. É especialmente pelos outros “olhos” e pelos filtros que são usados que faz sentido ter os comentários abertos e não (somente) pela anuência de circunstância, é o prazer de redescobrir palavras e conhecer ideias e se advir uma identificação, melhor. Pois então proteste, discorde, concorde, deixa as suas ideias transbordar que como se diz, “quem vem por bem é sempre bem vindo” mesmo e especialmente se discordar ou pouco concordar com o que pensamos. Bem haja.

publicado por vitorcandidojose às 11:21
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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2004

Pedro e a reencarnação

Perdi o perdão evangélico de tão cristã figura. Com esta propensão para as cenas bíblicas ainda vou ouvi-lo dizer que nas eleições os portugueses vão ter de escolher entre Cristo ( Santana Lopes ) e Sócrates ( Judas de ocasião). Alguém se admira?
publicado por vitorcandidojose às 01:28
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Cultura procura-se

No Expresso do passado fim de semana, Alfredo Barroso aproveitou o termino da sua colaboração com este semanário para lembrar entre outros assuntos a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo. Companhia essa que ainda há pouca semanas tive oportunidade de ver em Lisboa apresentando o espectáculo AmarAmalia. É este um perfeito exemplo do vazio cultural elaborado com rigorosa vacuidade pelos últimos Ministros da Cultura. Esta Companhia que antes da sua apresentação em Lisboa se apresentou na meca da Cultura mundial, Nova Iorque, tendo recebido o aplauso de quem viu, inclusive da critica, com relevo para o “The New York Times” que considerou o AmarAmalia um dos “melhores espectáculos que passaram este ano por Nova Iorque”. Esta Companhia que foi fundada por Vasco Wellenkamp, tendo ele todo o mérito, ao edificar a maior companhia de dança não estatal, contagia-la com a sua energia e assentar este projecto sólido na qualidade humana dos seus intervenientes. É exactamente esta Companhia que vive uma enorme debilidade financeira que pronuncia a morte deste projecto. São 30 pessoas algumas delas em dedicação exclusiva, o mérito artístico, o trabalho realizado tudo perto de ser condenado ao vazio. Não venho defender subsídios, sou frontalmente contra eles. Quero apenas deixar algumas perguntas. Qual o empenho da tutela para com a excelência deste projecto? Onde se encontra a dita rede de teatros nacionais? A solução não é o subsidio, mas sim o palco para que quem tenha qualidade demonstre o seu trabalho e para que o maior numero de portugueses tenham o privilegio de assistir aquilo que é Cultura em toda a sua dimensão, é uma rede de Teatros que permite sustentar a excelência e estimula-la, oferecendo ao maior numero de pessoas as produções de qualidade, construindo uma linha artística que mantenha a diversidade, tendo uma preocupação na gestão financeira, o fomentar da permuta de experiências em todos os ramos do saber teatral, é disto e muito mais que se faz uma política para uma rede de teatros nacionais, ora isto é muito mais ambicioso e trabalhoso para todos do que a actual condição da política do subsidiozinho.


A escolha de Isabel Bandeira para vogal da Orquestra Metropolitana é uma feliz e merecida escolha que recaí sobre uma pessoa de caracter que alia uma natural diplomacia a uma também natural exigência. Uma boa noticia cultural que obviamente não tem origem na Ajuda.
publicado por vitorcandidojose às 01:25
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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2004

Urgente

Tenho um normal desapego pela quadra Natalícia independente de ser um dos marcos mais impressivos da nossa cultura quer pela génese Crista quer pela dimensão do ritual pagão que hoje esta quadra tem. Mas aproveito este interregno no nosso normal quotidiano para que as palavras do mestre nos permitam um aconchego, nos questionem e nos lembram como gastas pelo excesso se encontram certas palavras e quão distantes são outras que consequentemente tornam o divorcio entre nós doloroso. É urgente o Amor, que não se compadece com fingimentos de ocasião com mentiras inúteis que muitas das vezes se revelam crueldades requintadas, é urgente o Outro, é urgente permaneSer.

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

publicado por vitorcandidojose às 01:56
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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004

Quem não confia em Quem?

Já moribunda foi hoje consumada a falência política do rigor e da contenção orçamental. As consequências políticas imediatas são obvias, é mais uma prenda no sapatinho do PS que sem esforço vê o poder na direcção dos seus braços. As consequências futuras serão a doer, com a natural escassez de novos malabarismos para segurar o monstro.
É um executivo que se arrasta penosamente e consigo pretende arrastar todos, como é o caso de Manuela Ferreira Leite que muito convenientemente voltou à liça pela boca de terceiros o que revela uma espiral colectiva de desastre. A conferência de imprensa do Ministro das Finanças e o enredo de justificações que teceu, são elementos onde a desorientação faz o seu caminho. A apresentação da demissão do Presidente da Caixa Geral Depósitos foi o momento do Ministro das Finanças virar o bico ao prego e afirmar que o Primeiro Ministro não só mantém como aumentou a confiança no Presidente da CGD é do domínio do surrealismo político. Quem não confia em quem?
publicado por vitorcandidojose às 18:25
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Fechar a gaveta com a chave lá dentro

Será que existe um governo sombra dentro deste governo? A duvida irónica, levanta-se, de outra forma como é que um Ministro que se encontra demitido ameaça demitir-se.
publicado por vitorcandidojose às 15:54
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Infelizes contas de Natal

Quero ser informado do destino dos meus impostos, quero saber como se gere a res publica, preciso de acreditar que o programa de governo não é um mero discurso de intenções e um mero formalismo burocrático. Por ora dispenso é que me impinjam propaganda partidária. Dispenso é que usem o dinheiro publico (se é que esta expressão ainda tem algum fundamento para eles) em panfletos na imprensa para convencer os incautos de um “faz de conta”, como se de uma historia infantil se trate e onde o desfecho real é tão previsível quanto infeliz. O que se dispensa é esta utilização de meios apenas por necessidades pessoais de sobrevivência política e é apenas disto que tudo isto se trata. O que se quer é que esclareçam se o IVA e o IRS viram os seus pagamentos suspensos, deturpando desta forma os resultados do défice real. O que se espera é que digam o estado das contas e não o estado em que precisam que eles estejam, o que é preciso é que expliquem perante esse défice, os três anos em que a classe média viu salários congelados e vedado o acesso aos contratos de trabalho em especial aos milhares de pessoas que tem um vinculo precário na função publica ou a ela adstrita. Perante uma obvia nega de Bruxelas que apenas não era obvia para o governo o que cada vez mais torna tudo isto consideravelmente surrealista é ainda assistir a um ministro que afirma, agora, repito agora, vai apresentar uma solução melhor. Quanto isto é.... Preocupante

publicado por vitorcandidojose às 01:36
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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2004

"Simon boccanegra"

Partindo de uma ideia enquadrada com a obra, conhecer o compositor, ir ao encontro do libreto, um bom maestro um excelente naipe de cantores, uma boa orquestra, um bom coro e uma equipa creativa toda na mesma sintonia, o resultado dificilmente não será uma obra de arte. Esta noite na estreia da temporada do Teatro Nacional São Carlos com a ópera “ Simon Boccanegra” foi exactamente isso que o São Carlos e a chancela do Royal Opera House- Covent Garden garantiram. Uma historia que cruza a realidade e a ficção desdobrada num prólogo e três actos. Começando no prólogo que promovia uma penumbra mas esteve mais perto da escuridão, o seu final ficou marcado pela opção de no momento em que Simon Boccanegra descobre a sua amada morta, uma enorme porta na direita de cena apenas permite a Sugestão dramaturgica e cénica ao espectador o que é uma opção discutível, esta decisão de apenas sugerir um dos momentos mais dramáticos e em potência dos mais belos cenograficamente. Mas para quem ficou com um ligeiro amargo de boca no final do prólogo, o inicio do primeiro acto desfê-lo com facilidade quando deparamos com um quadro cénico magnifico. Em relação aos cantores o destaque para a soprano Micaela Carosi esteve num registo divinal, Ambrogio Maestri pareceu em alguns momentos discretamente traído pela sua voz. Para quem tiver oportunidade, não deve perder este serão Verdiano num habitual contexto do amor impossível, da traição inevitável condimentado com a devida intriga.

publicado por vitorcandidojose às 01:53
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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004

É Obvio

Depois de ter participado na ignominia da pergunta para o referendo contando com a cumplicidade de um Partido Socialista que colaborou de forma marcante ao recusar uma revisão constitucional, viu agora o Tribunal constitucional decidir o obvio. Também o obvio é o Eurostat descredibilizar o governo e colocar a nu a situação das contas do estado, negando a pirueta financeira de venda-aluguer-cedência-arrendamento-locação, descoberta num conceito de “lease-back” que mais prosaicamente se pode apelidar de colocar no “prego” bens do estado. Como é obvio a cedência temporária era apenas uma etapa na venda definitiva, essa mesma era a intenção deste pecado original do Ministro das Finanças. Entende-se o desespero, vê-se no horizonte eleições, compromissos europeus e no mesmo tempo, o fracasso da bandeira deste consolado social-democrata, a dita consolidação do défice abaixo dos 3% que na realidade pouco além foi da redução consolidada de decimas percentuais. A derrota é evidente e a decisão desta engenharia financeira não podia ser mais credora da identidade deste governo. Na nota justificativa da “não venda” de património surge uma única razão, o Ministério chama-lhe “ética política”. Há palavras que nos são caras e que não se enquadram com o gratuito da ocasião, como é obvio...
publicado por vitorcandidojose às 02:00
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2004

Exageros e quedas

Mais do que ligeiramente exagerado é substancialmente perigoso esta intuição generalizada que Santana Lopes sairá fortemente derrotado nas eleições legislativas. Há quem afiance vir a ser uma natural lição democrática, mas a sondagem do Expresso deste fim de semana não favorece esta percepção e torna muito mais moldável com um desejo do que com a realidade.
No dia 20 de Fevereiro vota-se para as eleições legislativas e para a primeira volta das eleições presidenciais, politicamente uma derrota airosa de Santana permite-lhe uma sobrevivência política que será o bilhete para a sua aventura presidencial e partindo daqui não há saída para esta crise que não seja para baixo.
É nesta beco que o PSD se meteu refém de um homem que luta pela sua sobrevivência política gerindo o partido segundo as suas necessidades de momento.

publicado por vitorcandidojose às 01:50
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Prémio Judas

“Cavaco Silva é o candidato presidencial do PSD”

(Santana Lopes na TVI)

Pelo menos até 20 de Fevereiro

publicado por vitorcandidojose às 01:47
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Prémio Seguro de Acidentes pessoais

“Cavaco Silva, seguramente, apoiará, o seu PSD”
José Luis Arnaut ( Expresso )

Falta apenas lembrar que este não é o “seu” PSD.
publicado por vitorcandidojose às 01:46
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Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2004

"Ética Humanista"

Discurso do Ministro Brasileiro de Educação nos EUA... Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos actual Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros). Um jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta do Sr. Cristovam Buarque:


"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro (...) Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa! "

publicado por vitorcandidojose às 00:22
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Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2004

Desejos...

Pode parecer requentado e provavelmente é mas teria sido bastante esclarecedor para a nossa comunidade se Jorge Sampaio tivesse sublinhado na “sucessão de acontecimentos negativos” as posições de destacados membros do PSD, isto totalmente independente da votação formal do congresso. Politicamente desde o início do XVI governo que Teresa Patrício Gouveia, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa e Aníbal Cavaco Silva mostraram alguns deles com forte impacto social, uma profunda discordância que é englobada objectivamente nos acontecimentos negativos de que o Presidente falou. Tal gesto obrigava o PSD a não escudar-se em questões laterais para esconder a sua fragilidade política de que se tornou refém, numa estratégia de sobrevivência e de calculismo pessoal que não se coaduna com as nossas necessidades contribuindo para um Portugal adiado.
publicado por vitorcandidojose às 00:41
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Acto de Fundação

A inércia aliada a critica empurra para uma tendência histórica perfeitamente definida por Camões na figura do “Velho do Restelo”. Atendendo aos tempos que vivemos com especial incidência na política Lusa, há todas as razões para abordar esta Associação no âmbito deste blog e provavelmente haverá ainda mais uma...


A acção realizada por amor é a mãe da construção Comum. É pela convicção do dever cívico de participação no projecto comunitário e inevitavelmente pela crise civilizacional que caracteriza o tempo presente que acordei participar com honra no acto fundador da Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico no início do presente mês nas instalações da Universidade Nova de Lisboa.


 Somos convocados para construir os alicerces da estrutura que fundamenta este projecto. Convictos da sua validade e empenhados nesta construção, devemos prosseguir na fundação e solidificação da nossa linha de pensamento, projectando nas nossas actividades a respectiva coerência com os objectivos desta Associação.


Mais do que nunca este é o momento em que nos devemos interrogar.


A definição de ética pressupõe uma natural interacção com o outro, nesta relação procura-se salvaguardar o “Bem” do Outro. Fundemos o “Bem”, longe do caracter religioso e político sem a presunção de novas descobertas nem desejos de que a procura caía numa teorização hermenêutica. Utilizemos o conhecimento gerado e moldemos a nossa envolvencia. O “Bem” reside no respeito pelo ser humano. Enquadremos o respeito na dimensão da dignidade humana fundada no direito à vida, nas condições mínimas de existência, no direito ao bom nome, à família e a todas as circunstâncias que permitem e promovem a realização humana fundada na Felicidade. O “Bem” não finda na interacção com os outros, relaciona-se também com o meio ambiente.


No âmbito da nossa intervenção a educação ética é objectivo fulcral, sendo impreterível a sua inclusão no sistema de ensino, e esse é um combate com conquistas de alguns elementos desta Associação. Cabe-nos projectar essas conquistas. Independentemente da centralidade das questões éticas no ensino devemos também projecta-las no nosso sistema laboral e de relações sociais.


 Os objectivos que nos norteiam são exigentes e credíveis pelo facto da sua fundação assentar em cada um de nós. Esta Associação apresenta-se com a moldura ideal para que as palavras sirvam para a “única” função credora da sua existência, fundam-se e dão corpo aos actos. Não cabe a nós reagir cabe Agir.

publicado por vitorcandidojose às 00:35
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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2004

Coligados

Já por varias vezes defendi que era inevitável a coligação, não pela existência de um projecto político mas por uma questão de sobrevivência política do líder do PSD. Restava encontrar uma formula de conceber uma coligação sem ofender o PSD que garanti-se ao PP uma divisão de poder numa hipotética vitória e evita-se os ataques entre os dois partidos. Ora este não é um acordo pós-eleitoral mas um pacto de não agressão que se embrulha numa falsa não coligação.
Politicamente Sócrates para lá de entender o óbvio vai colar aquilo que agora a coligação só pretende colar dia 21 de Fevereiro e não lhe vai custar muito. Seguindo o raciocínio de Paulo Portas eles vão concorrer separados porque tem mais possibilidades de vitória, sabendo os portugueses que concorrendo separados ou juntos em caso de vitória o resultado é o mesmo, deviam ter percebido que é capaz de ser ligeiramente ofensivo para os portugueses esta estratégia, estamos perante uma nova versão do “gelo quente”.
publicado por vitorcandidojose às 01:34
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Isto é um caso de dupla personalidade

Ele disse isto ?


 “ Uma resposta aos constantes ataques formulados por políticos que não se habituaram à ideia e às regras de uma democracia madura”

publicado por vitorcandidojose às 01:31
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2004

Confrangedor

Uma decisão de não coligação baseada numa pseudo escolha conjunta feita em cima de cálculos realizados através de sondagens é uma justificação oca. O PSD é neste momento refém do PP, consequência da necessária sobrevivência do seu líder. É confrangedor assistir a uma crise de um partido com a dimensão do PSD construído por homens como Sá Carneiro.
publicado por vitorcandidojose às 00:47
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Mas que parte é que ele não entendeu?

“...Revelou um padrão de comportamento sem qualquer sinal de mudança ou possibilidade de regeneração, entendi que a manutenção em funções do Governo significaria a manutenção da instabilidade e da inconsistência. Entendi ainda que se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos...”

Presidente da Republica Jorge Sampaio ( discurso de dissolução )

publicado por vitorcandidojose às 00:44
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2004

Prémio o Ingénuo do ano

“Decidi nesse sentido porque a maioria parlamentar me garantiu poder gerar um novo governo estável, consistente e credível, que cumprisse o programa apresentado para a legislatura e fosse capaz de merecer a confiança do País e de mobilizar os portugueses para vencer os desafios inadiáveis que enfrentamos.”


Jorge Sampaio ( declaração de dissolução da A.R.) </p>
publicado por vitorcandidojose às 08:44
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2004

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O Homem e o Cargo


 São hoje apresentados os pressupostos da queda do XVI governo constitucional. A declaração apresentada ao país será o auge deste Presidente nestes dois mandatos e de Sampaio na sua vida política.


 O Presidente tem total legitimidade formal. Um articulado constitucional bastante aberto, não condiciona a decisão pela existência de uma maioria parlamentar, como acrescente-se permite uma interpretação de caracter fortemente pessoal sem condicionamento dos partidos ou do Conselho de Estado.


O Presidente tem total legitimidade política. Sampaio avalizou este governo atendendo a legitimidade democrática dos resultados eleitorais e no pressuposto da estabilidade governativa porém com algumas reservas e mantendo-se “vigilante”. Estes quatro meses foram marcados por uma instabilidade governativa crescente. Um congresso estatizado não encontrou uma solução para a cisão verificada dentro do principal partido da coligação. Há uma total ausência de sintonia entre o governo eleito de Durão Barroso e o do nomeado Santana Lopes, não é somente uma questão entre Barroso e Santana, tudo é diferente inclusive a facção do PSD que é governo neste momento. Desapareceu a legitimidade democrática e nessas circunstâncias a decisão deve ser encontrada no voto e não no prolongamento de uma instabilidade governamental


 Cabe ao Presidente aumentar agora a vigilância, por forma a circunscrever os efeitos populistas da afectação se preferirem da infestação dos “boys” no Estado e da utilização das funções governamentais como meio de propaganda.


Nas invocações dos motivos da dissolução ao contrário do que tem vindo a ser publicitado não são passíveis de enquadramento razões do foro financeiro, consequência do Presidente ter dado sinais da sua vontade de aprovar o Orçamento de Estado .


Por fim o Presidente da Republica exigiu o impossível ao Primeiro-Ministro competência e adiou ( com razão) o inevitável a dissolução.

publicado por vitorcandidojose às 01:13
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2004

“Sola perduta, abbandonata”

Absurda a ilusão da resolução de problemas, quando alimentada pela prepotência que esconde a fraqueza, pelo desmando que esconde a fragilidade de competências, perante o recurso a falsidade, perante o fomentar gratuito de conflitos que se perpetuam e agudizam, perante a ausência de orientação, ausência de um sentido ético, se isto for um caminho o destino é o abismo. Ouço que o melhor é tentar remediar, pois imagino... Talvez a peneira tape o Sol...
Embora isto se passe com os outros, incomoda-me e hoje estou cansado de assistir ao desmando e ao voluntarismo da peneira.
Acabo a noite acompanhado pelo mestre Puccini na Ópera “Manon Lescaut” , por Plácido Domingo e pela voz pungente e angelical de uma diva. Mirella Freni. A área “sola perduta, abbandonata” é de uma profundidade dramática incomensurável, oscilando entre a impotência, a raiva e a esperança, Mirella desenrola a genialidade do mestre de forma perfeita.
Claro que Acredito, para mim é uma palavra que ainda escrevo com maiúscula, como é possível não Acreditar perante tamanha beleza.
publicado por vitorcandidojose às 01:07
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este silêncio sufoca e favorece o prevaricador

Parece que não vamos ter que esperar pelo livro das memórias de Sampaio para saber as razões da dissolução do parlamento
publicado por vitorcandidojose às 01:03
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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2004

Inversão Mentira e Demagogia

Inversão – Santana e Portas vão empurrar a instabilidade e a crise para o Presidente e o que surpreende é a forma como Sampaio tem dado o flanco para esse ataque quer por ter transmitido uma orientação de aprovação do orçamento quer pelo silêncio incompreensível que tem praticado.

Mentira - Num exercício de vitimização Santana e Portas vão tentar conotar o PS e em especial o seu líder com os supostos interesses ilegítimos que provocaram a queda do governo.

Demagogia - O “Paulinho das feiras” será agora acompanhado de Santana passando a usar no seu vocabulário a palavra “povo” serão vistos entre o povo e os discursos serão em seu nome. Socrates mais cosmopolita e menos dado a essas andanças vai inevitavelmente perder neste terreno das feiras romarias e mercados.

Transversal nestas três fases será o caricato de após Sampaio ter vetado o diploma da criação de uma central de Comunicação ver agora um governo inteiro tornar-se na própria Central.

Para quem preferir ainda acreditar na eterna bondade das frases ocas de Santana Lopes nada melhor que o tempo para comprovar a iniquidade do seu verbo e fatalidade deste destino.
publicado por vitorcandidojose às 10:12
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2004

Coligação Seguro de vida

No actual quadro político não há conveniência nem para o PSD nem para o PP em concorrer com listas separadas. O PP segundo as sondagens vale uns escassos 5.5% que apenas servem para garantir a existência do partido, o PSD porque precisa capitalizar a dupla Santana/Portas. Numa campanha separada facilmente o PS mostra que o PP e o PPD-PSD são duas faces da mesma moeda restando nesse cenário Portas desmarcar-se o que passa por hiperbolizar a sua credibilidade governativa por oposição ao PSD, o que é um duplo suicídio político.
Paulo Portas necessita de coligar-se com Santana, como este último acredita que uma aliança pode ainda dar-lhe a vitória. Mesmo num cenário de derrota, os 5.5% do PP e a partilha de responsabilidades pelo resultado podem atenuar uma derrota eleitoral e garantir a sua sobrevivência política até ao assalto a Belém.
publicado por vitorcandidojose às 08:52
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Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2004

Santana Lopes

Este homem é perigoso
“Ferido de morte” apenas o parlamento. Santana Lopes está acossado e como tal tornou-se mais perigoso. Permitir que este homem continue a chefiar um governo é fazer deste último uma central de publicidade nos próximos dois meses. Vai oferecer o que não tem e dar o que não pode, vai vitimizar-se esperando que a pena dos portugueses se transforme em perdão, eis a receita e lembre-se que os portugueses, independente do seu estoicismo, tem memória curta, o que hoje se vive amanhã se esquece.
Acreditar na vigilância do Presidente da Republica, da oposição ou dos media é acreditar no Pai Natal e embora a temporada do dito se aproxime Portugal não é um brinquedo para meninos traquinas.

publicado por vitorcandidojose às 09:24
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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2004

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Comentario de Anabela Ribeiro "Li na Segunda-feira uma consideração sua em que apontava como sendo esta a altura para a queda deste governo, não julguei que fosse tão cedo esse desfecho, mas de facto você acertou. Espero que a carta que dirige a Santana Lopes no seu blog lhe seja enviada e posso afiançar-lhe que subscrevo na integra. Por fim cito Joseph Goebbels, este homem é perigoso – ele acredita no que diz"


 A situação é de uma crise política continuada e o Primeiro-Ministto mais do que vir demonstrado uma incapacidade crónica para a solucionar é ele o próprio gerador dela. Este era o tempo para a sua saída e ainda bem que Sampaio assim o fez. A carta é um hino a vaidade incompetente, felizmente ainda somos muitos muitos que a podemos subscrever.

publicado por vitorcandidojose às 08:57
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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2004

...

Caro Ex-Primeiro-Ministro


No inicio começou por dizer que tinha uma “ideia” para o país que passava por um governo “ágil e mais pequeno”. Na apresentação do seu governo, descobrimos que afinal o seu governo pequeno era substancialmente maior que aquele que tinha servido para a comparação. Não consegui entender se o país tinha subitamente mudado ou o senhor tinha tido outra “ideia”. Duas ideias tão dispares na organização do Estado deixou-me a imaginar que provavelmente o que não existia era mesmo uma “ideia” fosse ela qual fosse.


 Mantendo-se a legitimidade do voto dos portugueses, supôs que o senhor manteria o programa do governo e aproveitaria para uma remodelação desejada e inevitável. Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes não ficariam debaixo da sua asa, Celeste Cardona e David Justino eram saídas inevitáveis, António Mexia seria ar puro no governo. Mas não foi assim. A sua vaidade fê-lo desfazer um governo a meio do mandato e criar um a sua imagem. O senhor mudou quase tudo, nem a orgânica governamental resistiu.


A sua tomada de posse ficou marcado pelo desconhecimento, O senhor não conhecia o discurso que leu, o seu colega de coligação não conhecia a designação do Ministério que se preparava para tomar posse.


Entre a tomada de posse dos Ministros e a tomada de posse dos Secretários de Estado ainda tivemos tempo para o duelo da tomada de posse do Ministério na Rua do Século.


Chegada a tomada de posse dos Secretários de Estado foi o momento em que ficamos a conhecer a versatilidade das competências de Teresa Caeiro, até a véspera seria Secretária de Estado da Defesa, “a primeira mulher nessas funções” acabou como Secretária de Estado da Cultura. Lembrou-lhe que o senhor no seu governo teve na Cultura uma Ministra e dois Secretários de Estado, é capaz de ser ligeiramente exagerado para a não prioridade que é a cultura.


Depois chegaram as suas teimosias. Realço a deslocação das Secretarias de Estado. O resultado foi um aumento de custos e o obvio prejudicar do desempenho daquelas funções, enfim sempre alimentou algumas vaidades locais.


 Depois foi o Caos na Educação com a colocação de professores.


 O caso Marcelo, acabou por revelar a estratégia de “domesticar” a comunicação social, TVI, RTP, Diário Noticias encontravam-se nesse caminho. A “hostilidade” da comunicação social tinha todo o apoio do governo que desatava a dar tiros no pé. Henrique Chaves não é uma invenção da comunicação social, nem este role de disparates.


 No partido marcou um Congresso de consagração. O seu ego fala sempre mais alto. Para acalmar os críticos avançou com um apoio cínico a Cavaco Silva. Ignorou a questão central, a existência ou não de uma aliança para as legislativas com o PP. Tal atitude obrigou um Ministro a deslocar-se a Lisboa para apaziguar o seu parceiro de coligação. Um encontro que os dois viriam a desmentir ter existido, fica-lhes bem? Regressemos ao Congresso. Teria sido suficiente defender um congresso sensivelmente oito meses antes das eleições legislativas para que nessa altura fosse abordada a questão da coligação e assim esvaziava este assunto. Em relação ao seu apoio cínico a Cavaco Silva, será que imaginou que o Professor iria deixar passar em claro? O artigo no Expresso do passado fim de semana foi a forma encontrada de chamar-lhe medíocre e o senhor sentiu-se ferido na sua vaidade e deu um passo em frente e caiu na execrável imagem do “bebé na incubadora sendo agredido pelos familiares”.


Fala de uma decisão inédita do PR, mas o seu governo é uma enchente de situações inéditas e em regra demonstrativas de um projecto pessoal fintando todos os valores. Nenhuma destas situações per si justificam a exoneração do seu governo, mas não deixam de revelar muito de si e das pessoas de quem o senhor se rodeia. Mas a soma de todas estas situações e outras, tornaram insustentável o seu governo. Na Segunda-Feira defendi que esta era a altura para o Presidente demite-lo, congratulou-me de assim ter sido.


Na Cultura, minha área profissional, o senhor teve uma Ministra que inventou um orçamento irreal e criou um quebra-cabeças no CCB e pensou encontrar numa caricata dança de cadeiras a solução para a embrulhada, fora isso não existiu.


Peço-lhe que com a mesma dignidade com que foi o mensageiro da decisão do senhor Presidente da Republica em demite-lo se retire.


Por fim, se ainda questiona qual o motivo para o Presidente da Republica o demitir, tem oportunidade de encontrar a essência desta decisão na sua falta de lealdade para com os Portugueses e em linha directa para com o Presidente, podem os Ministros dispensar a sua lealdade, mas não podem nem devem os Portugueses prescindir dela.


Não acredito que esta noite lhe custe a adormecer o seu principal objectivo foi conseguido o senhor foi noticia e sem isso você não existe.

publicado por vitorcandidojose às 01:04
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