Terça-feira, 30 de Novembro de 2004

Embirrações naturais

Parece-lhe forte a palavra mediocridade para adjectivar o Governo do Sr. Lopes? Então como define aquele que não conhece a virtude da “lealdade” e que não tem a competência profissional de organizar e “coordenar” o seu governo. O que aqui está em causa é o destino de uma comunidade. Claro que sempre podemos ser apologistas da doutrina Sarmento, um líder não tem que ser leal, como dentro deste contexto compreende-se que também lhe seja permitido mentir, pode inclusive não ter competência para as funções que exerce. Afinal o que é preciso para ser Primeiro-Ministro?
publicado por vitorcandidojose às 10:20
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2004

Obviamente

Henrique Chaves avançou na sua carta de demissão que sabia quem seria o próximo Ministro a ser exonerado. Como acalento e nem pretendo esconde-lo que hoje de manhã o Presidente não ficasse no acessório e fosse ao essencial e demiti-se um Ministro e que Obviamente ele fosse Pedro Santana Lopes.
publicado por vitorcandidojose às 08:51
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Sr. Lopes

O ainda primeiro-ministro, comparou o seu Governo a um bebé numa incubadora a quem os irmãos mais velhos dão «uns estalos e uns pontapés». É execrável esta comparação. Esta imagem não define o governo nem a oposição praticada por membros do PSD, simplesmente define a mediocridade intelectual de quem a proferiu.
publicado por vitorcandidojose às 08:50
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Sábado, 27 de Novembro de 2004

A sua contribuição

cavacosilv.jpg

Aníbal Cavaco Silva apresentou hoje no Expresso as razões para a sua candidatura a Presidência da Republica num artigo denominado “os políticos e a lei de Gresham”.


publicado por vitorcandidojose às 18:00
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2004

"Governo" de Portugal

Alguns comentadores apressaram-se em ver nesta mini remodelação a certificação dos pés de barro do “governo” de Santana Lopes não comungo desta ideia. Não tem pés de barro o que é feito de lama
publicado por vitorcandidojose às 23:49
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Resistência

É necessário travar a selva em que se torna esta circunstancia. O deteriorar paulatino das relações humanas viu agudizado o seu ritmo nos últimos dias. Há razões para alguns acalentarem desejos de intromissão, de poder e de privilégios que se encontravam adormecidos na sua mediocridade, agora colocam as sujas garras de fora. Resistir começa por manter a união entre nós. Por fim dou por mim a rever um dia em que 4 colegas utilizam a palavra deprimida para definirem o seu estado emocional. Suponho que não revela nada de importante.
publicado por vitorcandidojose às 02:21
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2004

Arouca

O xisto na mão do homem moldou lares que abrigaram famílias ao longo de gerações. Finda a sua tarefa definham nas encostas e vales perdidos dos mapas. Hoje cruzo com o Passado, imagino naturalmente as agruras destas vivências, encontro um resquício num casal de idosos que perpetua a sua labuta diária dedicada a pastorícia. São apenas eles as testemunhas da nossa presença num lugar chamado Frecha da Mizarela um cume de uma montanha que permite sentir o ondular das serras e que oferece um riacho límpido que escorre libertamente e ferozmente numa cascata que encanta o olhar e convoca para uma conversa com a humanidade e especialmente para alimentar uma amizade. Encontro na pedra agreste rude que paulatinamente vai sendo polida pela frágil e doce água uma imagem para perpetuar um pensamento, a história da humanidade irremediavelmente cruza-se numa luta de cariz dialéctico entre ricos e detentores do poder e do outro lado os defensores da Ética. Os últimos paulatinamente vencerão e tem o meu pequeno contributo e como nada é perfeito eu não viverei para ver essa vitória.
publicado por vitorcandidojose às 08:54
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2004

Terramoto politico II

Contava aproveitar este inicio de semana para deixar transparecer alguns sentires e descobertas em Arouca, mas para meu espanto (confesso não entender como é que ainda me consigo espantar com este governo) sucedeu um pequeno terramoto na área da cultura com epicentro no gabinete da Ministra.
Afinal o que está errado nesta dança de cadeiras? Comecemos pelo aspecto da conjuntura. Existe alguma explicação aceitável para as duas exonerações no CCB? Existindo estas exonerações não deveriam ter sido três? Publicamente uma das senhoras aponta como causa directa de ter sido “posta na rua” a sua oposição ao avanço de um projecto sem capacidade financeira de realização. Compreende a ministra a gravidade desta acusação, compreende a necessidade de prestar explicações razoáveis? Entende-se daqui que quem considerar que não existindo dinheiro não se deve realizar projectos, não serve para este governo? A pergunta torna-se mais profícua quando se estende ao TNSC e a CNB. Ora para resolver o drama do CCB a Ministra expôs a sua fraqueza política, incapaz de captar pessoas para estas funções, acabou por se ver reduzida e induzida a optar por uma bizarra dança de cadeiras. Independente da avaliação das direcções em causa a única forma de resolver o “drama CCB” foi desintegrar 4 direcções, é obra e por acaso a melhor marca da sua cultural governação.
Afinal o que está errado nesta dança de cadeiras? Seguindo pelos princípios. As indigitações para estas funções trazem uma inerente concordância com o projecto político do governo. A composição de uma direcção tem como base um equilíbrio entre as capacidades dos directores para três áreas essenciais, a artística e patrimonial, a área de pessoal e a área financeira. Ora a Ministra só deve quebrar equipas directivas quando existe uma incapacidade de realização do projecto em causa. O golpe agora aplicado fragiliza especialmente a “res publica” pela ligeireza demonstrada e ausência de sentido de estado.
É evidente que não existe nenhum projecto político para a cultura. Existe apenas um projecto de sobrevivência no poder. É evidente que as direcções são vezes demais constituídas com o refugo da ocasião. É evidente que muitas vezes mantém-se uma paz podre no seio das direcções tudo isso é evidente mas que querem que faça? Não me adapto a isto. Talvez como consolo me lembre de Gandhi
“O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo facto de ninguém a ver”

PS: Voltarei a Arouca quando este sentir de fragilidade derivado da impotência perante o disparate amainar.

publicado por vitorcandidojose às 08:51
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2004

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pergunta.jpg
publicado por vitorcandidojose às 16:54
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Terramoto cultural

Não tenho ilusões sobre a actuação da nossa Ministra da Cultura e de forma mais obvia da SEC mais conhecida como Teggy. Mas a realidade algumas vezes consegue baixar a nossa já por si baixa expectativa. Ninguém imaginava que a resolução do problema do CCB fosse causar um pequeno abalo sísmico. Ora a ministra resolve o problema do CCB recorrendo a uma vogal do São Carlos depois resolve o problema do São Carlos recorrendo a um vogal da direcção da CNB e depois recorre a uma assistente de direcção do D. Maria II para resolver o problema aberto na Companhia. São mexidas sem qualquer sentido que não seja manter a ilusão, não há nenhuma orientação e apenas se revela uma ministra sem soluções e permeável aos interesses de circunstância.
publicado por vitorcandidojose às 16:00
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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2004

Fica dito

Num dia dedicado ao consumismo salvou-se no final da tarde uma passagem pelo emprego que acabou por possibilitar a promoção de uma conversa com um colega que vinha sendo adiada. Exercemos as nossas funções numa Instituição que tem um cordão umbilical ligado ao Governo o que naturalmente origina mudanças regulares da Direcção. Estas mudanças substantivam frequentemente entendimentos da competência ou da validade das funções dos seus colaboradores dispares, facto que naturalmente provoca oscilações nos percursos profissionais dos colaboradores que são favorecidos, prejudicados ou reconhecidos de forma substancialmente emocional. No caso concreto deste colega a realidade tem alguns contornos diferentes. Não pretendo deixar de dizer o que penso e isso resume-se ao facto que independente das divergências de orientação e de algumas tropelias de corredor este colega é uma pessoa competente com inúmeras provas dadas e de uma forte dedicação que cumpre na íntegra orientações mesmo aquelas que em potência discorda, respeitando integralmente a autoridade da direcção. Penso que para obter determinados resultados seria mais sensato estabelecer metas e não começar o processo por imposições funcionalmente ilegítimas. Fica dito.
Finalmente vou até Arouca e dessa forma encontrar-me com o meu amigo filosofo que todos os anos se transforma em caixeiro viajante, depende do Ministerio da Educação para saber onde vai pernoitar por um ano até que um dia tenha o estatuto de Efectivo e assim se estabeleça.
publicado por vitorcandidojose às 02:17
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Terça-feira, 16 de Novembro de 2004

Pedro e Inês por Olga Roriz

Na nossa história o episódio de Pedro e Inês, traspassa o romantismo e a negação de um amor por razões de Estado. Num enredo de intriga, política, amor e obsessão com especial ênfase para esta última característica que tornou este episódio num ícone histórico.
Escolher Olga Roriz para recriar este episódio, foi dar possibilidade a uma coreógrafa portuguesa com uma linha emocional que atravessa sentimentos semelhantes de olhar e encontrar uma expressão corporal para este drama. Uma oportunidade de ouro que ela tornou num dos espectáculos de dança marcantes da nossa cultura, a única surpresa é que perante a evidência da linha estética ela tenha sido uma segunda escolha.
Pedro e Inês é uma historia de contornos macabros e de um amor condenado a vingança e a obsessão, tendo como expoente máximo a coroação de Inês morta. Olga Roriz encontrou-se com a historia e legou uma recriação eterna. Uma produção da Companhia Nacional de Bailado que voltara a cena proximamente.
publicado por vitorcandidojose às 01:17
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2004

Conto de Natal antecipado

Relato de uma ocorrência na urgência de hospital publico, retirado do “medico explica medicina a intelectuais”
“Tem 13 anos. Subúrbios da capital. Trazida pela polícia. Crise grave de agitação psíquica.
Na mão um molho de fotos desbotadas com uma legenda viva:
"são para que saibam que tenho família! São para que o meu pai (Este aqui! Aponta.) saber que eu gosto dele".
Repete com insistência: o meu avô morreu bêbado. A minha mãe mandou-me ir procurá-lo. Encontrei-o bêbado na tasca. Riu-se para mim. Estava bêbado. Fui para casa a chorar. Morreu à porta de casa. Vi o sangue na porta. Caiu e fez um buraco na cabeça.
Quando foi isso? Foi antes do meu pai se separar. Tinha 9 anos. A minha mãe pensa que eu não a via a receber os homens em casa. Mas eu via. Sempre vi. Gosto muito do meu pai e sei que ele gosta muito da minha mãe. A minha mãe fugiu para se juntar com outro homem. Quando vou lá a casa continuo a ver a minha mãe a deixar entrar homens em casa. O meu pai bate-me quando vou a casa dele. Mas eu gosto muito do meu pai.
Vivo com a minha tia que também recebe homens em casa. Ela pensa que eu não sei, mas eu vejo. Sei que ela gosta mais da minha irmã do que de mim. Eu tenho aqui as fotografias da minha família. Eu tenho uma família."
"O meu avô matou-se porque a minha avó recebia homens em casa. Eu não o conheci porque dizem que nasci depois dele morrer. A minha avó também toma conta de mim, também recebe homens em casa. Já teve uma trombose, mas só tem 50 anos. Eu tenho muito medo. Tenho medo de tudo. Tenho uma família. Tenho aqui as fotografias. A outra minha avó é maluca. É aquela que vem todos os dias aqui ao hospital. Eu tenho uma família."
E é tudo verdade. Não são confabulações.
Tudo isto era dita em catadupa, sem intervalos. Olhar fixo, gestos repetidos com os braços, polipneia.
10 mg de diazepan foram incapazes de acalmar. Foram precisos mais 5 mg. Dormiu 1 hora. Acordou com a mesma agitação.
Caixões. Vozes. Imagens do avô projectadas na parede.
Apoio psiquiátrico, já que apoio da sociedade não há.
O poder paternal tinha sido atribuído legalmente a uma destas sérias personagens .
Depois admirem-se que haja muitas histórias de joanas...
As urgências são a montra da nossa sociedade.”
O sentido da nossa comunidade passa pelo combate efectivo desta realidade, o fracasso desse combate aqui cruelmente espelhado deixa-me um vazio de alma e um sentimento de viver nos subúrbios da humanidade.
Ainda não é Natal...
publicado por vitorcandidojose às 01:33
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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2004

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LUA.jpg

Há um tempo em que as noites se prolongam de forma luminosa na nossa alma e nos aquecem cuidadosamente e nos trazem um refugio do frio intrépido que dilacera lá fora e fora nestes gentis sentires torna-se tão longe...
Delicadamente sente-se esse aconchego e imaginamos que a Vida se contém naquele espaço e eterniza-se naquele momento.

Como são precisos e preciosos estes momentos em que nos encontramos connosco. Talvez seja fruto desta tranquilidade que nos conquista.


publicado por vitorcandidojose às 00:11
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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2004

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Comentado por Margarida "Estou triste! Morreu hoje um Homem! O Homem da Palestina! O Homem que sempre lutou pela liberdade e pela afirmação do seu povo! O Homem que era, para os americanos e israelitas, o entrave para a Paz no Médio Oriente!A arrogância de Israel, a hipocrisia dos EUA e o silêncio de Sharon deixam-nos que pensar. Vamos ver se de facto Arafat era o entrave.Mas sei que mesmo na morte este Homem será sempre uma inspiração para muitos e muitos jovens assim como o foi e será sempre Che Guevara! O Mundo perdeu mais um Homem de ideais e com carisma! Estou mais pobre e mais triste"


A morte neste enquadramento traz consigo um conjunto de sentires por onde algumas vezes trespassa a piedade e com isso se tolda a racionalidade. Não comungo da opinião que Arafat seja o martir que agora se pretende consolidar como que num truque de ilusionismo, contribuindo eficazmente para isso as noticias dos últimos dias. Arafat foi um líder que conseguiu visibilidade e simpatia para a causa palestiniana mas também foi noutra vertente um homem que condescendeu em ataques terroristas bárbaros. Independente das condições extremas do seu exercício de líder palestiniano foi muito perto da nulidade o resultado do que fez na área da educação, cultura e condições de saúde para o seu povo mas as dificuldades impostas por Israel não impediram que institui-se uma guarda pretoriana. Provavelmente é ligeiramente exagerado a comparação com Che. Os tempos que se avizinham no Médio Oriente são uma incógnita e que não se enquadra neste âmbito é o previsível extremar de posições. Arafat não soube ser um Che e nem pensou em ser um Gandhi mas tinha uma credibilidade que agora desapareceu.


Comentado por Margarida "Pode ter sido um pouco condescendente com algumas atitudes extremistas, mas também acho que muitas das vezes foi ultrapassado pelos acontecimentos. O que mais sinto na perda de Arafat tem a ver com o carisma e os ideais dele. Imaginas-te a viver num país eternamente saqueado e oprimido? Mas que condições têm aquelas pessoas para viver? Quantos já nasceram em campos de refugiados? E cresceram? E morreram? E outros que continuam sempre lá, no mesmo sítio, com os mesmos ideais e desejos de algo que para nós é tão fácil e tão básico: a liberdade, mas que simplesmente não a conseguem ter? Arafat pode sim aproximar-se de Che porque ambos lutaram pela liberdade de um povo, porque ambos morreram por essa causa e isso sim torna-os mártires e símbolos dela!A dignidade e o respeito por um povo estão em causa e creio que os próximos líderes serão possivelmente "escolhidos" pelo Ocidente com uma mãozinha de Israel.Já não há lideres carismáticos (excepto talvez Xanana Gusmão). A globalização deste Mundo é assustadora. Somos quase todos obrigados a pensar o mesmo, a vestir o mesmo, a comer o mesmo. Viva a liberdade de pensamento, vivam as pessoas com ideais, vivam os corajosos e viva a Paz porque essa depende de todos nós!"

publicado por vitorcandidojose às 16:38
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Sensibilidade e Conhecimento

Comentário de António Dias “... e como se mede uma potência? Os interesses, esses mesmo (e outros) que determinam quem é quem no Universo. Por que razão não fazem a paz? A força advém-lhes da "riqueza" que lhes sustenta a pobreza de espírito. Caro Vítor, e porque tem sido sempre assim? “


 “Por que razão não fazem a paz?” Respondes a questão quando nos dizes que a “... força advém da riqueza que lhes sustenta a pobreza de espirito...”. Convenhamos António que faltando a Sensibilidade ao Outro e o Conhecimento torna-se evidente o caminho da imposição da nossa vontade que vence quando temos capacidade de sustenta-la pela força, prescindindo deste modo de construir uma relação onde convivam os interesses genuínos e equilibrados de ambas as partes. Podes perfeitamente extrapolar das relações de países até ao pilar da sociedade, as relação pessoais. Ainda dentro deste contexto, proponho-te que meças uma potência pela dimensão dos seus interesses e conjuntamente pela sua possibilidade de os impor e no extremo pela sua capacidade de destruição e aniquilação, o conceito é básico e irracional, é definido regularmente entre nós como a “lei da selva” . Existe um enorme paradoxo que podia induzir numa conversa profícua e saborosa. Que comunidade mundial é esta em que no extremo e vezes demais fora desse patamar, permite que a força seja avaliada pela capacidade de destruição maciça e não pela capacidade de construção?

publicado por vitorcandidojose às 00:16
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004

Angelical

anjo5.jpg
Não sou um entusiasta de efemérides, esses dias que nos lembram aqueles outros dias em que faleceram pessoas pelas quais nós nos sentimos unidos por afectos. Por isso é mesmo uma excepção lembrar hoje alguém a quem a estrada roubou a vida e com ele também um pouco da nossa riqueza. A sua musica revelava a forma como saboreava os dias, a forma como estava, a sua humildade onde se compreendia a distancia que tinha de palavras como vitoria ou derrota, ele foi um exemplo para todos nós. Hoje quando volto a ouvir "Pó de arroz" e "Cegonha", sinto em todo o seu esplendor a beleza da inocência, a perfeição da simplicidade. "Cinderela" é um hino a nossa juventude, a nossa feliz e apaixonante inconsciência e a beleza singela do Amor sem pedras, repleto de sonho. Carlos Paião é eterno através da sua musica e da sua atitude.
publicado por vitorcandidojose às 13:48
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Incredulo

Confesso que ainda estou absolutamente incrédulo. Ontem quando ironizava com o tratamento jornalístico do caso Arafat estava longe de imaginar os desenlaces subsequentes, nos primeiros jornais televisivos de hoje anunciou-se a morte do líder palestiniano e pois não é que a meio da tarde para meu espanto deu-se o dito pelo não dito e afirmou-se que “afinal” estava vivo. Será que não entendem que já não é um caso de incompetência profissional é tão somente fruto de uma corriqueira prostituição de princípios profissionais e valores de relacionamento humano. É evidente que existem bons profissionais de jornalismo em Portugal, é evidente, mesmo que neste caso não se encontrem.
publicado por vitorcandidojose às 01:13
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Terça-feira, 9 de Novembro de 2004

Estas, embirrações naturais

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Imagine um estudante de jornalismo, frequentando o primeiro ano do seu curso que é incumbido de obter informações relevantes sobre o estado de alguém que se encontra internado num hospital. Imagine que esse estudante elabora uma noticia onde considera que a pessoa em causa morreu. Horas depois envia-lhe uma outra noticia com uma ligeira alteração, afinal a pessoa em causa está viva. Passado algumas horas ele informa-o que a dita pessoa encontra-se em coma, algum tempo depois que não se encontra em coma, minutos depois que o coma é irreversível, depois adianta ainda que segundo fontes da família o coma já é reversível, já cansado deste aluno especialista em cambalhotas ainda vê sobra-lhe tempo para ele lhe informar que afinal o paciente não se encontra em coma isto porque segundo um colega do paciente ele abriu os olhos. Que nota merece este aluno, acha que ele pode ter esperança em pelo menos chegar a uma oral. Agora esqueça o aluno e pense que foi, por exemplo, com isto que a SIC nos brindou nos últimos dias que nota merece ?
publicado por vitorcandidojose às 08:37
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Embirrações naturais

Shrek06.jpg

Desculpem, não é um pouquinho de presunção considerar que 60 milhões de pessoas são estúpidas por inerência da nacionalidade e de votarem Bush? Humm

publicado por vitorcandidojose às 16:56
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Irmãos

Nem sempre se encontra alguém que queira assumir vivências e especialmente os períodos de dor, ontem dois irmãos com quem tenho relações de afectividade e que para o caso não vale a pena distingui-las, aproveitaram este espaço para torna-lo num momento de partilha entre eles e entre quem tiver oportunidade de ler. São textos de rara beleza pela evidência do exposto, pelo caracter de determinação ao faze-lo e pela forma bonita como o fizeram. Estes irmãos que se descobriram enquanto tal há muito pouco tempo não são apenas irmãos na dor são e terão de sê-lo em toda a dimensão da palavra. “A morte é um assunto resolvido na eternidade de um amor”


Jorge Dias : Caros Vítor e António, Aqui vai a minha reacção ao desafio: O meu pai morreu e ninguém sabe porquê! Tinha eu 18 anos quando a minha vida se tornou num pesadelo. Como se deve imaginar, sendo a adolescência uma fase difícil, dispenso-me de vos contar a «aventura do meu sofrimento». Claramente, fui-me perdendo com o passar do tempo. Estive anos num deserto, em que não via ninguém. E para vos ser sincero, também não era capaz de “enfrentar” o mundo! Fiquei sem a pessoa que me ensinava a viver, que me dava as bases, que me aconselhava, que me amparava quando estava triste, que me criticava, no fundo, que me amava… Fiquei sem nada. O vazio e o silêncio foram os meus companheiros durante muitos anos. E foi quando encontrei a filosofia de Sócrates, Kierkegaard e Kant que me senti “tocado” para levantar voo em direcção a outros caminhos. A filosofia era já aí o meu futuro. Já nos bancos da Universidade, dava comigo a pensar em temas que tinha conversado com o meu pai. Daí a minha Tese de Licenciatura tenha sido sobre a felicidade, porque quando penso nele, ainda hoje, só essa palavra me assalta a mente. E a sua força é de tal modo estridente, que a minha Tese de Doutoramento vai ser sobre a Ética da Afectividade em Ponty. Vivo e amo a Filosofia. E foi nesse caminho que encontrei a mulher da minha vida, com quem decidi ser progenitor de um filhote lindo. Nestas curtas linhas, está condensado todo o sentido da minha vida. E é essa a resposta a desafio do António Dias. A minha felicidade, plenamente encontrada, sentida e promovida… A morte é um assunto resolvido na eternidade de um amor, que nunca poderá ser mesclado com a negatividade dos sentimentos humanos que clamam a posse, o superficial desorientado pela constante insatisfação… Se te “encontrares”, saberás o que estou a dizer! A vida não perdoa àqueles que nunca se encontraram! A mim, parece-me processo fácil, mas moroso. E se tivermos a ajuda de alguém, pode ser que se consiga a num tempo mais curto!(...) Para mim tenho que devemos resolver o ontem, pois só assim podemos aproveitar o hoje e contruir o amanhã. Até lá ficarei à espera de vosso «ensimismamiento», isto se leram a minha Tese sobre Julian Marias! E não esqueçam o que disse no inicio: o meu pai morreu e ninguém sabe porquê! Mas hoje, tenho quase a certeza que foi por negligência médica. Mas ainda assim, acrescento: ninguém fez nada! Eu tinha 18 anos… e fico triste quando penso que muito poderia ter sido feito… A mensagem ficou! E aí, a fé é “lei” no nosso caminhar, pessoal, nas ruas da felicidade. Não tenham medo! Coragem!...”


António Dias : A vida tem destas coisas. Sabes, Jorge, eu fiquei sem o meu pai, sensivelmente com a mesma idade que tu (18 anos), mais coisa menos coisa. Estou a falar do mesmo pai. Tenho agora 55. Fiquei sem ele sem ninguém me dizer porquê. Mas que houve alguma negligência no processo, não tenho dúvidas. É um processo muito difícil. Perder um pai. E eu perdi-o, sabes bem, duas vezes. A primeira, tinha eu os tais 18 anos. O então só meu pai saíu de casa. Sem me dizer porquê. A minha idade e, fundamentalmente, a minha inexperiência de vida, deixaram-me atordoado. Eu tinha pai? Realmente tinha, mas nem sabia dele. Nada. Rigorosamente nada. E ninguém me dizia porquê. Mais tarde, tinhas tu 18 anos, eu voltei a perder o meu pai (então já nosso). Continuei sem saber porquê. Digo mais. Só dez dias depois dele morrer é que eu soube que tinha ficado, definiva e irremediavelmente, sem pai. Longe de querer medir dores, quero que tenhas a certeza que a dor me atacou duas vezes. Sem ninguém me explicar porquê, eu ia sendo re-consumido pela dor. Agora mais forte, talvez. Ele tinha partido sem se despedir de mim. E ninguém, Jorge, ninguém me permitiu que eu me despedisse dele. A vida é assim. Dura. Muito dura(...).”

publicado por vitorcandidojose às 08:47
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2004

Substantivos de Vida

Nestes apontamentos que são em parte os dias que fazem a minha circunstância já defendi que se avizinham tempos de renúncia. Voltarei inevitavelmente a este tema, por agora pretendo olhar paulatinamente para algumas palavras menos usadas, centrar-me nos elementos construtores das nossas relações, refiro-me as Virtudes e evidentemente lembrar pessoas que as usaram e deram-lhes o seu cunho pessoal.Impulsionado por uma conversa de jantar aproveito para manter o olhar sobre uma virtude, com a consciência que o ponto de vista apresentado é potencialmente conflituoso especialmente por abordar e ferir determinados gestos correntes que quase todos temos.A primeira virtude é a Compaixão. Provavelmente e paradoxalmente esta deve ser a única virtude da qual as pessoas não simpatizam ser alvo dela essencialmente pela condição e circunstâncias inerentes. Compaixão é partilhar e compreender um sentimento de dor, sem partilha é frieza e sem compreensão é ignorância e Compaixão não convive com a frieza nem com a ignorância. Há uma confusão entre compaixão e piedade, piedade é um pseudo sofrimento com o sofrimento de outrem, advindo apenas uma passividade e um sentir inerentemente de superioridade, “coitado” é habitualmente a palavra usada neste contexto. Compaixão é recusar considerar um sofrimento seja ele qual for como um facto indiferente e um ser vivo seja ele qual for como uma coisa. Compaixão contraria a crueldade que se regozija com o sofrimento dos outros e do egoísmo que não quer saber dele.
publicado por vitorcandidojose às 09:00
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004

Noite de Sexta

Os espaços vazios não perduram nas pessoas nem nas estruturas. Quando se promove alguém sem capacidade, quando se oferece um privilegio a alguém sem mérito, emite-se uma mensagem para a estrutura que inevitavelmente abre um buraco no espaço do empenho que é preenchido com a preguiça, no espaço da motivação aparece agora o desinteresse, o orgulho é ocupado pela baixa estima, a justiça pela injustiça, o espirito colectivo pelo individual e nessa altura onde havia união há agora intriga. A Instituição resiste no nome mas enferma nas praticas e mais cedo ou mais tarde a resistência sucumbira e então sobra a mediocridade, deparamos com ela quando ouvirmos que o pouco foi suficiente e o mau foi bom.
publicado por vitorcandidojose às 08:57
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2004

Equívocos culturais

Há uma vacuidade de orientações governamentais no que se refere a área dos T.N. ( teatros nacionais ) que não sendo em si novidade é substancialmente agravada pela redução do financiamento apresentado no relatório do Orçamento de Estado para 2005.

600 mil contos, para três Teatros Nacionais, pretendendo com essa verba cobrir um leque tão vasto de áreas que vão desde, a garantia de espectáculos líricos e sinfónicos, obras de beneficiação, passando pela divulgação e informatização dos serviços ou muito me engano ou alguém vai ter que ter o dom de Midas para transformar dividas em activos.

 No âmbito dos Teatros D. Maria II e do S. João uma redução para os valores apresentados, obrigava a uma orientação e a criação de normas entre estas duas Instituições executada pela tutela, por forma a criar as condições para as duas direcções destes teatros apresentarem uma temporada quase exclusivamente em sistema de produções mistas ou alternadas, com apresentações em ambos os teatros. Um sistema absolutamente defensável para estas duas Instituições, a orientação não é esta, mas também não é nenhuma, imagino as agruras que estes valores tem provocado na Praça Rossio e na Praça da Batalha.

No São Carlos 200 mil contos para orçamentar uma temporada lírica são não um lirismo mas um dislate. Para o lado da Praça de São Carlos a situação é inevitavelmente mais grave empurrando o teatro para uma letargia que se esconde em obras de café.

Na CNB a realidade é absurda e somente pela sua ausência desta neste orçamento. Destinar 200 mil contos para gestão, produção, comunicação e imagem e continuar a ignorar a realidade efectiva e mais forte desta companhia que é a existência do Teatro Camões é um absurdo.

Todas as apresentações de temporadas vão sendo adiadas, sine die, por forma a permitir que as direcções consigam da tutela a atribuição de mais meios financeiros, retirados ou do PIDDAC ou de outra parcela orçamental. O relatório do Orçamento de Estado enquadra-se com as expectativas para este sector da cultura portuguesa que essencialmente não são nenhumas.

publicado por vitorcandidojose às 13:13
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