Sexta-feira, 29 de Outubro de 2004

Revelar palavras assumir tempestades

Quando causador ou conivente de alguma forma com situações prejudiciais para outrem ou para mim, procuro imediatamente atravessar a tormenta e vence-la. Não me identifico com a opção de uma espera que perdure e que me obrigue a ficar no meio do deserto, iludido por uma ajuda divina, embora já tenha aberto a porta da Fé, ela é ainda apenas uma facção minoritária do meu Acreditar, esse assenta em mim e no outro.


 Mas às vezes os tropeções nos dias causam mais mossa e o chão torna-se nosso parceiro, nessas alturas a embriaguez dos sentidos tenta transformar uma adversidade na minha vida, no problema da minha vida. Nessas alturas fico doridamente em silêncio, partilho o tempo com os dias que desfalecem lentamente e prolongam-se em períodos de angustia em que cada saída é aos meus sentires um beco e em que cada horizonte que vislumbro esconde inevitavelmente aos meus pés um precipício. Como te digo nessas alturas a partilha e o meu parceiro são um vazio de humanidade, são elementos que funcionam como instrumentos de tortura, fico triste e só, “...quantas inconfidências já foram feitas a luz da vela?...” mais assertivo seria dizeres quantas confidências tiveram como companheira e ouvinte só a luz da vela.


 Empurrado pelo meu Acreditar, os elementos vão tendo outra função para mim, sofrem uma mutação de carrascos para cúmplices, passam a ser abrigos das tempestades. Com alguma distância consigo ter uma abrangência dos acontecimentos que geraram estes sentires. De forma deliberada começo a procurar, camuflada ou assumidamente aquelas pessoas com quem tenho afinidades para que sejam meus parceiros e partilhe essa vivência. Assumo a consciência de mim próprio ( sou muito Socrático ) e Conhecendo-me e sendo Sensível ao Outro vou identificando uma solução que anule a tormenta e não deixe ficar ninguém para trás. E entenda-se que para mim ficar para trás não existe fisicamente mas espiritualmente.


 É fundamental tomar consciência de nós próprios, só assim poderemos promover escolhas e restringir a angustia da duvida e da opção errada, esse álcool que embriaga os nossos sentidos e que empurra para depressão e coarcta a Felicidade.


Este artigo foi uma  resposta ao desafio de Antonio Dias em consequência do seu comentario deixado no texto "Vivendo num passado não tão distante"


Cinco estrelas. Bom fim de semana, Vitor. Enviado por Antonio Dias 

publicado por vitorcandidojose às 00:10
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2004

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socrates2.jpg


Arouca já é mais do que um desejo é um querer do qual se aproxima a descoberta e o reencontro proporcionado, a amizade é também saber trair a distância, pois então cumpra-se o desígnio.

publicado por vitorcandidojose às 09:25
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Os temporais de Viver num passado tão distante

O Antonio Dias que alia uma das vozes da rádio mais potentes do nosso burgo a um humor sobejamente característico, vive um problema de conflito de personalidades, tens dias em que interioriza ser o Luís de Matos e julga-se ilusionista, o que é uma patologia controlada, a minha preocupação é que um dia destes, nesses conflitos de personalidade se julgue Primeiro Ministro e desate a ter ideias brilhantes, tais como mudar São Bento para Almada ou colocar professores a apoiar juizes ou pior ainda, decida pedir ao compadre que despercebidamente vá expulsando um vizinho mais chato, mas enquanto tal devaneio de personalidade se mantém controlado, decidiu fazer uns truques de magia, pretende-me iludir com as palavras e ainda me desafia a encontrar o sentido. Para já fica já um resumo dos comentários


“...A grande questão é saber se o "artista pensador" vê aumentados ou diminuidos os seus dotes de comunicador, em face da penumbra e da dúvida sobre as consequências do temporal. Esperando sempre o melhor (dos fracos não reza a história), concluímos alguma coisa? Ou o que fica da tempestade, da penumbra que não foi anunciada, não nos permite lá chegar? Quantas inconfidências já foram feitas à luz da vela?(...) Encontro, por acaso, dois miudos à procura da felicidade. Não sei se a convencional se a de um qualquer filósofo, por muito "barato" que seja. Do "vale em todo o lado" ao "quis falar-te e não sabia de ti", vai uma fragilidade de vidas. O mais certo é estarem, ambos, do lado oposto. Mesmo que não seja essa a sua intenção. Creio que percebem esta minha intervenção. Curta, propositadamente. E não responderei a perguntas do género ..."o que queres dizer com isso?" Afinal, se eu fosse filósofo, teriam que me entender. Ou fazer por isso. É o desafio que vos lanço. Com um abraço. A ambos, claro. “

publicado por vitorcandidojose às 01:11
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2004

Vivendo num passado não tão distante

O Sol esconde-se e a penumbra invade todo o espaço, a luz apaga-se generosamente e o dia fica moribundo, apenas um candeeiro a petróleo deixa escapar as formas dos objectos.
O dia escorrega agora para uma folha de papel confidente, nessas palavras que revelam o meu dia e o deixam perpetuado. A luz inconstante do candeeiro confunde-se por momentos com a minha cabeça e também nela vivem ideias com luz que ardem dentro de mim, algumas consomem-me.
Fica em mim um sabor de passado que me apraz ao escrever este diário a luz da vela, tudo porque a luz eléctrica escapou no meio de um vendaval e deixou--me temporariamente a viver saborosamente no século passado.
publicado por vitorcandidojose às 08:50
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Domingo, 24 de Outubro de 2004

O miudo tem saudades

O miúdo tem saudades de ti. Saudades até das coisas mais banais, o que suponho deve transformar este sentimento em algo de crónico, enfim nem sempre os dias são o que desejamos e nem sempre temos a força para os empurrar na nossa direcção e assim vou sendo invadido por um sentimento de saudade que também serve para quebrar a distância e que portanto paradoxalmente aproxima.


Entre nós a cumplicidade assenta numa confiança e no bem-querer que nunca o espelhamos em palavras, intuímos profundamente que nem que seja no último segundo estaremos presentes na vida um do outro.


 Mas hoje quero “espelhar” em palavras o que vejo da tua imagem reflectida, quero deixar transbordar aquilo penso de ti Serafim, quero dizer que tens uma beleza interior riquíssima e invulgar, sabes, penso que só pode ser uma dadiva de Alguém muito importante permitir que cruzemos a nossa vida com pessoas com o teu valor.


 Eu sei que “branco é uma raça complicada” especialmente quando comete o ultraje de numa sociedade tão carente subvalorizar pessoas deste calibre

publicado por vitorcandidojose às 14:57
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2004

Opinião sobre artigo Eles confundem liberdade com libertinagem

( comentário da Carla ao texto de ontem) Estes são os estudantes de hoje os governantes de amanhã. Alguns deles encontram-se perdidos de ideais, de princípios, de espírito de sacrifico, são egoístas, mal-educados pensam que o mundo gira à volta dos seus umbigos. Encostados nos Paizinhos e nas Maezinhas que lhes pagam os carrinhos, os telemóveizinhos, os copos à litrada com os amigos, as noitadas, lá vão levando os dias. Tudo isto tem uma explicação a maioria dos pais para colmatar a falta de atenção que dá aos filhos acha que assim preenche esta lacuna, um outro aspecto muito importante é a aparência, é bem ter um carro que dá nas vistas, um telemóvel que até tira fotografias, uns óculos que são o último grito (porque mesmo que não se goste, usa-se) ir aos bares da moda. Vivemos numa sociedade de consumo e aparência que precisa de mudar urgentemente de caminho, enquanto forem estes os “valores” os “ideais” estamos mal.


 Não reduzo os universitários a uma única fauna. Separo a fauna dos ditos “queques” que descreves, desta outra “fauna” que no meio das atitudes imbecis que produz ainda ousa usar as palavras liberdade e fascista, vulgarizando-as. Sinto-os perdidos, parecem capazes de ver muito, mas ao mesmo tempo são imbuídos de um vazio de orientações que os torna incapazes de perceber quase tudo. Sabes que em relação a linha que traças entre a pobreza desta fauna de universitários e o futuro deles vai para mim uma linha recta com o nosso presente que tem como legenda, pior é difícil . “É bom para a mãe é bom para o avô é bom para o bébé”. Nós ouvimos isto ???


(comentado por margarida )“De facto acho que os estudantes são mais do que tudo isso. São de facto o futuro, mas e que futuro? Se começam logo os cursos com perspectivas de desemprego. A irreverência dos jovens estudantes não pode de modo algum ser reduzida a "geração rasca". Tenho lidado muito com jovens e sei que o que os move é acima de tudo um forte idealismo; é o pensarem que o mundo afinal de contas pode ser bem melhor.(...) Reduzi-los todos à insignificância de "parasitas sociais" não me parece justo....”


Arrepia-me essa expressão dos jovens serem o futuro, no meu tempo de associativismo estudantil pugnava sempre pelo nosso papel no presente, a juventude não é uma massa imberbe a espera de viver um futuro distante, o seu papel enquanto jovens realiza-se no presente. Se o percurso que a sociedade lhes oferece finda num desemprego então cabe também a esses jovens construir o seu futuro, o potencial desemprego no final do curso não pode abrigar atitudes imbecis como as tidas esta semana em Coimbra, aliás quantas manifestações viste os jovens realizar mostrando a sua preocupação em relação as suas saídas profissionais. Eles são realmente idealistas, mas cheios de ideiais que não se ligam entre si e completamente perdidos na orientação a tomar. Por fim concordo que é exageradamente fácil reduzi-los todos a “parasitas sociais” mas que os há, há, e cada vez mais.

publicado por vitorcandidojose às 00:46
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2004

Eles confundem liberdade com libertinagem.

Há excepções, mas grande parte usa e ostenta um estatuto do qual desconhece o sentido mais profundo. Sentem-se no direito de distribuir pontapés no que lhes aparecer a frente, são rudes, grosseiros, mal-educados. Não fazem parte de uma geração rasca isso é apenas um chavão para branquear o fracasso da geração de Abril na transmissão dos valores conquistados. Estes “estudantes” não sabem o que custou a Liberdade que hoje pisam, não entendem qual é o papel social deles e em consequência não fazem a mínima ideia para onde vão, são uma geração órfã de ideologias e que fica na memória com um único rotulo o de “não pagamos” é extremamente pobre. Esta é uma geração perdida, é a minha geração

publicado por vitorcandidojose às 08:50
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2004

O Padeiro

As palavras de Jorge Dias no texto de Domingo “Há fases na vida em que apenas nos bastaria uns «pãezinhos quentes», para nos sentirmos bem com a vida. Mas a vida nem sempre nos permite esse luxo. E as situações são várias: ou os pães estão frios quando os vamos comprar, ou já não há pão (frustração total!) ou o pão é artificial... Por estas adversidades, costumo comprar o pão sempre na mesma padaria. Acontece que a "minha padaria" fechou. O senhor deve ter-se reformado, espero eu! Houve quem dissesse que ele tinha morrido. Só sei que agora a minha vida perdeu muito... Tem sido dificil habituar-me a um novo padeiro... Como sabem, o capitalismo venceu e toda a gente quer ganhar dinheiro! Que se lixe a qualidade de vida! E que se lixe o enorme afecto que eu nutria por «aqueles pãezinhos quentes» que eu costumava encontrar em vários sitios. O padeiro com que eu cresci, era vendedor ambulante... Apanhei-o no Bairro Alto (Rua da Rosa), no Alentejo, no Algarve, etc... Era tão bom saborear aqueles pãezinhos. Eram momentos de intensas vivências: fosse ao pequeno almoço, fosse ao almoço ou ao jantar... Recordava partilhas, conversava, sentia muito afecto, sempre acompanhado pelo enorme carinho com que aquele padeiro fazia os pães "para mim". Hoje, também eu já posso morrer! Encontramo-nos fora do tempo... Até lá! “


Terá morrido o padeiro que descreves? Terá sucumbido a força das grandes superfícies que abundam e inundam e consomem a nossa Rua? A importância que ele tem nos dias da minha Rua, é para mim motivo mais que suficiente para deixar o aconchego de casa e enfrentar uma pequeno tempestade que traz consigo este Outono. Encontro a Rua deserta, receio que tenham partido e apenas deixado memórias de outros dias e de outras tantas ilusões. Há um frio que enregela que teima em perpetuar-se, são tempos de renuncia que se avizinham. A Rua é fria e distante, parece esquecida de si mesma. Pergunto com quem me cruzo na Rua onde se encontra o nosso padeiro, alguns dizem-me que no mesmo sitio de sempre, outros pensam que ele tenha mudado e não sabem bem para onde nem qual a razão que substantivou essa mudança. Acredito que a noticia da morte do padeiro é ligeiramente exagerada, talvez um boato invejoso tivesse sido espalhado pelo Bairro. A minha procura atravessa a Rua e prolonga-se até ao passado, algum tempo depois decido pela evidência e procuro por ele onde as árvores teimam e as flores se escondem. Num banco, sentado, encontro o nosso padeiro. Tem um t-shirt azul clara com um colarinho azul escuro, tem um olhar triste, mas mantém aquele sorriso de miúdo, contempla a Rua, conta-me que não desistiu da sua labuta que o seu pão mantém o essencial, o Acreditar, juntou-lhe um pouco de Fé talvez porque as pessoas lá da Rua assim o obrigassem, tem um ar cansado e sabe que em algumas casas o pão falta e desabafa-me que essa falta começa na dele. Pede-me um tempo, olha para as mãos e garante que o pão vai voltar pelo menos igual ao que sempre criou, mas agora fraqueja e procura um abrigo desta chuva que teima em passar pela Rua. Somos realmente uma sociedade consumista. Essencialmente consumimos um Bem, Nós próprios. Quantas vezes a verdade foge nas palavras sem que nós paremos para olhar para ela.

publicado por vitorcandidojose às 00:09
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2004

Agitar as águas

Não se precipite na conclusão. Proponho que Francisco Louça seja o substituto de Marcelo como comentador da TVI, pode numa primeira abordagem parecer absurdo mas a conjectura prova o contrário. A TVI com este escândalo perdeu a credibilidade jornalística em duas vertente angulares do seu trabalho. A nível interno, com a interferência da administração em conteúdos jornalísticos e numa segunda vertente, na sua linha informativa que foi alterada por pressões governamentais. Torna-se um meio para a reconquista da sua independência manter o formato e a orientação dos comentários de Domingo, Francisco Louça é um comunicador nato e o elemento capaz de garantir a estação de Queluz audiências e a dignidade perdida. Pacheco Pereira seria também uma solução mas menos arrojada. A escolha de Francisco Louça, deputado assertivo, teria consequências políticas suficientes para abalar o governo e o PS arriscava-se a ser encostado na oposição pelo Bloco. Interessa agitar as águas.
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Domingo, 17 de Outubro de 2004

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a-quatro-maos.jpg

Há momentos que não são meus, são nossos para sempre
publicado por vitorcandidojose às 10:36
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2004

Impressões soltas

O meu amigo Jorge, aproveitou o texto de ontem para fazer uma invocação da nossa amizade e da distância que nos atormenta especialmente por ser castradora de uma partilha mais intensa. Costumo dizer que a amizade é saber trair a distância e ultimamente isso não tem sido fácil. Este meu amigo faz parte dos professores que todos os anos esperam uma colocação numa escola algures, todos os anos carrega as costas as angustias, duvidas, frustrações e a saudade. O sistema de colocação de professores não é um fracasso deste ano, um fracasso de conjuntura é um fracasso estrutural da nossa democracia, o que torna a problemática totalmente diferente. Permitam-me a confissão, hoje senti-me passar por tanta gente sem ser tocado nem tocando, há uma sensação de vazio quando deixo escapar os dias pelas mãos e eles ficam cheios de nada.


( Comentado por Carla )Desde há dias que sinto um alheamento emocional que me suga as energias e fico assim perdida num turbilhão de pensamentos e ideias que me levam para todo o lado e para lado nenhum, o cérebro anda a mil, à volta parece tudo louco fruto da desorientação e da falta de directrizes em que vivemos. Corroemo-nos por dentro face ao que vemos e ouvimos e vamos sendo engolidos e totalmente absorvidos por estes dias que não nos trazem nada a não ser dúvidas. Quando damos por nós o dia passou e ficámos à margem porque não tivemos “tempo” emocional para estar com aqueles que amamos. Mudar é urgente, mas para mudar temos que acreditar, acreditar com esperança com convicção e fundamentalmente com Fé, porque só assim conseguimos levar o barco em frente e quem sabe levar alguns no mesmo rumo, confesso que às vezes tenho muitas dúvidas vivemos numa sociedade de consumo virada totalmente para a aparência, para a hipocrisia perdendo-se assim os valores os princípios que ficam numa caixinha muito bem fechada não vá ela abrir-se. Respira-se um ar podre e bafiento que dá nojo pelo menos para os que lutam para se manter à margem desta bola de neve. Restam aqueles breves momentos em que podemos sentir o conforto, o aconchego de um abraço, de uma palavra, de um beijo daqueles que Amamos, porque Amar é preciso


É no esquecimento do outro que o ar que respiramos se torna sujo. A urgência de mudar nasce do Amor pelo proximo. Amar é preciso, na mais profunda e intensa dimensão da palavra.


 

publicado por vitorcandidojose às 02:02
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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2004

Impressões soltas

Por mais irreal que pareça, confesso que nunca vi a “Quinta das Celebridades”, deve parecer quase tão estranho como confessar que pago impostos pelo menos pelas reacções que sou alvo quando afirmo tal coisa. Mas o objectar-me a injectar-me com um mundo de futilidade não garantiu que me tivesse safado de ouvir um pouco por todo lado relatos mais ou menos avulsos das aventuras passadas em tal paradisíaco local. Tais relatos acercam sempre o mesmo tema, o que me levanta uma pequena questão, será correcto servir para chacota nacional um rapaz que evidentemente evidencia distorções comportamentais e fragilidades de personalidade assentes em problemas de caracter psicológico potencialmente oriundos de acontecimentos na sua infância que podem até ter contornos violentos ? Garanto que não é o puritanismo que é invocado pela minha pequena assertiva duvida.
publicado por vitorcandidojose às 02:15
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2004

Ferramentas de Vida

Ainda não sei quando comecei a compreender que já não chegava a convicção para ancorar a palavra Acreditar, pensei apoiar-me na esperança mas para quem as convicções eram uma corda que se trilhava nos dias, esperança era algo de substancialmente ingénuo, quantas vezes morreu a esperança? Para auxiliar a Convicção, o recurso teria de ser da ordem do metafísico. Encontrei-me com a Fé e fiquei solitariamente agastado por recorrer a algo perto do Divino para apoiar a minha mais preciosa palavra. Eu que nunca tive “jeito” para acreditar em Deus, tenha Ele a forma, a personalidade e afins que lhe queiram atribuir e definitivamente nem sequer nunca olhei para um homem, um ser tão imperfeito, como sendo Deus, aliás teria de ser imbecil demais para seguir semelhante esquizofrenia, acabei por Acreditar que algo é transcendente a nossa compreensão passível de ter a moldura de uma justiça divina e desta forma apoiei-me na Fé. Sendo apenas um recurso para garantir a Convicção quando nos divorciamos dos dias e os vemos afundarem-se nas tempestades, formando enxurradas que levam no seu turbilhão pertences do coração, como pequenas virtudes que estimamos, gestos que encantam ou aquela elevação que ansiamos e não encontramos.
publicado por vitorcandidojose às 08:50
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2004

Contos e fabulas

Ontem Santana Lopes, numa mera opção de propaganda decidiu proferir um discurso amplamente anunciado. Eu optei por ler a “fada oriana” de Sophia de Mello Andresen, a ter que me injectar de palavras que o próprio desconhece, ideias gastas e um vazio de atitudes, estou cansado deste governo profícuo em iniquidades, vou optando pelos contos de fadas e olhando pontualmente para a fabula que se vai desenrolando nos dias que correm, ou muito me engano ou a minha geração vai aprender uma dura lição.


(comentado por Margarida )“...Só pode ser, mas isso também é falta de respeito. Pelos vistos a "janela de esperança" que nos estão a abrir deve ser minúscula, porque infelizmente as portas que se nos abrem (quando abrem) são muito pesadas! Portugal não estagnou ! Não, estamos é andar para trás. Cada vez mais longe de tudo e de todos! Temos pouca auto-estima ? Bom, mas também não me admira, os políticos não nos respeitam! Enfim. Onde estão os políticos honestos? Pelos vistos tornou-se uma raça extinta. Respeitem-nos por favor!...”


Não peças respeito. Respeito é uma palavra que não cabe quando os objectivos existentes são de promoção pessoal e de uma ânsia desmedida pelo poder isso conduz a uma postura cega. Somos escravos encapotados de uma realidade que não construimos e que cada vez mais somos impotentes para lidar com ela


 

publicado por vitorcandidojose às 08:36
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Mudar uma atitude urgente

Mudar as coisas, significa aceitar uma guerra e raros são aqueles que hoje lutam por ideias e vencem por princípios.
Tento conseguir entender a razão pela qual determinadas pessoas fazem um determinado tipo de discurso, onde as suas palavras não casam com os seus actos, quero fugir a simplicidade de encontrar na hipocrisia a razão única destas situações.
Por muito crentes que sejamos dos nossos ideais, eles esbarram no dia-a-dia com a fúria de um sistema onde o vicio há muito se instalou, onde a regra é a da acção encapotada e o objectivo o dinheiro.
As pessoas que são expostas a estes sistemas e desejam manter-se a margem, acabam muitas vezes subjugadas por eles, quer por receio de represálias, despedimentos, falta de poder, ou simples acomodamento. Será que ficamos condenados a sentir que mudar foi um devaneio de juventude e apenas a ingenuidade alimenta esse desejo
publicado por vitorcandidojose às 08:33
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2004

Laborar

O petroleo é neste momento o melhor investimento, receio que todos começemos a armazenar o famoso ouro negro para já vou exigir à minha entidade patronal que os aumentos salariais seja indexados ao preço do petróleo.
publicado por vitorcandidojose às 08:40
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Impressões soltas

O menino Morais Sarmento na frase “como calar um comentador” cometeu um erro de ortografia, onde colocou “o” ponto final, devia ter colocado uma virgula, pois essa frase tem uma segunda oração que é, “como depois fomos entalados pelo dito comentador”. O menino Paulo Portas disse este Sábado que o menino Santana “tinha poder e influência”, há frases que matam.
Quando olho para este governo ocorre-me sempre uma fatídica frase. Há duas formas de propiciar o desastre, exigir o impossível e adiar o inevitável.
publicado por vitorcandidojose às 08:34
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Sábado, 9 de Outubro de 2004

O mundo anda estranho

P8140060_resize.jpg

Final da tarde de Sexta-feira passada, o Sol de Agosto deste Outubro foi varrido por um vendaval. Há uma poeira no ar. Cruzei-me na praça do Rossio com uma mulher, vestida com umas calças de ganga normais e um top de decote barato, entre os seios tinha brilhantina??? No final da praça um homem de megafone gritava que a salvação era Deus. O mundo anda estranho, avizinham-se “tempos de renúncia”.






publicado por vitorcandidojose às 08:58
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2004

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Não conheço tempo verbal que encerre no passado o verbo resistir, a resistência perpetua-se sempre no âmago dos que seguem os exemplos daqueles que na vida perfilharam esse caminho.
publicado por vitorcandidojose às 08:45
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

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betancourt.gif Há neste olhar uma força sem dureza, uma coragem sem violência. Esta mulher foi estropiada da sua família e da sua luta que persistentemente conduz na Colombia. Uma guerrilha denominada FARC raptou-a há 34 meses. Sequestrada por homens que se auto denominam libertadores do povo, tomaram de forma vil e cobarde o símbolo da esperança colombiana.


 Ingrid Bettencourt disse do seu pais aquilo que os políticos só arriscam dizer em voz sumiça, disse-o e repito-o em inúmeros encontros com o seu povo, criou um partido político denominado "Oxigeno", afirmou-o enquanto Senadora e fez disso manifesto político da sua candidatura a Presidente da Republica. E o disso que falo e que cobardemente é comodamente ignorado pelos governos dos países ditos civilizados é a mordaça que aprisiona a Liberdade de um pais enlameado de droga, de corruptos, ensanguentado por raptos, assassínios selectivos, massacres numa espiral que tem a jusante uma guerra que conduziu já ao degredo da vida duas gerações de Colombianos.


Não há nesta guerrilha de assumido pendor de esquerda, uma estratégia que justifique este rapto, há uma exclusiva razão plausível para manter Ingrid Betancourt em cativeiro há 34 meses, essa razão prende-se com um facto crú, o de estar a referir-me, a energúmenos. Ingrid não preconiza somente o combate à droga e dos sujos interesses associados, preconiza o que de mais nobilíssimo existe numa vida, a luta pela libertação de um povo. Consome-me a complacência dos políticos dos países civilizados, expressa num silêncio ou em escusas de circunstância. É obsceno o relacionamento da cultura Ocidental com a Colombia, assenta essencialmente numa parcela substancial dos 400 a 500 biliões de dólares provenientes do comercio da droga e nos interesses pela exploração petrolífera é especialmente por estes motivos que os civilizados sujam as mãos. É por estas razões de Estado que ignoram as ameaças, as tentativas de atentado e o cativeiro desta mulher que ergueu um partido, tornou-se na senadora mais votada da Colombia e é a esperança viva de um povo e de todos aqueles que suprindo a distância física sentem a ignominia Colombiana e acreditam no direito inalienável a vida e perfilham um ideal de ética.


 PS : Honrosa excepção para o Rei Ruan Carlos que tem preconizado um esforço visando a liberdade de Ingrid.

publicado por vitorcandidojose às 00:53
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2004

Amar ou não Amar

Não te perdeste, quem ama não se perde. Amar é essencial para a nossa vida, quem perdeu a capacidade de amar ficou limitado a viver nos subúrbios de si. Imaginas viver a vida em tons cinzentos? Tu que em cada palavra deixas o rasto do teu coração, imaginas apaga-lo com as agruras da vida. Antes a dor da alma do que o vazio da vida. É bom estares apaixonada por ti, pela vida, pelos teus amigos e claro por alguém. O amor não se esmaga deixa-o brutar, cuida dele. Independentemente do que te escrevo, lembro-te que a vida também ensina que nem sempre os outros são credores dos nossos afectos, toma cuidado contigo. Segue o caminho do teu coração mas com temperança e não te percas.


 (comentado por Lua ) Quem ama VIVE ! E quem vive sente, e pode sentir a Felicidade! beijitos da L_U_a Enviado por L_U_a em outubro 6, 2004 08:59 AM

publicado por vitorcandidojose às 08:40
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Domingo, 3 de Outubro de 2004

Impressões soltas

Não suspeitem de nenhuma intervenção neste blog dos técnicos do Ministério da Educação ou da Compta, os textos repetidos foram exclusivos da azelhice do autor.
Ao correr da pena deixo um curto olhar pelos dias que vivemos.
O acidente de Palmela, além da imbecilidade dos intervenientes e do custo humano, deixou-me com algumas duvidas. O responsável pelos atropelamentos foi presente a uma juíza, acusado de três homicídios e foi decretada a sua prisão preventiva. Se a memória não me falha no mês passado um condutor embriagado ceifou a vida –salvo erro- a duas pessoas na 24 de Julho e pôs-se em fuga, foi detido alguns dias depois e presente a um juiz que ordenou que aguarda-se julgamento em liberdade, provavelmente com umas apresentações semanais na esquadra do seu bairro. É impressão minha ou estes casos são um paradigma de justiça arbitraria, ressalvo o facto de não conhecer os processos mas os indícios de arbitrariedade são graves. Fico satisfeito pela nossa comunicação social ter reparado no caso e de imediato ter procurado esclarecimentos sobre os processos em concreto e partindo destes crimes para uma análise das potenciais arbiteriedades no sistema, o debate gerado foi importante para corrigir o modelo judiciário e informar os Portugueses. É impressão minha ?
A noticia do Expresso deste Sábado não é o que aparenta. É uma mensagem para dentro do PSD tendo em linha o congresso que se aproxima, serve para acalmar as hostes Sociais-Democratas. A subida a Secretário Geral do PS de Socrates coloca o debate político no centro e um PSD agarrado ao PP em campanha iriam naturalmente guinar a direita deixando o milagroso Centro a mercê do PS. É pena que a necessidade de centralizar o partido não fosse publicada no Povo Livre por um artigo que fizesse doutrina nesse sentido e se tivesse optado pelo expediente do “soundbyte” que tornou-se confrangedor ao ver a facilidade com que a fonte do Expresso negou dias depois a existência desse acordo.
As eleições presidenciais norte-americanas tiveram o primeiro confronto televisivo entre os candidatos, a generalidade dos analistas considerou a prestação de Kerry avassaladora e tirando a ilação de considera-lo o vencedor da noite. Tenho opinião contrária, estrategicamente Kerry perdeu. Entusiasmado pela desorientação de Bush, gastou demasiados trunfos cedo demais, tal atitude vai agora conduzir a um acréscimo da radicalização do discurso de Bush, exclusivamente emocional. As expectativas para o próximo debate vão inevitavelmente recair sobre Kerry e a sua capacidade de manter o mesmo nível o que se afigura bastante difícil, mais facilitada a tarefa de Bush que apenas precisa de ser um razoável pregador. Kerry já provou perante os norte-americanos o fracasso da guerra do Iraque e a dor causada por essa guerra, falta-lhe provar que é determinado no combate ao terrorismo e nessa área precisa de apresentar ao eleitorado algo que apoie na fundamentação da sua determinação, um objectivo, um nome para preconizar o combate podem ser o caminho.


publicado por vitorcandidojose às 13:02
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2004

Um novo ar

Há um novo ar em Évora. Nesta semana em que por motivos profissionais o meu quotidiano se cruzou com esta terra, tive o prazer de sentir uma nova dinâmica. Os habituais frequentadores da Praça do Giraldo não têm qualquer duvida em garantir que esse milagre é da responsabilidade de um homem, o Sr. Amaral e a sua corte trazem uma mão cheia de planos. Isto de ter um Secretário de Estado torna tudo diferente, finalmente o Teatro Garcia Resende tem planos de recuperação, o centro histórico ganhou uma nova dimensão, o Portugal profundo encontrou em Évora um arauto cultural. Regozijo-me pela capacidade visionária do nosso primeiro ministro nada será como dantes. Proponho mesmo a titulo de exemplo a deslocação do gabinete do primeiro-ministro para Barrancos. Abaixo o Terreiro do Paço viva a regionalização
publicado por vitorcandidojose às 03:01
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