Terça-feira, 28 de Dezembro de 2004

Cultura procura-se

No Expresso do passado fim de semana, Alfredo Barroso aproveitou o termino da sua colaboração com este semanário para lembrar entre outros assuntos a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo. Companhia essa que ainda há pouca semanas tive oportunidade de ver em Lisboa apresentando o espectáculo AmarAmalia. É este um perfeito exemplo do vazio cultural elaborado com rigorosa vacuidade pelos últimos Ministros da Cultura. Esta Companhia que antes da sua apresentação em Lisboa se apresentou na meca da Cultura mundial, Nova Iorque, tendo recebido o aplauso de quem viu, inclusive da critica, com relevo para o “The New York Times” que considerou o AmarAmalia um dos “melhores espectáculos que passaram este ano por Nova Iorque”. Esta Companhia que foi fundada por Vasco Wellenkamp, tendo ele todo o mérito, ao edificar a maior companhia de dança não estatal, contagia-la com a sua energia e assentar este projecto sólido na qualidade humana dos seus intervenientes. É exactamente esta Companhia que vive uma enorme debilidade financeira que pronuncia a morte deste projecto. São 30 pessoas algumas delas em dedicação exclusiva, o mérito artístico, o trabalho realizado tudo perto de ser condenado ao vazio. Não venho defender subsídios, sou frontalmente contra eles. Quero apenas deixar algumas perguntas. Qual o empenho da tutela para com a excelência deste projecto? Onde se encontra a dita rede de teatros nacionais? A solução não é o subsidio, mas sim o palco para que quem tenha qualidade demonstre o seu trabalho e para que o maior numero de portugueses tenham o privilegio de assistir aquilo que é Cultura em toda a sua dimensão, é uma rede de Teatros que permite sustentar a excelência e estimula-la, oferecendo ao maior numero de pessoas as produções de qualidade, construindo uma linha artística que mantenha a diversidade, tendo uma preocupação na gestão financeira, o fomentar da permuta de experiências em todos os ramos do saber teatral, é disto e muito mais que se faz uma política para uma rede de teatros nacionais, ora isto é muito mais ambicioso e trabalhoso para todos do que a actual condição da política do subsidiozinho.


A escolha de Isabel Bandeira para vogal da Orquestra Metropolitana é uma feliz e merecida escolha que recaí sobre uma pessoa de caracter que alia uma natural diplomacia a uma também natural exigência. Uma boa noticia cultural que obviamente não tem origem na Ajuda.
publicado por vitorcandidojose às 01:25
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1 comentário:
De Anónimo a 15 de Março de 2005 às 15:52
Não podemos deixar de agradecer o comentário sobre a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo e a dificil situação que a mesma vive. Neste momento em digressão em Itália( Palermo,Perugia,Legnago e Mestre) com o bailado AmarAmália.
Sem ter ainda nenhuma verba atribuida pela C.M.Lisboa e pelo Ministério da Cultura a CPBC consegue com um enome esforço, mesmo assim, representar em Itália a dança contemporânea portuguesa contribuindo para a divulgação da mesma nos circuitos internacionais.
cpbc
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