Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2005

Pedroso

Para o PS, este homem foi vitima e porventura o mais penalizado numa pretensa cabala que o próprio Ferro Rodrigues garantiu não descansar enquanto não fosse resolvida ( imagino que ainda não parou ). O PS não só considerou um caso político como centrou a sua actividade no envolvimento destes militantes no caso Casa Pia, transmitindo de forma consciente que o processo se encontrava truncado judicialmente e considerando se tratar de uma cabala que objectivamente pretendia assassinar politcamente altos dirigentes socialistas, o teor das acusações revestia-se de enorme gravidade. A libertação de Paulo Pedroso foi o ex-libris de toda esta trama e é um caso sem paralelo na democracia Portuguesa, o Secretário Geral do partido Ferro Rodrigues, um ex-Ministro da Justiça e líder parlamentar António Costa e um ex-líder do PS e ex-Presidente da Assembleia da Republica Almeida Santos, assumiram as funções de uma guarda de honra desde a penitenciaria de Lisboa até a Assembleia, onde parte do seu grupo parlamentar esperava o deputado como se fosse um preso político, as imagens difundidas na altura assemelharam-se exactamente à libertação de presos políticos em Caxias. Uma recepção digna de um herói democrático que agora se tornou pela mesma razão indesejado e é airosamente convidado para uma travessia no deserto. O novo líder socialista, teve necessidade de garantir solidariedade a Pedroso, solidariedade que podia passar pela inclusão da participação do ex-deputado na forma que Sócrates considera-se útil, sem sentir-se manietado pela natural fragilidade política que advém desta inclusão. Talvez aqui o engano seja partir do principio que Sócrates pretende contar com Pedroso. Dentro da moral republicana entendo a defesa da recusa de participação, mas tal gesto neste contexto socialista parece uma penitência por um pecado não cometido (perdoem a heresia da metáfora religiosa) mas condenar a travessia do deserto o homem que foi supostamente destituído de parte da sua dignidade inerente a destruição do seu bom-nome e que foi privado da liberdade é objectivamente difícil de entender, repito neste contexto socialista. Ora se o partido nunca tivesse lido a detenção do deputado como um ataque feroz e baixo aos Socialistas, é evidente que a elevação passava por não se disponibilizar para ser representante do Partido em cargos no Estado, mas não foi esse o caminho.


O Abnegado mostra de forma contundente e com frequência mais do que a ineficácia do modelo vigente a sua própria falência. Admiro a sua milimétrica observação do quotidiano político e tenho com ele uma convergência em algumas análises,  mesmo quando como neste caso concordando com o diagnóstico discordamos da terapia.


Este caso acaba por ser um repositório de más decisões, tomadas no calor da emoção. A verdade é que pareceu existir uma estratégia de “colar” o anterior líder dos socialistas ao caso “Casa Pia”. Na altura Ferro Rodrigues tomou as dores de Pedroso e, de facto, propôs essa luta que menciona. Mais: o grande erro foi a forma inacreditável como Pedroso foi recebido. Aí, mais do que em qualquer outro momento, o PS colocou-se numa posição fragilizada de que agora colhe os amargos frutos. Foi um erro, e grande. Contudo, julgo que a Sócrates não restava outra solução. Não poderia a um erro adicionar outro. Se Pedroso fosse colocado em posição elegível, julgo que a moral republicana de que o PS (justa ou injustamente) se diz guardião ficaria ferida. Em todo o caso, francamente, a única opção que Pedroso tinha era auto-suspender-se da lista enquanto o processo em que se viu envolvido não estivesse totalmente resolvido. Injusto, duro, dificil? Talvez, mas a moral republicana, não apela a facilidades e não a podem invocar aqueles que a esquecem quando são os próprios envolvidos. Luis Sequeira ( Abnegado )

publicado por vitorcandidojose às 02:18
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3 comentários:
De Anónimo a 7 de Janeiro de 2005 às 15:01
Fiz questão de neste texto colocar sempre a questão no enquadramento político, evidenciando o despautério e o gratuito dos gestos Socialistas. Evidente que a acusação em si e a inerente possibilidade aberta de “culpa” é assunto angular nesta novela trágica que é o caso Casa Pia.

Abraçovitor josé
(http://lagrima.blogs.sapo.pt)
(mailto:vitorjose@cnb.pt)
De Anónimo a 7 de Janeiro de 2005 às 14:34
Creio que quer o Vitor quer o Luis Sequeira já disseram quase tudo. Na minha modesta opinião, há um pormenor importante e que deveria ser tomado em consideração. Com Sócrates ou outro qualquer, o fulcro da questão deve ser este: ou Pedroso está inocente e não há problema nenhum em contar com ele em qualquer lista, mesmo num lugar elegível. Se Pedroso não estiver inocente não deve ser colocado em nenhuma lista. Elegível ou não. Numa terceira hipótese, a de haver uma qualquer suspeita, sem decisão conclusiva, era de bom tom não incluir Pedroso em qq lista. Por precaução. E agora vou para dentro, está um frio do caraças, ficando a torcer, não apenas por um governo novo mas sim por novo governo, com novas e boas ideias, capaz de fazer tudo por um Portugal melhor, mais justo, enfim, um País sério e a sério.Antonio Dias
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(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 7 de Janeiro de 2005 às 11:56
Este caso acaba por ser um repositório de más decisões, tomadas no calor da emoção. A verdade é que pareceu existir uma estratégia de “colar” o anterior líder dos socialistas ao caso “Casa Pia”. Na altura Ferro Rodrigues tomou as dores de Pedroso e, de facto, propôs essa luta que menciona. Mais: o grande erro foi a forma inacreditável como Pedroso foi recebido. Aí, mais do que em qualquer outro momento, o PS colocou-se numa posição fragilizada de que agora colhe os amargos frutos. Foi um erro, e grande. Contudo, julgo que a Sócrates não restava outra solução. Não poderia a um erro adicionar outro. Se Pedroso fosse colocado em posição elegível, julgo que a moral republicana de que o PS (justa ou injustamente) se diz guardião ficaria ferida. Em todo o caso, francamente, a única opção que Pedroso tinha era auto-suspender-se da lista enquanto o processo em que se viu envolvido não estivesse totalmente resolvido. Injusto, duro, dificil? Talvez, mas a moral republicana, não apela a facilidades e não a podem invocar aqueles que a esquecem quando são os próprios envolvidos.Luís Sequeira
(http://abnegado.blogspot.com)
(mailto:sequeiralopes@iol.pt)

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