Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005

Camila Finm

Camila Finm, foi a vencedora do concurso Ford Supermodel of the Wolrd... Tem apenas 13 anos. Camila, segundo a crónica do Diário de Noticias de Domingo já não é nova nestas andanças, desde os onze anos que participa em desfiles. O exemplo de Camila é paradigmático da subjectividade dos valores, o que dito de outra forma, da hipocrisia reinante. Imagino que os conceitos de trabalho infantil se possam aplicar no mundo fabril dos têxteis mas não no mundo febril da moda. Acresce à utilização laboral o abuso sexual que a crónica deixa implícita que adolescentes como a Camila sofrem nesse meio.
Surge-me uma questão. Que sociedade é esta que projecta numa rapariga no inicio da sua adolescência o estereotipo da mulher perfeita? Isto não tem nada com conceitos de beleza, isto é demência.
Se nestas linha alguém julga encontrar uma dose de puritanismo ou algo do género, utilize um simples método, olhe para os Outros como se fossem pessoas que nos são próximas e pelas quais nos unem afectos. Agora imagine que a Camila é sua filha.

publicado por vitorcandidojose às 01:46
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Anónimo a 17 de Janeiro de 2005 às 21:14
A situação, só por si, é grave. Mais grave se torna quando é sabido que os pais de Camila deram o seu apoio, desde logo. Cheirava-lhes a fama? A dinheiro? Fosse o que fosse é hedionda a sua permissiva atitude. Claro que os publicitários aplaudem. É o seu papel. Já não há fronteiras entre o razoável e o perfeitamente inconcebível.
Mas a exploração infantil já tinha marcado presença num anúncio da Benetton. Lembram-se? The United Colors Of Benetton. E não me venham dizer que aí só apareciam as caras das crianças. Porque a intenção é a mesma. Antonio Dias
</a>
(mailto:adias23@netcabo.pt)
De Anónimo a 17 de Janeiro de 2005 às 10:47
Não pode haver a mais pequena réstea de puritanismo no seu oportuno texto. Olhamos para a exploração infantil como olhamos para outros problemas: com um olhar deformado. Fosse uma menina que estivesse a laborar numa qualquer obscura fábrica e os comentários de indignação seriam muitos. Como se trata de uma indústria com mais "glamour" já será visto com um olhar mais benevolente. Porventura, no caso que relata a violência é maior, mais as horas de trabalho e maiores as exigências psicológicas. Mas a maior inquietação reside no que diz, e muito bem, como pode uma sociedade madura projectar nesta e noutras crianças um qualquer ideal de beleza?
Que tipo de deformação estará a ditadura da imagem a criar na nossa sociedade?
Luís Sequeira
(http://abnegado.blogspot.com)
(mailto:sequeiralopes@iol.pt)

Comentar post