Sábado, 3 de Julho de 2010

Pedro Rolo Duarte

 

Tenho lido diariamente as páginas centrais do Correio da Manhã (tem dias que não é nas centrais, mas anda sempre ali perto). Desde há semanas, aquela dupla-página reproduz integralmente as escutas telefónicas do caso PT/TVI. Metódica e organizadamente. Com os nomes, os casos, as sms, os telefonemas. Tudo preto no branco, sem comentários ou interpretações, apenas factos, reproduções de conversas que foram gravadas - e, portanto, não podem ser desmentidas -, numa soma de episódios que parecem mais italianos do que portugueses, e numa cronologia que não permite duvidar ou negar o que ocorreu. Só não vê quem não quer mesmo ver…

A vantagem deste serviço público do Correio da Manhã é que, liberto dos empecilhos habituais dos legalismos que tantas vezes têm impedido que se faça justiça, permite que cada leitor ajuíze, por si, sobre o que está em causa. Aquelas conversas ocorreram, aquelas sms’s foram trocadas. Podem os Tribunais e os Parlamentos fazerem-se de surdos “em nome da lei” e por obediência ao “regimento”, ao ”regulamento” ou ao tão amado “erro processual”, pode a esgrima dos advogados ser mais ou menos feliz sobre as armadilhas do legislador, mas nada disso apaga evidências e factos.

O que resulta da leitura diária do CM é radicalmente divergente do que sucede na praça pública. Trata-se de um insólito caso de inversão da prova: ainda que aquelas páginas nos demonstrem e provem um dos mais graves atentados à democracia e à liberdade de expressão de que tenho memória no pós-25 de Abril (ok, 1975 à parte…), e que se estende bem para lá da TVI e do casal Moniz/Moura Guedes, e estando o escândalo nas páginas do jornal diário de maior expansão, o que sucede é que a Comissão Parlamentar não consegue concluir nada, os mecanismos da justiça não conseguem e/ou não podem “ouvir”, e os procedimentos legais encarregam-se do resto. Os (outros) jornais também não lêem o Correio da Manhã. O Presidente da Republica persiste em não ler jornais. A “Europa” não conta para este insólito acontecimento.

Todas as escutas que exibem tristemente a verdade são, afinal, “nulas” e servem hoje apenas para que saibamos como o sistema está feito para que não funcione. Ou seja: encarregam-se de fazer com que o elefante que se passeia pela sala não seja afinal visto por alguém.

Se quisermos ir mais fundo, este caso mostra o que mudou dos tempos de “O Independente” aos dias de hoje – há 20 anos, este trabalho do Correio da Manhã já tinha feito cair o Governo, já tinha feito algumas pessoas mudarem de vida, e certamente recentrara o mundo político. Nos dias que correm, não apenas nada acontece como a maioria dos envolvidos continua a passear-se em cima do elefante que todos fazem de conta que não vêem.

Já tinha visto muita coisa nestes 46 anos de vida. Nunca tinha visto o visível tornar-se invisível mesmo estando à vista".

 

    Pedro Rolo Duarte

publicado por vitorcandidojose às 14:46
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Sem mais.

"Não gostei de ver ontem Mário Soares na televisão a fazer uma declaração de circunstância sobre o funcionamento da justiça em Portugal. Mário Soares deve a si próprio uma de duas atitudes perante o que se está a passar na sociedade política portuguesa: ou guarda silêncio ou indica um caminho. Digo eu que sei o que o regime democrático lhe deve."

                 

             Medeiros Ferreira

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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

É não é

"Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o
'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens
com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a
trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de
carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me
deprimido. Este país não é para todos."

 

                                  Miguel Sousa Tavares

          

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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

                                            Vinicius de Moraes


 

publicado por vitorcandidojose às 17:14
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Adelaide

O dia caminhava apressadamente para o fim, passou pela escola para apanhar o filho que encontrou no recreio a brincar com os colegas, tirou-lhe a bata e disse-lhe para se despedir dos coleguinhas, saíu de mão dada com ele, sento-o na cadeira do carro, deu-lhe um mimo, uma bolacha, não sujes a cadeira vamos dar um passeio ao rio disse, remantando com um beijo. Estacionou o carro em Avintes e percorreu a pé o percurso até à margem do Douro enquanto ouvia o filho contar as brincadeiras com os novos colegas intercalando com o pedido insistente para  ver o Ruca vá lá mãe.

O ri apareceu impávido, ela caminhou pela margem tomou o filho nos braços e lançou-se ao rio . 

publicado por vitorcandidojose às 11:42
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Quando me sinto só

Quando me sinto só,
Como tu me deixaste,
Mais só que um vagabundo
Num banco de jardim
É quando tenho dó,
De mim e por contraste
Eu tenho ódio ao mundo
Que nos separa assim.

Quando me sinto só
Sabe-me a boca a fado
Lamento de quem chora
A sua triste mágoa
Rastejando no pó
Meu coração cansado
Lembra uma velha nora
Morrendo à sede de água.

P'ra que não façam pouco
Procuro não gritar
A quem pergunta minto
Não quero que tenham dó
Num egoísmo louco
Eu chego a desejar
Que sintas o que sinto
Quando me sinto só.

publicado por vitorcandidojose às 17:24
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Urgências...

"É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer."

 

Eugénio de Andrade

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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

CORRESPONDÊNCIA


Vejo as nuvens que avançam do Atlântico

para o continente. E, por trás delas, como um pastor

exigente, o vento que as empurra. Depois,

as nuvens passam e volta o sol, com o azul

imutável das manhãs de outono, monótono e distante

como quem o olha, ao sair de casa, sem

tempo para pensar no tempo.

 

As nuvens, no entanto, continuam

o seu caminho: umas, desfazem-se em água

sobre campos vazios, ou descem para as grandes

cidades para as abraçar com um tédio

enevoado. As que me interessam, porém,

são as que sobem para norte, e ficam

mais frias à medida que as pressões continentais

abrandam o seu curso, Então, param

em dias cinzentos; e, por fim, escurecem

a tua alma, quando as olhas, e te apercebes

de que se aproxima um inverno

de solidão.

 

A não ser que leias, nesse obscuro céu,

esta carta que te mando

 

 

Nuno Júdice

O Movimento do Mundo

Lisboa, Quetzal Editores, 1996

publicado por vitorcandidojose às 16:00
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Domingo, 6 de Julho de 2008

Livre

 

Há neste olhar uma força sem dureza, uma coragem sem violência. Esta mulher foi estropiada da sua família e da sua luta que persistentemente conduz na Colômbia. Uma guerrilha denominada FARC raptou-a há 37 meses. Sequestrada por homens que se auto denominam libertadores do povo, tomaram de forma vil e cobarde o símbolo da esperança colombiana.
Ingrid Bettencourt disse do seu pais aquilo que os políticos só arriscam dizer em voz sumiça, disse-o e repito-o em inúmeros encontros com o seu povo, criou um partido político denominado "Oxigeno", afirmou-o enquanto Senadora e fez disso manifesto político da sua candidatura a Presidente da Republica. E o disso que falo e que cobardemente é comodamente ignorado pelos governos dos países ditos civilizados é a mordaça que aprisiona a Liberdade de um pais enlameado de droga, de corruptos, ensanguentado por raptos, assassínios selectivos, massacres numa espiral que tem a jusante uma guerra que conduziu já ao degredo da vida duas gerações de Colombianos.
Não há nesta guerrilha de assumido pendor de esquerda, uma estratégia que justifique este rapto, há uma exclusiva razão plausível para manter Ingrid Betancourt em cativeiro há 60 meses, essa razão prende-se com um facto cru, o de estar a referir-me, a energúmenos. Ingrid não preconiza somente o combate à droga e dos sujos interesses associados, preconiza o que de mais nobilíssimo existe numa vida, a luta pela libertação de um povo. Consome-me a complacência dos políticos dos países civilizados, expressa num silêncio ou em escusas de circunstância. É obsceno o relacionamento da cultura Ocidental com a Colômbia, assenta essencialmente numa parcela substancial dos 400 a 500 biliões de dólares provenientes do comercio da droga e nos interesses pela exploração petrolífera é especialmente por estes motivos que os civilizados sujam as mãos. É por estas razões de Estado que ignoram as ameaças, as tentativas de atentado e o cativeiro desta mulher que ergueu um partido, tornou-se na senadora mais votada da Colômbia e é a esperança viva de um povo e de todos aqueles que suprindo a distância física sentem a ignominia Colombiana e acreditam no direito inalienável a vida e perfilham um ideal de ética.
 

 

 

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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Com a devida vénia ( blog 31 da armada)

"Má raça a desta gente

 

Lembrei-me imediatamente deste incidente mal soube do desespero do Bloco de Esquerda aqui noticiado. Pedir explicações sobre um lapsus linguae de alguém que cresceu a ouvir a expressão «Dia da Raça» já é patético. Acreditar sinceramente que existem dúvidas sobre a filiação salazarista de Cavaco Silva não serve nem para quadra de manjerico.  Mas ser o próprio prof. Fernando Rosas a insinuar a dúvida e a transmitir a indignação, isso então já não se aguenta.

Não é por acaso que o dia de Camões era também o «dia da raça». Porque «raça», aqui, não representa características genéticas eventualmente superiores. É entendido no sentido em que era usado no século XVI, significando gesta, povo, colectivo. Está nos Lusíadas, meu Deus. É um simbolo de identidade colectiva de nação, única, individual. O regime de Salazar (ou «fascista» como lhes dá mais gozo) nos seus tremendos erros, pelo menos evitou a questão rácica a la Gobineau, talvez mesmo pelo sentido de ridiculo que isso lhe traria. Que o prof. Fernando Rosas evite essa abordagem que ele conhece melhor do que todos é prova evidente de má-fé e de desejo patético de marcar agenda. Por outro lado, sendo um cavalheiro filiado num partido internacionalista que acredita em «igualdade» sem fronteiras por oposição a «liberdade» dá-lhe atenuantes. A raça, caro professor Rosas, neste contexto somos nós - os Tugas, o Manuel Bento, o Nicolau Breyner, os taxistas, eu, o senhor. Tudo o resto é má-fé e o costumeiro arraial folclórico de argumentos. Começa a não haver pachorra, caramba. Arranjem uma vidinha, sim? Ou ponham o Skoda no Rossio. Qualquer coisa, mas tenham vergonha."

publicado por vitorcandidojose às 13:38
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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Curiosidade

Estará a Alemanha preparada para se rir com o "Allo Allo!"?


Vinte e cinco anos depois de ter estreado no Reino Unido, a célebre série humorística 'Allo 'Allo! vai finalmente passar na Alemanha, depois de um canal de televisão daquele país ter comprado um produto que chegou a mais de 40 países e que se revelou um dos maiores sucessos das últimas décadas.

publicado por vitorcandidojose às 22:29
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Com a devida vénia (autor Francisco José Viegas)

Zangados

Um amigo que vive noutro continente, ao jantar, conferindo o estado da pátria: «Está tudo muito zangado. Liguei a televisão e vi um ex-polícia muito zangado a falar de crimes. Vi os jornais e está tudo muito zangado a falar de política.» Agustina Bessa-Luís falava de «certos períodos em que o ódio é mais abundante». Talvez este seja um deles. Há ondas de ressentimento que afectam as pessoas; dispara-se para a ASAE, para o Ministério da Educação, para o Benfica ou o FC Porto, para os pobres funcionários das repartições; não que não haja razão. Nestas alturas lembro a poesia apenas por dislate; há um poema de Manuel António Pina em que se reflecte sobre «a origem da poesia» e a sua «natureza», para depois, diante de um velho funcionário de uma repartição, amedrontado no seu guichet, se fazer esta pergunta: «E o que fez a poesia por este senhor?» Fomos ficando insensíveis, provavelmente. Há certas alturas em que a zanga é a linguagem habitual, a mais normal. São períodos que antecedem a mudança ou a indiferença. Creio que virá a segunda hipótese.

publicado por vitorcandidojose às 17:55
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

Com a devida vénia (autor Pedro Rolo Duarte)

"Eu, português, 43 anos, sobrevivente a recibos verdes, que todos os meses pago 200 euros de segurança social para viver na maior das inseguranças, que senti a minha qualidade de vida baixar consecutivamente nos últimos anos, não consigo ver o país como o primeiro-ministro José Sócrates vê.
Posso perceber que, da janela do seu quarto, veja Portugal com optimismo, mais emprego, recuperação económica, confiança, bem-estar, segurança. Ele vê, e eu acredito que esteja a ser honesto.
Gostava que percebesse que eu vejo um país bem diferente. Não trabalho para a Sonae nem para o jornal Público. Não sou militante de qualquer partido e até votei no PS nas últimas eleições.
... Mas o país que vejo tem centenas de milhares de desempregados – um número “ligeiramente” superior aos 90 mil postos de trabalho que o Governo terá criado -, não se sente seguro nas ruas nem seguro na saúde, menos ainda na justiça, não me parece confiante nem vê na carteira os efeitos desse extraordinário controlo do défice. Também não vê a despesa pública baixar. Nem o rendimento subir.
(Os números, aliás, têm esse efeito perverso: pode até haver uma galinha para cada dois cidadãos, mas isso não faz de mim proprietário de uma saborosa meia galinha. O “outro” pode tê-la comido inteira...)
Além disso, esse Portugal onde eu vivo ganhou nos últimos anos uma generosa dose de desconfiança sobre os políticos, em geral, e sobre os Governos, em particular – com razões transversais que vão dos Casinos aos Aeroportos, passando pelos cargos públicos a que se sucedem os cargos privados.
Se calhar os portugueses “do lado de cá” da janela de José Sócrates vivem num outro mundo. Mas convém recordar ao primeiro-ministro que, ainda assim, são estes portugueses que votarão daqui a ano e meio. E vão fazê-lo em função do país em que efectivamente sentem que vivem, e não do país em que o primeiro-ministro garante que vive.

São paisagens diferentes, quer-me parecer."

publicado por vitorcandidojose às 16:46
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Frases que gostei... (António Arnaut)

"...Ele não está hipotcado pelos interesses..."
publicado por vitorcandidojose às 17:34
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

E que tal fazer a distinção entre leis com pés e cabeça de aberrações jurídicas

 

 

 

Referindo-se às críticas ao novo código do processo penal, em vigor desde 15 de Setembro, feitas pelo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e pelas magistradas Maria José Morgado e Cândida Almeida, Alberto Costa considerou ser necessário “distinguir entre a responsabilidade de fazer leis e de as executar”.

 

Não se discute o comportamento corporativo, ele existe e prejudica. O que não se espera é que um Ministro venha para a praça pública com argumentos de mesa de café tentar rebater as criticas expostas ao código de processo penal por aqueles que trabalham todos os dias com e na justiça.
publicado por vitorcandidojose às 19:06
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Com a devida vénia (autor Pedro Rolo Duarte)

Desconfiar

 

"O Governo mudou de ideias e o aeroporto é em Alcochete. Nicolas Sarkozy decidiu assumir o romance “escaldante” com a deslumbrante Carla Bruny. O Processo Casa Pia continua sem culpados, sem inocentes, num deserto completo de adjectivos e qualificações.

Acompanho e sigo o mundo que me rodeia. Sempre o fiz – e para mim, acordar foi, ao longo dos anos, sinónimo de correr atrás do mundo que mudava enquanto dormia. Até que dei comigo a dormitar um pouco mais e percebi que o mundo era o mesmo, quer estivesse na banca dos jornais às 9:00 ou ao meio-dia. Pior: chegando mais tarde, “ganhava” algumas horas sem saber histórias e casos que, lentamente, me mudaram o olhar...

Assim chego ao dia de hoje. A qualidade maior que a idade me trouxe foi, afinal, um defeito. Tornei-me desconfiado. Pior: deixei de confiar.

Até acho, do alto da minha ignorância, que Alcochete deve ser melhor do que a Ota – mas desconfio da mudança. Da facilidade na mudança. E especialmente do sempre sincero Ministro que defendia uma solução e de um dia para o outro muda tudo mantendo o mesmo perfeito sorriso, algures entre a ingenuidade e o alheamento.

Gosto da Bruny – até quando canta... – e aprecio parte do estilo Sarkozy. Mas lá está: desconfio do casal, não percebo o mediatismo, por um lado, e o jogo do gato e do rato, por outro.

E podia seguir por aí fora: o Processo Casa Pia prossegue sem conclusões... Desconfio, duvido, penso nas segundas intenções. Procuro fugir, em geral, à “teoria da conspiração” – mas nem por isso me entrego de corpo e alma ao primeiro piscar de olhos que vem do outro lado da pista de dança.

Pois: o passar dos anos substituiu-me, no código genético, ingenuidade e fé por descrença e desconfiança. Não é com alegria que o digo. É muito melhor acreditar. A ingenuidade tem um sabor doce e delicado. A desconfiança é amarga. Eu preferia o “antes”.

Os mais velhos dizem que cheguei à maturidade.

Eu digo, como a minha mãe, que cheguei onde “o diabo deu três gritos”. Demasiado longe para a minha vontade. Demasiado cedo para o que ainda quero viver."


publicado por vitorcandidojose às 13:38
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Com o devido Mérito - Marques Mendes -

  

 

        Marquês Mendes venceu hoje uma batalha política e deixou - se necessário fosse - bem justificada a sua passagem pela liderança do PSD. Para quem tenha memória curta, a OTA era um dado adquirido do PSD ao PS. Foi Marques Mendes que trouxe para o debate público a localização do novo aeroporto e pugnou politicamente por uma solução diferente da que avizinhava. Isto é um facto não é uma opinião.

 

publicado por vitorcandidojose às 19:51
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Com o devido Mérito - Pedro Tamem -

 

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas
.

 

 

publicado por vitorcandidojose às 14:20
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Para o caminho...

 

Para o caminho, fica hoje uma escolha do nobre e querido Professor Adriano Moreira :

 

Caro director:

Sou um sobrevivente de um campo de concentração.

Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos

deveriam poder ver.

Câmaras de gás construídas por engenheiros douturados:

Adolescentes envenenados por fisicos eruditos;

Crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas;

Mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados.

 

Por isso desconfio da educação.

 

Eis o meu apelo: ajudem os vossos alunos a serem

humanos. Que os vossos esforços nunca produzam

monstros instruidos, psicopatas competentes,

Eichmanns educados.

 

A leitura, a escrita, a aritemética só são importantes se

tornarem as nossas crianças mais humanas

publicado por vitorcandidojose às 19:35
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008

Hoje sinto-me assim

publicado por vitorcandidojose às 14:24
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Para o caminho...

 

"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

                                                                              Helena Vaz da Silva

publicado por vitorcandidojose às 13:36
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Com a devida vénia (texto de Suzana Toscano)

Keep out!

 

"O Ano Novo tem destas coisas, aguilhoa-nos a consciência com esta aparência de novinho em folha e, de certa maneira, ajuda-nos a ver as coisas com outro olhar, talvez menos rancoroso, talvez mais disposto a desdramatizar as contrariedades. Por isso vou escrever o que se calhar nunca chegaria sequer a pensar, se não fosse esta época de alma limpa e boas vontades. E vou escrever que eu, fumadora moderada mas persistente há muitos anos, não posso, em boa razão, criticar a lei do tabaco.
Claro que me contraria, detesto que me dêem ordens ou me imponham restrições quando eu me considero mais do que habilitada a gerir os meus comportamentos de forma razoável. Claro que vivia muito melhor e me sentiria individualmente mais livre sem esta floresta de tabuletas com o sinal proibido e eu, pobre fumadora, a sentir-me expulsa dos “meus” locais favoritos, Keep out!, como se faz aos indesejáveis.
Mas a necessidade de me adaptar às novas circunstâncias fez-me mudar alguns hábitos e foi assim que reparei que, afinal, antes também vivia com outras tantas limitações, com a diferença que resultavam da minha opção pessoal, determinadas em função do meu conforto ou do meu julgamento das conveniências mas, ainda assim, eram limites ao prazer de fumar um cigarrinho quando me apetecia.
A saber, nunca fumei na rua porque me ensinaram em criança que era uma falta de educação grave. Raramente fumava em casa, primeiro porque as crianças eram pequenas, depois porque elas não gostavam, finalmente porque decidi que deixava o maço no carro ao fim do dia. Há muito tempo que não levo cigarros para reuniões, mesmo as mais prolongadas. No avião nem me lembro dos cigarros. Nunca fumava no carro, meu ou dos outros, porque não gosto do cheiro que se entranha, porque tenho medo de queimar a roupa ou de me distrair a guiar. E há muito tempo que, se vou com alguém que não fuma, também me inibo de fumar no café restaurante. Além disso, há poucos anos, parei de fumar durante um ano porque tive um problema de saúde que desaconselhava em absoluto a absorção do fumo.
Tudo isto para me lembrar que já havia muito espaço condicionado à minha qualidade de fumadora, só que eram limites que eu própria decidia, por conveniência pessoal, podemos bem resumir assim, dependendo exclusivamente do meu interesse ou vontade. Agora, trata-se de aceitar que o critério da conveniência e conforto dos outros também faz todo o sentido, sendo certo que não se sobreporia ao meu gosto pelo cigarro se não me fosse imposto, tenho que reconhecer, há coisas que só mudam mesmo à força, os egoísmos pessoais por excelência. É uma grande maçada? Sem dúvida, até porque agora só posso fumar na rua, na minha casa, no meu carro, tudo o que não fazia antes porque não queria, tenho que pensar como é que vou resolver este conflito…O mais certo é ir deixando de fumar, até porque não quero pagar o imposto que aumenta mais uma vez, sempre é uma forma de me vingar das proibições. Keep out!"

 

publicado por vitorcandidojose às 11:29
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Uma definição de arte

 

publicado por vitorcandidojose às 17:18
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Com a devida vénia ( texto de Fernanda Câncio )

Esta prosa da Fernanda Câncio é singular e singela.

 

“…Gosto da palavra deus. É mesmo das palavras de que mais gosto. Gosto da estética, do som e do sentido. Gosto tanto que a uso muito. Dou comigo a repetir “ó, deus”, em voz alta, quando alguma coisa me irrita ou desconsola e quero remeter as causas da irritação e do desconsolo para a inevitabilidade das coisas inevitáveis. Digo “que mal fiz eu a deus” quando me sinto injustiçada, “vai com deus” quando quero mandar alguém passear, “por amor de deus” quando algo me surge como incompreensível, gratuito ou disparatado, quando exijo a atenção de alguém, quando faço um apelo desesperado.

São expressões curiosas, interpelações poderosas. Mágicas, rituais, blasfemas: é a isto, a esta utilização banal, coloquial, creio, que se chamava “invocar o nome de deus em vão”. Não sei em que pensa ou o que sente alguém que crê na divindade quando as repete. Se ao dizer “deus” vê a figura de barba branca e vestes épicas da Capela Sistina, o luminoso dedo da criação, o poder dos céus, infinito e imponderável, tão ubíquo quão terrível e indiferente. Mas eu, ateia do trinta costados, que vejo? Por que invoco uma entidade em que não creio?

(...)Ora eu, ateia, confesso que não quero banir deus para lado nenhum. A ideia de deus comove-me. Comove-me esta possibilidade de um interlocutor silencioso que apaziguasse o silêncio, de um ser que olhasse para mim e por mim, que me amasse mesmo nos meus piores e mais inconfessáveis momentos, me confortasse no desespero e me abraçasse na morte. Comove-me essa tão pungente criação contra a solidão e o vazio, essa tão admirável obra de arte que, embora muito abusada e manipulada para horripilantes fins, se mantém intocada ao longo dos milénios na sua inútil perfeição.

Não gosto das religiões, é certo. Não gosto da organização, das instituições, dos ditados. Não gosto dos que traduzem a ideia de deus em intolerância e totalitarismo, dos que dividem o mundo em inimigos mortais, dos que prometem esquartejar e queimar todos os que não alinham nas suas hordas (e todos os livros ditos sagrados o fazem). Mas não confundo a noção de deus com os seus auto-proclamados profetas, com os seus instrumentalizadores, com os impérios da fé. Nem com um nome próprio deste ou daquele mito. Não: deus é uma palavra autónoma, desenhada para nomear os mistérios, para configurar tudo o que nos escapa, tudo o que não controlamos, tudo o que é maior que nós, tudo o que é inelutável, tudo o que nos falta. Aquilo a que se chama “uma força de expressão”. Quando digo “por amor de deus”, não estou decerto a dizer que amo uma dividade ou que presumo que o meu interlocutor a ama. Estou apenas a usar uma frase poderosa, uma súplica, um desabafo aculturado. A reconhecer que não bastaria dizer “por amor de mim”, ou “por amor de ti”. Outros usam outros palavrões – eu uso deus. É mais bonito. E se alguém se ofender com isso, paciência. Que deus lhe perdoe….”

 

publicado por vitorcandidojose às 00:08
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

Ingrid Betancourt

 

É Recorrente passar pela Lágrima a causa de Ingrid Betancourt desta vez é a iniciativa do novel presidente francês e do governo venezuelano que motivam a evocação.

 

Há neste olhar uma força sem dureza e uma coragem sem violência. Há uma nobreza de gestos e de sentimentos que foram sequestrados pelas FARC.

As FARC são uma guerrilha colombiana que nos intervalos dos combates, raptos, assassinatos e o costumeiro tráfico de droga, proclama uma liberdade revolucionária para a Colômbia que de resto nestes moldes é bem recebida pelo Partido Comunista Português...

Ingrid Betancourt foi sequestrada por esta guerrilha há 5 anos, estes 5 longos anos de cativeiro não apagam o trajecto político desta mulher que afirmou  e reafirmou perante o seu povo o desastre que é para a Colombia o tráfico e cultivo de droga.  Fundou um partido político, “Oxigeno", afirmou-se enquanto Senadora e fez no reino dos carteis um feroz combate ao flagelo da droga tornando este combate, elemento central do seu manifesto político na candidatura a Presidente da República, isto num pais enlameado de droga, de corruptos, ensanguentado por raptos, assassinatos selectivos, massacres numa espiral que tem a jusante uma guerra que conduziu já ao degredo da vida duas gerações de Colombianos.

Ingrid Betancourt não preconiza somente -como se fosse de somenos- o combate à droga e dos interesses associados, preconiza na sua essência o que de mais nobilíssimo existe numa vida, a luta pela libertação de um povo.

Consome-me a complacência dos políticos dos países civilizados, expressa num silêncio ou em escusas de circunstância. É obsceno o relacionamento da cultura Ocidental com a Colômbia, assenta essencialmente numa parcela substâncial dos 400 a 500 biliões de dólares provenientes do comércio da droga e nos interesses pela exploração petrolífera. É por estas razões de Estado que se ignoram as ameaças, as tentativas de atentado e o cativeiro desta mulher que ergueu um partido, tornou-se na senadora mais votada da Colômbia e é a esperança mais viva de um povo e de todos aqueles que suprindo a distância física sentem a ignominia Colombiana e acreditam no direito inalienável à vida e perfilham um ideal de ética.

publicado por vitorcandidojose às 01:11
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

Declaração de Interesses

As ideias em vez das conveniências

Os Gestos em vez das palavras ocas

A Sinceridade em vez da ambiguidade

E o Silêncio em vez do disparate

 

 

publicado por vitorcandidojose às 23:23
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Quarta-feira, 28 de Março de 2007

UMA...VIDA

"Um bebé é a arte final de uma Mãe e um Pai".

(Patricia Warner)

publicado por vitorcandidojose às 15:08
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Sábado, 6 de Janeiro de 2007

...

Tudo é vão

Olhes para onde olhares, no mundo tudo é vão!

O que hoje este constrói, um outro arrasará;

Onde hoje se erguem cidades, um prado nascerá

E nele um pastorinho e o gado saltarão

 

O que hoje cresce viçoso, breve será pisado,

o que hoje tem vida e força será cinza letal

Aqui nada é eterno, nem mármore nem metal,

Hoje a sorte sorri-te, amanhã cais prostrado

Desfaz-se como um sonho a glória de altos feitos.

Vence o jogo do tempo, e os homens imperfeitos.

Ah, como é nada tudo o que quer valer mais,

 

Mediocre e mesquinho, sombra, vento e poeira,

Como uma flor do campo a que se perde a esteira!

Não se mostra o eterno aos olhos dos mortais

 

Andreas Gryphius 

 

 

 

 

 

publicado por vitorcandidojose às 15:13
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006

Na última semana...

Foi registado 21 mortos e mais de 800 feridos

Não é em Bagdad, é nas estradas portuguesas... A "coisa" para nós já tem contornos de fatalidade nacional e através desse filtro há uma indiferença generalizada, mas mesmo assim, este numero é capaz de ser um pouquinho demais...   

 

publicado por vitorcandidojose às 08:56
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

Outro rumo...

A vitória democrata é um murro directo na doutrina beligerante de Rumsfeld. A este faltou tempo para aprender as lições do Vietename e de forma mais prosaica, tempo para ouvir Colin Powel. Os americanos abriram uma guerra convencidos de que a sua superioridade técnica garantia uma entrada triunfante em Bagdad e sendo esta suficiente para ter a seus pés uma nação. Não tinham “plano” para a estabilização do país, esqueceram-se da política e pensaram cedo demais nos negócios, confundiram o poder do estado com a cultura milenar de uma nação e como é comum na condição humana, onde sobra a prepotência falta necessariamente a inteligência. 

            

publicado por vitorcandidojose às 00:02
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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2006

Enxurrada verbal

O debate do orçamento teve muito pouco de politico e muito mais de uma turbulenta enxurrada verbal, não é que considere relevante ou dignificante a elevação quando se faz tão somente acompanhar pela hipocrosia, mas não havia necessidade daquele registo tão corriqueiro. 

 Nós sabemos que nem todos podem ser um Garrett nas lides parlamentares mas de certeza que escusam de ser um Alberto João.

 

publicado por vitorcandidojose às 01:30
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Terça-feira, 7 de Novembro de 2006

HOJE acordei assim...

publicado por vitorcandidojose às 01:54
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Sábado, 4 de Novembro de 2006

Bairro sem rumo

 

       Assiste-se passivamente a degradação das noites de um dos bairros mais emblemáticos da capital, transformado num subúrbio decadente entregue a violência gratuita, pejado de paredes pintadas, de chão vomitado e de grupos de energúmenos pulando de esquina em esquina espreitando o proxímo "esquema".

publicado por vitorcandidojose às 17:53
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006

Alguém leva-os a sério

                                                 

 "O que o PS está a fazer (à região) é ressuscitar a actuação da Flama dos anos de 74, 75 e 76. Depois não se queixem do que pode ocorrer. Quando digo que Sócrates está a ressuscitar a Flama é porque tenho informações. Estejam atentos à actuação do SIS na Madeira".

deputado informado e inflamado do PSD Madeira

publicado por vitorcandidojose às 18:29
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Sábado, 28 de Outubro de 2006

onde não há memória nada há em comum

publicado por vitorcandidojose às 15:25
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Sexta-feira, 20 de Outubro de 2006

Com a devida vénia II (texto de Philip Roth)

'you can weather everything', phoebe was telling him, 'even if the trust is violated, if it's owned up to. then you become life partners in a different way, but it's still possible to remain partners. but lying -- lying is cheap, contemptible control over the other person. it's watching the other person acting on incomplete information -- in other words, humiliating herself. lying is so commonplace and yet, if you're on the receiving end, it's such an astonishing thing. the people you liars are betraying put up with a growing list of insults until you really can't help but think less of them, can you? i'm sure the liars as skillful and persistent and devious as you reach the point where it's the one you're lying to, and not you, who seems like the one with the serious limitations. you probably don't even think you're lying -- you think of it as an act of kindness to spare the feelings of your poor sexless mate. you probably think your lying is in the nature of virtue, an act of generosity toward the dumb cluck who loves you
publicado por vitorcandidojose às 14:02
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Domingo, 24 de Setembro de 2006

Com a devida vénia

O MESMO ARREMELGADO IDIOTISMO


À memória de Fernando Pessoa

Se eu pudesse fazer com que viesses

Todos os dias, como antigamente,
Falar-me nessa lúcida visão -
Estranha, sensualíssima, mordente;
Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,

Meu pobre e grande e genial artista,
O que tem sido a vida - esta boémia

Coberta de farrapos e de estrelas,

Tristíssima, pedante, e contrafeita,

Desde que estes meus olhos numa névoa
De lágrimas te viram num caixão;

Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,

Voltávamos à mesma: Tu, lá onde

Os astros e as divinas madrugadas

Noivam na luz eterna de um sorriso;

E eu, por aqui, vadio de descrença

Tirando o meu chapéu aos homens de juízo...

Isto por cá vai indo como dantes;

O mesmo arremelgado idiotismo
Nuns senhores que tu já conhecias
-
Autênticos patifes bem falantes...

E a mesma intriga: as horas, os minutos,

As noites sempre iguais, os mesmos dias,

Tudo igual! Acordando e adormecendo

Na mesma cor, do mesmo lado, sempre

O mesmo ar e em tudo a mesma posição
De condenados, hirtos, a viver -

Sem estímulo, sem fé, sem convicção..


António Botto
publicado por vitorcandidojose às 10:31
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Segunda-feira, 12 de Junho de 2006

Reviver o passado

“...Sendo uma verdade que "o tempo não traz de volta o que o tempo leva", por vezes é bom ir renovar o passado. Percorrer locais que em tempos habitámos e que a hora tardia esvaziou da gente e dos sons que o habitam. Entrar neles lentamente, quase em reverência. Pisar o chão devagarinho, para não acordar o presente. Sorrir ao vazio em conforto melancólico. E apesar de tudo o que o tempo ali mudou, saber ainda refazer cada passo, reconhecer a pedra torta, a árvore que falta, saber ainda das alegrias, do lugar dos medos, escutar as gargalhadas, os passos, o roçar das malas e dos casacos como se naquele momento connosco se cruzassem. Invisíveis observadores, como sempre o presente o é no passado, buscamos neste tipo de viagens temporais não os lugares, mas a nós mesmos. Revisitamos quem fomos, relembramos um certo tipo de inocência, de optimismo e de limpidez no olhar e no final sorrimos a quem fomos com a melancolia, a maturidade e a sabedoria do presente...”

publicado por vitorcandidojose às 10:06
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Quinta-feira, 1 de Junho de 2006

Auschwitz / Birkenau

   "Por serem fieis a um deus a um pensamento,

   a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas 

   à fome irrespondível que lhes roía as entranhas

   foram estripados, esfolados, queimados, gaseados

  e os seus corpos amontoados  quanto haviam vivido "

     

    Auschwitz corre o risco de uma mitificação que não nega a veracidade do que se passou mas tenta impor a mentira da impossibilidade de se repetir. Os alemães empurrados pela vergonha, pela pobreza e pela sede de vingança, afundaram-se na mão de um louco, rodeado por um séquito tão sedento de poder como o dono. Numa espiral em que tudo se tornou possível, apoiaram-se em homens e mulheres alemãs que mais do que obrigados, tornaram-se participantes activos em especial nestes campos de concentração onde guardavam, humilhavam, torturavam e executavam um plano de matança que faziam acompanhar por uma polidez numa mescla de civilização e barbárie, expondo uma falta de caracter e a mais profunda falta de humanidade. Esta espiral da ignominia é ainda hoje ferida viva na Alemanha, não é fácil ter como identidade um povo que é responsável por um dos capítulos mais humilhantes da história. Em Auschiwitz 1 há uma zona que expressa a dimensão desta polida barbárie, um primeiro pavilhão onde as SS realizavam interrogatórios, funcionando também um tribunal sumário e onde se realizou os primeiros testes com gás, tentando encontrar uma forma eficaz de matar o maior numero de Judeus. No pavilhão da esquerda Mengele executava as mais aberrantes experiências em corpos humanos. No pátio que separa os dois pavilhões fuzilava-se judeus. Auschiiwtz , Birkenau como outros campos foram uma industria de morte imaginada por um louco e executada por gente vulgar.

publicado por vitorcandidojose às 11:44
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2006

Ser...

           
Não sei em que momento comecei a ter a percepção em que já não chegavam as convicções para ancorar a palavra Acreditar, despida desta última a acção humana fica condenada ao néscio da incredulidade ou da acção temerária.
            Há o apoio da esperança mas para quem as convicções é uma corda que se trilha nos dias, a esperança é um mecanismo mais inerte e mesmo substancialmente mais ingénuo.
É neste conflito entre o ser e a circunstância que se recorre ao Divino. Acreditando que algo é transcendente há nossa compreensão e se perpetua no domínio da espiritualidade e por esta forma apoiei-me na Fé.
 É apenas um recurso para garantir as Convicções, quando manietados nos fatigam os dias e os vemos afundarem-se nas tempestades que formando enxurradas levam no seu turbilhão pertences do nosso coração, como pequenas virtudes que estimamos, gestos que nos encantam ou tão simplesmente pessoas que admiramos.  
 
publicado por vitorcandidojose às 13:44
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

Há gestos...

...Domingos António Xavier, o tractorista, nunca fizera mal a ninguém. só queria o bem do seu povo e da sua terra. E por lhes querer bem não falou os assuntos do seu povo nem se vendeu. E por lhes querer bem o mataram. E por isso, no dia da sua morte, ele começou a sua vida de verdade no coração do povo angolano..."  Luandino Vieira

 

 

publicado por vitorcandidojose às 23:29
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

Ser II

“...Quão intricado, enfim, este ser humano, passível de sentir e de querer para além do que está ao alcance dos nossos dedos e das nossas forças e de criar em nós mesmos o melhor esboço de carrascos de nós próprios nas nossas magoas e fantasmas, incertezas e medos... e, no entanto, quão ricos na versatilidade de um sorriso ou uma lágrima, um beijo ou um abraço e quão imperfeitos na nossa miriade de prismas todos diferentes... quão orgulhosos de abrir caminho a ferro e fogo de coração ao peito neste mundo em que sonhos às vezes não são mais que miragens...”

 

 

 

publicado por vitorcandidojose às 12:20
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Sexta-feira, 19 de Maio de 2006

Ser ( Recordando lagrimas antigas )

Projectamos no futuro imagens de uma realidade pretendida, desejos... Num formato semelhante projectamos sobre o passado uma aura de ficção. Enfim continuamos não só a fazer do ser humano a impossibilidade de chegar mas ainda o incutimos do fracasso de já em tempos ter chegado.
publicado por vitorcandidojose às 17:39
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Alguém se leva a sério neste canto do faz de conta

"...A vaca desaparecida na madrugada de quarta-feira foi encontrada. Frente à faculdade de Veteriniária, abandonada, e com um bilhete, as autoridades conseguiram reaver a vaca Cowpyright.

O «mistério» foi desvendado hoje por uma empregada do Pólo Universitário da Ajuda, que a encontrou à porta da Faculdade.

Às 07:00 de hoje, elementos da esquadra da PSP do Calvário foram avisados pelos vigilantes do Pólo Universitário que «a empregada de limpeza tinha avistado a vaca Cowpyright», uma das 101 esculturas de fibra de vidro que integram a exposição CowParade, disse à agência Lusa uma fonte da PSP.

No bilhete que os agentes encontraram podia ler-se que «mais vale uma vaca em Monsanto do que duas no Campo Pequeno», segundo relato das autoridades.

A obra de arte, que foi encontrada frente à Faculdade de Veterinária, tem uma das patas partidas. E vai agora ser tratada e devolvida ao Campo Pequeno, local de onde desapareceu misteriosamente na madrugada de quarta-feira.

A preocupação da organização da Cowparade esteve centrada nesta vaca «raptada». Deu o alerta às autoridades, mas a obra de mais de 400 quilos esteve desaparecida até esta sexta-feira.

Só a base, na qual a vaca está colocada, pesa 350 quilos. A peça, em si, chega aos 65 quilos.

A vaca encontrava-se no Campo Pequeno, desde 14 de Maio e o desaparecimento foi detectado por várias pessoas..."

publicado por vitorcandidojose às 17:30
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Terça-feira, 11 de Abril de 2006

Vive la France

 A “oposição de rua” não é um fracasso democrático é isso sim um dos sintomas de vitalidade de uma sociedade.

 A indiferença perante as decisões políticas são causa efeito do esvaziamento da democracia e nem esta se sustém em exclusivo com o exercício parlamentar de oposição ao governo. O que os franceses valorizaram foi o direito de serem tomados como uma força capaz de se opor ás decisões legais mas autoritárias do governo francês.

O que os franceses fizeram não foi recusar uma lei laboral mas opor-se há doutrina política imposta pelo governo que defendeu um estado absurdamente competitivo tomando a pessoa como um elemento meramente económico, é certo que muitos dos defensores desta legislação procuraram promover o monstro a bela, aliciando com uma pretensa diminuição do desemprego tal pouco é mais que uma fraude.

O que os franceses fizeram foi vir para a rua empenhar-se numa luta por um estado social, pelo valor da estabilidade e da segurança e o que conseguiram foi uma vitória.

A vitória da rua é a derrota de uma política cega, de uma doutrina errada e de um governo autista.

publicado por vitorcandidojose às 12:23
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Quarta-feira, 22 de Março de 2006

Os gauleses não são doidos

A onda de contestação francesa é um exemplo claro e profundo de uma clivagem entre uma sociedade e os seus responsáveis políticos. Não se trata de uma política necessária que por desconhecimento da realidade desagrade à generalidade da população, trata-se isso sim da imposição de um modelo social chumbado na rua. A precariedade social como justificação de uma maior abertura no mercado de trabalho é algo que não almeja sequer a  ser uma ilusão, tratando-se tão somente de sustentar as pretensões de um grupo de empresários. O vinculo precário até ao 26 anos aumenta o desemprego nas faixas etárias seguintes e torna a pessoa que entra no mercado de trabalho refém do empregador, sem possibilidade de construir com consistência um projecto de vida decorrente da facilidade com que se torna dispensável.

Para uma determinada classe de neoliberais esta é a solução necessária. Se alguém só consegue estabelecer um sistema social em cima da precaridade, o melhor que tem a fazer para seu e nosso bem é abandonar a política.

O que os estudantes franceses, têm na generalidade feito, é não serem indiferentes ao seu futuro e de uma forma pragmática colocar o governo refém das sua próprias medidas. Bem hajam.

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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2006

Portugal Maior

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É um homem que cruza o seu caminho com a historia, sendo em larga razão pelo seu caracter de audácia, de exigência e de responsabilidade.



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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2005

Partido de porcelana

É impressionante o estado de catérese em que o Partido Socialista se enfia nesta campanha presidencial, a coisa tem uma forte componente pessoal e pouco republicana. Rebuscar um ex-presidente sem qualquer programa, com a tarefa de sujar a “descida triunfal da Av da Liberdade pelo candidato de direita” é um papel que no nosso espectro político assenta ao Bloco e não a um partido responsável.
Soares se soubesse “ouvir” e fosse “útil” tinha apoiado a candidatura de Manuel Alegre e não aproveitado o pretexto de salvar a esquerda para alimentar a sua costela monárquica. Maquiavel teria sido um óptimo conselheiro antes de embarcar neste embuste, a “ocasião” não era a sua.
Mas na verdade embarcou e fê-lo de tal forma que de imediato a proa se inclinou na direcção do obvio e consigo leva o Partido neste combate.
No último episódio entre Sócrates e Manuel Alegre o que conta menos é a verdade, é cruel mas é assim, primeiro porque nenhum deles fará prova do que afirmou e portanto o assunto ficará na eternidade do purgatório da política e em segundo porque nenhum deles pensa que esteja a mentir por mais paradoxal que pareça.
Este radicalismo de posições só favorece Manuel Alegre, mas acima disso, deixa Sócrates numa posição delicada, no caso de Alegre passar à segunda volta. Para quem se lembra do “sapo” imagine neste caso um verdadeiro elefante enfiado num partido de porcelana.

publicado por vitorcandidojose às 09:03
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2005

"Ninguem Como Tu"

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A novela política do aborto, mais do que embaraçar devia envergonhar qualquer cidadão e especialmente qualquer agente político. Os episódios amexicanizados sucedem-se num guião trapalhão difícil de aceitar como real. Ouvir Sócrates com ar solene e sem se rir, descrever o desempenho do PS nesta matéria, é um daqueles exercícios que comove qualquer um. Sobrou na noite de Sexta a decisão acertada de manter a opção do referendo, recusando legalizar no Parlamento a interrupção voluntária da gravidez. Ao PS, legalmente não faltava espaço, mas a política não é apenas um exercício jurídico é essencialmente político e neste campo falta a legitimidade democrática ao Parlamento.
Realizou-se um referendo, prescindir do resultado do mesmo por uma “maioria” na Assembleia é esvaziar o conteúdo da figura do referendo, é um precedente grave e surge como uma solução de fuga. Se os Socialista se podem queixar deste episódio, podem, mas deles próprios, vêm tratando o caso como um elefante pulando de nenúfar em nenúfar.

publicado por vitorcandidojose às 08:44
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

Cumprir Portugal

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Nem sempre me revi nas decisões dos seus governos, mais, em determinadas alturas fui contra o caminho que foi traçado, mas isso não me impede de como cidadão reconhecer o valor para Portugal dos dez anos do chamado “Cavaquismo”, naquele que é provavelmente o período de governação mais conseguido da democracia portuguesa.
A candidatura do professor é uma candidatura natural e actual. É um homem com um solida formação que lhe permite sem esquecer o passado conjugar Portugal no Futuro. É uma pessoa de caracter, de trabalho não de facilitismo, é uma referência e isso é o que se espera de forma genérica de um Presidente.
Ao contrario do que muito se escreveu - deste homem tudo se escreveu -. Ele é um homem de desafios e de ter mesmo algum gozo de correr determinados riscos ele é um “ponto luminoso numa floresta de imagens sombrias”. Não é “O Homem Providencial” mas é a pessoa certa na circunstância que vivemos.

“Para mim a política sem convicção e sem um certo prazer do risco e do desafio é uma “chatice”, a política sem moral é uma vergonha.”
É neste homem que deposito a minha confiança

publicado por vitorcandidojose às 08:58
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

Os políticos que temos ou o povo que somos...

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Domingo é já depois de amanhã.
publicado por vitorcandidojose às 23:24
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

Tempo de Férias com Sophia

Não creias, Lídia que nenhum estio


 Por nós perdido possa regressar


 Oferecendo a flor


Que adiámos colher.


 


Cada dia te é dado uma só vez


 E no redondo círculo da noite


 Não existe piedade


 Para aquele que hesita.


 


Mais tarde será tarde e já é tarde.


 O tempo apaga tudo menos esse


 Longo indelével rasto


 Que o não-vivido deixa.


 


Não creias na demora em que te medes.


 Jamais se detém Kronos cujo passo


 Vai sempre mais à frente


Do que o teu próprio passo


publicado por vitorcandidojose às 17:58
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Quarta-feira, 1 de Junho de 2005

Não

Não I

Chirac apostou na estratégia do “eu ou o caos” os franceses escolheram o “caos” definitivamente o presidente francês não fica bem no “boneco”. Devia compreender que o futuro que se comprometeu no Domingo não foi o Francês mas o seu futuro político, perante uma derrota desta magnitude política devia ter acompanhado o gesto do seu Primeiro-Ministro, tal atitude mais do que abrir uma crise política abria um espaço para clarificação.

Não II

O “não” da França é um agravar da crise de representação política, o litígio vai-se agudizando. A democracia esvai-se lentamente, o que sobra neste tempo sem engenho são paliativos políticos que mais que proteger o sistema protegem quem nele se movimenta.

Não III

Há uma aura de romantismo neste “não” francês, é como se os fracos tivessem vencido os poderosos, é um ligeiro exagero. A decisão dos gauleses fundamentou-se pouco no desacordo com a proposta constitucional europeia. Em bom rigor esta decisão da população francesa projecta mais o descontentamento que se vive em França condimentado com a directiva de Bolkestien e o receio da entrada da Turquia com o natural fluxo de emigrantes que essa entrada representa. Os chavões de uma Europa “mais humana” ou “mais social” foram frases-chaves reveladoras.

publicado por vitorcandidojose às 08:46
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2005

Barão...

Sendo um profundo convicto do Homem, na sua singularidade e nas suas potencialidades, acabo em alguns momentos de forma paradoxal a cruzar-me com leituras que o encerram num ser “incapaz de chegar”. Uma dessas leituras é o heterónimo Barão de Teive que num daqueles momentos de introspecção se condena à fatalidade tal e qual naufrago que desiste, tendo já a praia no horizonte, “tenho todas as condições para ser feliz, salvo a felicidade. As condições estão desligadas umas das outras” Pena é que Pessoa no seu brilhantismo não tivesse desenrolado essas condições...

publicado por vitorcandidojose às 09:06
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Aborto II

Sem delongas sobre este episódio infantil resta lembrar que a pressa hoje revelada em tentar desatar esta infantilidade, quer através da alteração da lei constitucional ou só da ordinária em sede do parlamento sem proceder à dita consulta popular não é totalmente desconexa da expectativa da Presidência da Republica virar para o centro-direita...
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Terça-feira, 3 de Maio de 2005

Aborto...Abortou

A fúria infantil do Bloco de Esquerda patenteada na promoção apressada deste referendo que serve para angariar uma vitória política e comprometer o Partido Socialista ao retirar-lhe margem de manobra política para “pendurar” esta iniciativa, revelou-se uma franca infantilidade política. O PS acabou por encontrar na Presidência da Republica uma ilegítima mas útil escapatória e Sampaio acabou por fazer o evidente. O sinal político claro dado pelo presidente ao chamar os partidos a Belém procurando sensibiliza-los em relação às “prioridades” em termos de referendos, pouco valeu, o PS tinha deixado o jogo na mão do presidente e o Bloco não alterou a sua posição, sobrou ao PR tomar a decisão evidente, devolver a proposta política ao parlamento para um nova sessão legislativa. Sampaio sabe perfeitamente que o referendo nas datas possíveis arriscava a não ter expressão eleitoral e como tal não validaria uma decisão política e abortava o tema por largos anos, alias não é de todo displicente a estratégia de silêncio da ala contraria a este referendo.
publicado por vitorcandidojose às 08:59
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2005

Regresso...

Tenho finalmente oportunidade de quebrar o silêncio que esta Lágrima parecia condenada. Os dias ganham um ritmo voraz que nos conduz por necessidade e alguma inércia para um caminho que nos afasta vezes demais de projectos de afecto e das pessoas “companheiras de viagem”. Não nasce nesses dias o esquecimento, nasce uma saudade que nos vai conquistando a par de um ritmo de trabalho que empurra o tempo que sobra para uma única função, um descanso curto.
O mês que passou foi fértil em acontecimentos quero hoje lembrar João Paulo II que se encontrou com a decadência, mais do que a decadência da enfermidade a decadência de quem durante dias vendeu ao mundo a sua morte roubando o recato e a dignidade merecida. A vertigem dos anúncios de morte acompanhado pelos desmentidos, os directos televisivos repletos de vazio informativo. Verdadeiros abutres... Vamos de forma continuada empurrando a informação para um derivado do entretenimento. Em todo este episódio como noutros que vamos vivendo ocorre lembrar Stendhal “ O que desculpa Deus é o facto de ele não existir”.
publicado por vitorcandidojose às 08:54
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2005

Direito a morte II

Numa conversa surgida a partir do anterior artigo, um colega descrevia-me uma parte importante da sua vida, a relação actual com a sua mãe que sofre de alzheimer e de todo o processo de “desaprendizagem” inerente ao seu estado e da sua especial sensibilidade ao caso “Terry Shiavo”, fechando-se especialmente no dilema de não querer ver a mãe sofrer mas também não querer carregar o estigma, mesmo aos seus olhos, de estar a ser “utilitarista” ao decidir a morte da sua mãe. Vive-se a angustia da duvida preenchida pelos sentimentos e pelas nossas fragilidades.
Talvez seja tempo, e este talvez vem carregado de ironia, mas como digo talvez seja tempo de sendo sensível à época de civilização em que vivemos, se ganhe socialmente a consciência de que se hoje a medicina consegue aumentar a esperança de vida, também amiúde aumenta a mesma à custa da qualidade que no extremo resvala para estes casos de Estado Vegetativo Persistente.
Reagir parece o presente verbal com o qual se conjuga a nossa política é necessário mudar de paradigma e apostar não na reacção mas na acção e assumir também nesta questão o direito natural a morte em condições subjacentes ao (EVP).



publicado por vitorcandidojose às 08:59
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Quarta-feira, 30 de Março de 2005

Dignidade na morte

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No Estados Unidos as fronteiras do Ser e do Estar acabam sempre numa contenda que de forma habitual se torna radical. As emoções tornam-se os condutores da acção, ganham contornos cinematográficos ao bom estilo de Hollywood. Independente desta realidade existem outras “realidades”. É tempo de uma abordagem que permita uma quebra axiologica do bem Vida. A Vida é “o essencial” mas é fundamental ao homem e inerente à nossa condição ontológica, a dignidade. Nas circunstancias em que a dignidade se encontra ausente pela incapacidade da comunidade médica de reverter o estado vegetativo persistente é legitimo que se o doente tenha expressado a vontade de recusar a vida perante a factual indignidade do seu estado lhe seja reconhecido o direito à morte digna.
Compete aos políticos enquadrar este direito nas praticas de cidadania, especialmente nas formas de registar esta vontade e no devido enquadramento nas competências médicas em moldes de voluntariado.
O que se passa no Estados Unidos no caso de Terri Schiavo nada tem de digno. A retirada da alimentação hidratação assistida ( AHA ) é “apenas” uma forma grosseira e negligente de atingir um suposto gesto de beneficência. Se o desespero familiar pode impor mentalmente este final da AHA, a ética humana dentro do contexto jurídico e na praxis médica não devia acolher este pedido que mais não é do que a recusa de executar não um cuidado médico mas a recusa de efectuar um cuidado básico e esta diferença é por si bastante significativa. Não há aqui apenas um expediente jurídico para obter o que se pretende. A ingerência médica na suspensão de cuidados básicos nada tem de humanitário mas sim de utilitarista e essa é uma fronteira que se passa mais uma vez tornando legitimo juridicamente aquilo que é objectivamente matar à fome um ser humano.


publicado por vitorcandidojose às 08:58
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Segunda-feira, 21 de Março de 2005

Tombaram mais dois policias.

Estas ocorrências continuadas de violência extrema na zona da Amadora, não são passíveis de ser analisadas episodicamente e nem fora do contexto social e histórico. Desde os idos anos 70 que se permitiu ou mesmo incentivou o crescimento dos bairros de lata. Todas as manhãs a esmagadora maioria dos homens abandona estes bairros, com o rotulo de “mão de obra barata” necessária para ocorrer ao selvagem crescimento dos subúrbios de Lisboa, dos quais financeiramente beneficiavam os Municípios quer através das taxas quer dos impostos inerentes à construção civil e empreiteiros que sem escrúpulos aproveitaram da desprotecção jurídica e das necessidades de muitas famílias. Durante anos ignorou-se os guetos que se criavam propícios a cadastrados, como o homicida destes dois agentes, que encontram nestes locais, uma fronteira do Estado de Direito que lhes permite esconderem-se e perpetuar os seus actos com uma dose acrescida de impunidade. Durante anos ignorou-se a previsível explosão da criminalidade da dita “segunda geração”. Tudo isto era por demais previsível e evitável em larga medida se não se tivesse aliado tanta incompetência a outra tanta ganância. Cabe deixar claro e sem espaço para qualquer duvida que em nenhuma palavra se procura justificar o injustificável, o acto cobarde e canalha de ceifar a vida a estes dois policias. No meu entendimento a responsabilidade pessoal não é alienável por questões de carência social, quem comete crimes deve ser punido (ponto final). Mas se continuarmos a fechar a questão na condenação do assassino e no aumento dos efectivos policiais, desculpem mas então parece que procuramos nos enfiar na asneira para obter um pretexto para um constante exercício de lamuria. Não se pode desligar a miséria da criminalidade e nesse âmbito se chama à coacção um dos maiores fracassos políticos e sociais dos últimos 30 anos, é também aqui que se revela um embrutecimento da nossa democracia. Permanecendo hoje a falta de um trabalho de índole global que passa pela segurança, justiça, emprego, cultura, saúde, habitação, escola que permita estimular a construção de projectos de vida por parte destas pessoas, urge combater estas desigualdades, este é um desígnio do Estado, de uma forma prosaica, o Estado deve assegurar no mínimo as mesmas oportunidades aos habitantes da Cova da Moura como aos residentes na Lapa.


PS : Para quem tenha algum interesse no combate ao crime urbano, “Paradigma Urbano” é um excelente livro que conta a experiência das autoridades políticas, académicas e policiais de Nova Iorque que desenvolveram um programa que reduziu substancialmente a criminalidade nessa cidade.

publicado por vitorcandidojose às 09:27
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Quinta-feira, 17 de Março de 2005

Tempos...

Nestes dias em que se cruza a minha vida, impôs-se um silêncio promovido por um Kronos que nunca abranda o seu passo e que faz da sua génese - tempo - um bem escasso.
A vida neste “Portugal de Hoje” vai configurando um ligeiro aquecimento nas expectativas e na “confiança” dos portugueses, fruto do período pós-eleitoral que é também conjugado com as atitudes de Sócrates especialmente na formação do Governo. Recusando os jogos de bastidores habituais, assentes nas chamadas escolhas do aparelho em que Guterres foi o expoente máximo ao desagregar Ministérios para compor pastas ao sabor dos caprichos e da notoriedade dos boys socialistas. Sócrates formou um governo assente no pressuposto da competência, impôs uma dignidade e uma nobreza ao acto de formação de governo que vinha sendo desprestigiado e fê-lo acompanhar por uma parcimónia no relacionamento com a comunicação social. Sócrates assume a liderança do Governo com uma situação internacional exigente para com Portugal e a nível interno encontra um certo embrutecimento da democracia.
Uma breve nota sobre o regresso de Santana Lopes ao Município Lisboeta, este regresso é a continuidade de uma “praxis política”, elementos de todos os partidos pulam do Parlamento Europeu para Ministros, de Presidentes de Câmaras para deputados, naquilo que na minha óptica é uma traição política ao desígnio do voto. Funciona o fatídico argumento – utilizado também por Santana - “Se os outros o fazem também posso faze-lo”, trata-se de um sofisma que esconde uma indevida passagem do plano sociológico para o plano ético e independente da analise sociológica esta não substitui a ética. Custe o que custar.
Acabei sem ser essa minha intenção cruzar Sócrates e Santana neste comentário e que injustiça... para Sócrates

publicado por vitorcandidojose às 02:37
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Terça-feira, 1 de Março de 2005

Palavras...

Hoje, podiam ser outras as palavras, mas optei por estas que me ofereço e que ofereço. As palavras pelas mãos e pelos olhos do mestre..

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade
publicado por vitorcandidojose às 08:53
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005

Contingências...

Este espaço vai sendo feito consoante o Tempo do seu autor, tempo esse que nem sempre se inscreve na vertiginosa velocidade jornalística, tão avassaladora que em regra passa pelas coisas sem delas deter o essencial. Enfim as coisas são o que são e isto não é conformismo é talvez consequência da falta de chuva que me seja permitido esta metáfora de certas contingências.


António pode ser um desafio que convida a olhar para dentro de nós partindo de uma vivência ou de um sentir, o importante é deixar as palavras respirarem como este comentário do Luis Sequeira.


 Há dias, horas, minutos em que somos tomados pela vertigem do absurdo. Construimos os sonhos, os mais improváveis, deixamo-nos estar nesse remanso doce da realidade criada (recriada) à luz das nossas ilusões. As mais das vezes acordamos, regressamos ao pragmatismo dos dias, mas há aqueles instantes em que nos deixamos vagar nesse mundo nosso, instantes que queremos e cremos serem verdadeiros. São talvez dos mais profundos e extraordinários, são também raros. Escondemo-nos atrás das máscaras que criamos, vamos controlando o sonhador que há em nós, mas ainda assim lá lhe damos rédea solta de quando em vez, quanto mais não seja para sentirmos que estamos vivos. Acontece (quero acreditar que acontece) por vezes termos na correnteza dos dias, a materialização de um sonho, a força de uma vontade, a justeza de uma crença, a riqueza de um valor, assim, de súbito, transformados em realidade. Eis, pois, o momento fundador para se reiniciar o ciclo! P.S. Texto gongórico, mas na luta contra esse ditador dos nossos dias - o tempo - fica sempre apenas um fio de lucidez.

publicado por vitorcandidojose às 09:05
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Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2005

Deixando a política...

Partilhei há dias com o António este sentir, hoje decidi estende-lo a quem por aqui passa...
Há dias nas nossas vida em que tudo se perfilha de um sentido. É aquele tempo em que a realidade se cruza e se conjuga com os nossos sentires mais profundos.
publicado por vitorcandidojose às 00:48
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2005

Notas de noite eleitoral

Jeronimo de Sousa O novo líder comunista fez um discurso de quem imaginou que uma maioria relativa do PS deixava no colo do Partido Comunista um quinhão do poder nem que fosse na figura de um acordo de incidência parlamentar, a maioria absoluta fez essa esperança morrer. O partido Comunista esperava vir a ser o CDS da esquerda portuguesa.


 Paulo Portas A sua energia e a sua determinação estiveram arredadas da sua postura política durante anos, foram preteridas em favor de uma encenação de um homem de estado e de um paladino da direita portuguesa. Hoje essa energia e determinação regressaram neste discurso de demissão. Aquele “estou-me nas tintas” foi uma catarse de um homem que esta noite viu terminar um ciclo político e soube agir com honra, alterando a sua contingência em favor de uma liberdade intelectual que em larga medida pareceu sempre amordaçada. 


Sócrates Não é um homem de consensos, é alguém que escolhe um caminho e que enfrenta os obstáculos, a questão é saber se ele está apto a tomar as decisões acertadas. A definição das pessoas que vão constituir o governo é um momento chave quer para aferir a qualidade quer para aferir até que ponto algumas fracas figuras que insistem em pendurar-se no líder ficam de fora do elenco governativo.


Santana Lopes A declaração de Santana Lopes é a abertura de uma guerra dentro do PSD. A gasta estratégia da vitimização acompanhada pelo acantonamento seu e dos seus, visa a todo custo mante-lo no poder e esse custo será necessariamente o partido e a candidatura do professor Cavaco Silva. Contra tudo o que penso desta figura escrevi no Sábado que esperava lucidez foi uma ingenuidade de quem deixou a necessidade falar mais alto que a realidade.

publicado por vitorcandidojose às 09:06
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2005

Espera-se...

Temperança na vitoria e lucidez na derrota

publicado por vitorcandidojose às 15:14
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2005

Nada de novo...

O Director do Teatro Nacional São Carlos teve um golpe de asa ao expor dias antes das eleições o ridículo orçamento perante a temporada que foi anunciada. Esta atitude tendo presente a derrota eleitoral do PSD é um brinde para o PS que provavelmente será retribuído com o devido acréscimo financeiro e com a devida permanência da direcção. Recupero um texto datado de 1 de Novembro sobre uma realidade de todo previsível que apenas o comodismo e a ausência de contacto com a realidade tornaram possíveis.

Equívocos culturais

Há uma vacuidade de orientações governamentais no que se refere a área dos T.N. ( teatros nacionais ) que não sendo em si novidade é substancialmente agravada pela redução do financiamento apresentado no relatório do Orçamento de Estado para 2005. 600 mil contos, para três Teatros Nacionais, pretendendo com essa verba cobrir um leque tão vasto de áreas que vão desde, a garantia de espectáculos líricos e sinfónicos, obras de beneficiação, passando pela divulgação e informatização dos serviços ou muito me engano ou alguém vai ter que ter o dom de Midas para transformar dividas em activos. (...)

No São Carlos 200 mil contos para orçamentar uma temporada lírica não são um lirismo mas um dislate. Para o lado da Praça de São Carlos a situação é inevitavelmente grave, empurrando o teatro para uma letargia que se esconde em obras de café.(...)

Todas as apresentações de temporadas vão sendo adiadas, sine die, por forma a permitir que as direcções consigam da tutela a atribuição de mais meios financeiros, retirados ou do PIDDAC ou de outra parcela orçamental. O relatório do Orçamento de Estado enquadra-se com as expectativas para este sector da cultura portuguesa que essencialmente não são nenhumas.

publicado por vitorcandidojose às 18:45
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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2005

Para o caminho...

Não se evoque virtudes para defender atitudes, quando estas são piores do que aquelas que se pretende punir.
publicado por vitorcandidojose às 08:56
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Notas breves do debate...

Imagino a bonomia do professor Cavaco Silva, quando como hoje ouve o líder socialista afirmar que “a maioria absoluta é boa” ...

Ouvir o líder do partido mais à direita, afirmar que aquilo que os pais querem da escola é que ela ofereça emprego aos filhos e para isso ele defende uma classificação de empregabilidade. Pode até adequar-se aos actuais desejos de muitos país, mas não entendo que um líder político possa confundir a escola com um centro de emprego com cursos de formação profissional. Será um exemplo da denominada campanha pelos Valores que o PP protagoniza?

Sobre Sócrates, “por amor de Deus”, cansa a evocação, o homem até é de esquerda – embora a esquerda desde Guterres já não seja o que era –

Louça tinha que marcar os telejornais de hoje. É disso que o Bloco se alimenta, Não é surpresa como também não surpresa a forma como Santana Lopes se colocou a “jeito” , depois de comprovar a legalidade a única explicação política que deu é, ter copiado o PS.

Independente da atitude do Bloco de Esquerda, este debate deu um “tom” positivo a campanha, não por ter sido um estimulante debate de ideais ou de convicções mas pelo facto de ter corrido quase sempre com elevação.

Enfim num debate em que aquilo que convoca para a simpatia não foram as ideias políticas mas um líder rouco.



publicado por vitorcandidojose às 08:56
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005

Como vai ser a próxima Segunda

facas.jpg

Quem vai começar a fazer uso político destes objectos na próxima Segunda ?
O PS para repartir o Poder? Ou o PSD para ter um novo líder? Provavelmente ambos


publicado por vitorcandidojose às 09:55
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